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    1 ano de pandemia

    Dados mostram como o aumento de casos de covid-19 em SC impacta de imediato internações e mortes

    Após um ano de pandemia, sistema hospitalar sente efeitos com alta de internações em média 10 dias depois de pico repentino de novos casos, e ápice de mortes ocorre logo em seguida

    26/03/2021 - 05h04

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    Cristian Edel
    Por Cristian Edel Weiss
    Silhueta da curva de casos, internações e mortes em SC é similar, após um ano de pandemia: o aumento de casos impacta na alta de internações, que é seguida de mortes
    Silhueta da curva de casos, internações e mortes em SC é similar, após um ano de pandemia: o aumento de casos impacta na alta de internações, que é seguida de mortes
    (Foto: )

    O Estado vive desde a segunda quinzena de fevereiro a pior fase de toda a pandemia, que completou nesta quinta-feira, 25, 1 ano desde que a primeira morte por covid-19 foi registrada, e superou a marca de 10 mil óbitos acumulados

    Apenas nos 25 dias de março, ocorreram 2.580 mortes. Nunca tanta gente esteve internada ao mesmo tempo por covid-19: nesta quinta-feira, eram 1.171 em UTIs das redes pública e privada. E desde o início de março há pelo menos 300 pessoas por dia em fila de espera por um leito. Como pano de fundo disso tudo, o total de casos ativos em Santa Catarina ainda é muito alto, tem ficado acima de 30 mil diariamente desde 24 de fevereiro. Nesta quinta-feira, eram 32.379 pessoas nessa condição. Parte desses pacientes podem precisar dos hospitais daqui a duas ou três semanas, caso os sintomas se agravem.

    E a tendência é de seguir por mais algumas semanas assim. Depois de um ano, é possível enxergar o comportamento de certa forma previsível da pandemia, ao olhar os dados em perspectiva (veja a sequência de gráficos abaixo, que mostra como a curva de casos, internações e mortes se assemelha ao longo do tempo, uma impactada diretamente pela outra). Quando há um pico de casos confirmados, leva-se em média mais 10 dias para que os leitos de UTIs comecem a encher. Então, em menos de uma semana, já se observa o crescimento acelerado no número óbitos diários. 

    Ainda que caia o número de casos e mortes repentinamente, o sistema de saúde é o último a demonstrar alívio. Isso porque em Santa Catarina um paciente na UTI fica, em média, 14 dias internado.

    Foi assim em agosto, no primeiro auge de mortes, casos e internações. Depois, a curva caiu gradativamente até outubro, que foi a maior janela de oportunidade para controlar a pandemia no Estado. Ali, SC chegou a registrar somente 54% de ocupação nos leitos de UTI adultos, também teve dias com menos de 10 mortes diárias por covid-19.

    Mas feriados e eleições que se sucederam levaram muita gente às ruas. A crise política com o primeiro processo de impeachment contra o governador Carlos Moisés também abalou os esforços contra o aumento de casos. E outra escalada ocorreu, com novos recordes na primeira quinzena de dezembro. 

    > Acompanhe dados da vacinação em cada município de SC no Monitor da Vacina

    > Painel do Coronavírus: saiba como foi o avanço da pandemia em SC

    Agora, o pico que o Estado enfrenta desde fevereiro configura uma situação mais grave, porque o sistema de saúde, que estava saturado desde dezembro não teve tempo de se recuperar. Aí veio nova onda, agravada pelas novas variantes do vírus já detectadas. O resultado são mais de 300 pessoas em filas de espera por leitos de UTI, novos recordes diários de mortes e não há clareza no horizonte de quando tudo isso terá fim. Nem os dados conseguem indicar.

    Os dados completos da pandemia por cidade estão disponíveis no Painel do Coronavírus.

    Assista abaixo à animação que mostra a evolução de mortes por covid-19 em 12 meses nos municípios de SC desde o início da pandemia:

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