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1 ano de pandemia

SC supera 10 mil mortes por covid-19 no dia em que completa um ano da 1ª vítima

Estado confirmou 188 novas mortes nesta quinta-feira, chegando ao acumulado de 10.108

25/03/2021 - 16h32 - Atualizada em: 25/03/2021 - 20h08

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Cristian Edel
Por Cristian Edel Weiss
Clarissa
Por Clarissa Battistella
Estado levou apenas 8 dias para saltar de 9 mil mortes para 10 mil neste mês
Estado levou apenas 8 dias para saltar de 9 mil mortes para 10 mil neste mês
(Foto: )

No dia em que Santa Catarina completa um ano desde a primeira morte por covid-19, o Estado supera a marca expressiva de 10 mil óbitos causados pelo coronavírus. Foram confirmadas nesta quinta-feira, 25, 188 novas vidas perdidas (veja a relação detalhada dos pacientes adiante), chegando ao acumulado de 10.108. E a marca veio a galope. Em apenas 90 dias o Estado duplicou o número de vítimas. Na mesma semana, o Brasil superou a marca de 300 mil mortos.

> Painel do Coronavírus: veja em mapa e dados por cidade como está a situação da pandemia

> Acompanhe dados da vacinação em cada município de SC no Monitor da Vacina

Em 12 meses, o que mudou é que a pandemia se tornou mais intensa, novas variantes (e mais contagiosas) entraram em cena, os hospitais lotaram. O que não mudou: o discurso negacionista e descaso de algumas autoridades nos três níveis de governo Brasil adentro.

Por aqui, a pandemia começou com um intervalo de 125 dias entre a primeira morte e a milésima, mas chegou ao ponto de saltar de 9 mil a 10 mil em apenas 8 dias neste mês (veja no gráfico abaixo o tempo que levou para completar mais mil mortes). 

Com unidades de terapia intensiva lotadas desde meados de fevereiro, e filas de espera por leitos vagos com mais de 300 pessoas, o ritmo de mortes diárias se acelerou sem precedentes desde que o Estado alcançou a marca de 7 mil vidas perdidas, em 21 de fevereiro.

Agora em março já são pelo menos 2.582 pacientes que não conseguiram vencer a luta contra o vírus, média de 1 morte a cada 14 minutos. E não é possível dizer quando o Estado atingirá o pico mais alto dessa curva, tampouco pode se prever quando a situação dará sinais de melhora.

Número mais expressivo de mortes num único boletim

A reportagem do Diário Catarinense identificou que um óbito de uma adolescente de 16 anos, ocorrido na terça-feira, em Chapecó, foi removido da base da Secretaria de Estado da Saúde como morte causada por covid-19. Com isso, são 188 as novas mortes confirmadas nesta quinta-feira. 

Há dois casos ocorridos no ano passado, um de abril e outro de julho. Outro óbito é de janeiro deste ano e dois são de fevereiro. Os demais 183 ocorreram entre 3 de março e esta quinta-feira.

São pacientes que tinham entre 28 e 99 anos, sendo 51 pessoas com até 59 anos. Há 47 moradores da Grande Florianópolis, 38 do Sul, 36 do Vale, 31 do Oeste, 28 do Norte e 8 da Serra.

Novas mortes confirmadas

Grande Florianópolis

16/03: Masculino, 60, Antônio Carlos

17/03: Feminino, 33, Biguaçu

22/02: Masculino, 71, Florianópolis

06/03: Feminino, 76, Florianópolis

11/03: Masculino, 58, Florianópolis

17/03: Feminino, 68, Florianópolis

17/03: Feminino, 87, Florianópolis

18/03: Feminino, 72, Florianópolis

18/03: Masculino, 75, Florianópolis

18/03: Feminino, 84, Florianópolis

19/03: Masculino, 91, Florianópolis

20/03: Masculino, 70, Florianópolis

20/03: Feminino, 73, Florianópolis

22/03: Masculino, 50, Florianópolis

22/03: Feminino, 83, Florianópolis

22/03: Masculino, 90, Florianópolis

22/03: Feminino, 93, Florianópolis

23/03: Feminino, 62, Florianópolis

23/03: Masculino, 78, Florianópolis

23/03: Feminino, 84, Florianópolis

23/03: Feminino, 85, Florianópolis

23/03: Masculino, 89, Florianópolis

23/03: Feminino, 95, Florianópolis

24/03: Masculino, 39, Florianópolis

24/03: Masculino, 60, Florianópolis

24/03: Masculino, 69, Florianópolis

24/03: Feminino, 80, Florianópolis

19/03: Masculino, 35, Palhoça

23/03: Feminino, 60, Palhoça

23/03: Masculino, 81, Palhoça

24/03: Masculino, 38, Palhoça

24/03: Feminino, 68, Palhoça

25/03: Masculino, 88, Palhoça

16/03: Masculino, 64, Paulo Lopes

21/03: Feminino, 66, Santo Amaro da Imperatriz

23/03: Feminino, 55, São João Batista

24/03: Masculino, 68, São João Batista

10/03: Masculino, 88, São José

19/03: Feminino, 73, São José

21/03: Feminino, 66, São José

21/03: Masculino, 85, São José

22/03: Feminino, 39, São José

22/03: Masculino, 49, São José

24/03: Masculino, 41, São José

24/03: Feminino, 73, São José

23/03: Feminino, 28, Tijucas

23/03: Masculino, 80, Tijucas

Sul

24/03: Masculino, 69, Araranguá

24/03: Feminino, 72, Araranguá

21/03: Masculino, 63, Balneário Arroio do Silva

25/03: Masculino, 76, Balneário Arroio do Silva

24/03: Feminino, 83, Balneário Gaivota

22/03: Masculino, 31, Braço do Norte

23/03: Feminino, 86, Braço do Norte

24/03: Feminino, 72, Capivari de Baixo

19/03: Feminino, 63, Criciúma

20/03: Feminino, 79, Criciúma

21/03: Masculino, 54, Criciúma

22/03: Masculino, 82, Criciúma

24/03: Feminino, 77, Criciúma

24/03: Masculino, 66, Garopaba

24/03: Masculino, 75, Garopaba

24/03: Masculino, 63, Içara

24/03: Masculino, 76, Içara

23/03: Feminino, 65, Imaruí

23/03: Masculino, 59, Imbituba

23/03: Masculino, 67, Jaguaruna

23/03: Feminino, 59, Laguna

23/03: Masculino, 67, Laguna

23/03: Feminino, 79, Laguna

22/03: Feminino, 46, Lauro Müller

24/03: Masculino, 72, Lauro Müller

23/03: Masculino, 84, Pescaria Brava

23/03: Masculino, 86, Pescaria Brava

24/03: Feminino, 68, Santa Rosa do Sul

24/03: Masculino, 47, São Martinho

20/03: Feminino, 64, Siderópolis

22/03: Feminino, 78, Sombrio

24/03: Masculino, 43, Sombrio

24/03: Feminino, 84, Treviso

23/03: Masculino, 71, Tubarão

23/03: Masculino, 72, Tubarão

23/03: Masculino, 81, Tubarão

24/03: Masculino, 51, Tubarão

24/03: Masculino, 72, Tubarão

Vale do Itajaí

18/03: Feminino, 77, Balneário Camboriú

22/03: Masculino, 82, Balneário Camboriú

22/03: Masculino, 87, Balneário Camboriú

23/03: Feminino, 90, Balneário Camboriú

24/03: Feminino, 64, Balneário Camboriú

24/03: Masculino, 69, Balneário Camboriú

25/07: Masculino, 70, Benedito Novo

23/03: Feminino, 40, Blumenau

24/03: Feminino, 66, Blumenau

24/03: Masculino, 70, Blumenau

24/03: Feminino, 84, Blumenau

24/03: Feminino, 39, Brusque

24/03: Feminino, 59, Brusque

24/03: Masculino, 70, Brusque

25/03: Feminino, 64, Brusque

15/03: Feminino, 43, Camboriú

20/03: Masculino, 72, Camboriú

22/03: Feminino, 78, Camboriú

04/04: Feminino, 53, Itajaí

22/03: Feminino, 80, Itajaí

20/03: Masculino, 70, Itapema

20/03: Masculino, 72, Itapema

23/03: Masculino, 52, Itapema

23/03: Feminino, 59, Itapema

24/03: Feminino, 84, Itapema

24/03: Masculino, 71, Ituporanga

24/03: Feminino, 76, Ituporanga

20/03: Feminino, 51, Navegantes

21/03: Masculino, 87, Navegantes

22/03: Masculino, 48, Penha

22/03: Masculino, 64, Penha

24/03: Masculino, 57, Penha

25/03: Feminino, 66, Petrolândia

25/03: Feminino, 78, Petrolândia

24/03: Feminino, 86, Timbó

24/03: Masculino, 79, Vidal Ramos

Oeste

24/03: Masculino, 68, Água Doce

24/03: Masculino, 36, Caçador

24/03: Feminino, 70, Capinzal

18/03: Masculino, 44, Chapecó

23/03: Feminino, 57, Chapecó

23/03: Masculino, 61, Chapecó

24/03: Masculino, 48, Chapecó

24/03: Masculino, 68, Chapecó

24/03: Feminino, 69, Chapecó

24/03: Masculino, 82, Chapecó

25/03: Feminino, 75, Chapecó

24/03: Masculino, 75, Concórdia

24/03: Feminino, 87, Concórdia

24/03: Masculino, 85, Guaraciaba

20/03: Masculino, 82, Ibicaré

25/03: Masculino, 81, Ibicaré

24/03: Masculino, 50, Iporã do Oeste

24/03: Masculino, 83, Jaborá

24/03: Masculino, 60, Joaçaba

22/03: Masculino, 84, Lacerdópolis

11/03: Masculino, 90, Modelo

22/03: Masculino, 35, Palmitos

25/03: Masculino, 52, São Miguel da Boa Vista

23/03: Masculino, 90, São Miguel do Oeste

02/03: Masculino, 87, Saudades

24/03: Feminino, 74, Tangará

06/01: Masculino, 85, Videira

24/03: Masculino, 58, Videira

24/03: Masculino, 63, Xanxerê

23/03: Masculino, 47, Xaxim

24/03: Masculino, 46, Xaxim

Norte

23/03: Masculino, 68, Campo Alegre

24/03: Masculino, 46, Corupá

23/03: Masculino, 49, Garuva

22/03: Masculino, 43, Guaramirim

24/03: Feminino, 77, Guaramirim

22/03: Masculino, 42, Jaraguá do Sul

23/03: Masculino, 35, Jaraguá do Sul

23/03: Masculino, 77, Jaraguá do Sul

23/03: Masculino, 92, Jaraguá do Sul

24/03: Feminino, 48, Jaraguá do Sul

24/03: Masculino, 60, Jaraguá do Sul

24/03: Masculino, 76, Jaraguá do Sul

10/02: Masculino, 77, Joinville

19/03: Feminino, 53, Joinville

19/03: Masculino, 64, Joinville

20/03: Masculino, 65, Joinville

20/03: Masculino, 74, Joinville

21/03: Masculino, 35, Joinville

22/03: Masculino, 90, Joinville

23/03: Masculino, 38, Joinville

23/03: Masculino, 79, Joinville

23/03: Masculino, 80, Joinville

24/03: Feminino, 63, Joinville

24/03: Masculino, 68, Joinville

24/03: Feminino, 69, Joinville

24/03: Masculino, 73, Joinville

24/03: Masculino, 66, Porto União

24/03: Masculino, 74, Schroeder

Serra

25/03: Feminino, 64, Campos Novos

25/03: Masculino, 70, Celso Ramos

22/03: Masculino, 99, Lages

24/03: Masculino, 58, Lages

24/03: Feminino, 52, São Joaquim

24/03: Masculino, 60, São Joaquim

24/03: Masculino, 68, São Joaquim

23/03: Feminino, 52, São José do Cerrito

Total de casos ativos tem ficado acima de 30 mil desde 24 de fevereiro

O total de casos ativos em Santa Catarina ainda é muito alto, tem ficado acima de 30 mil diariamente desde 24 de fevereiro. Nesta quinta-feira são 32.379 pessoas nessa condição. E parte desses pacientes podem precisar dos hospitais daqui a duas ou três semanas, caso os sintomas se agravem. 

Como os hospitais já estão lotados – a média de ocupação dos leitos adultos nas últimas duas semanas é de 98% em todo o Estado –, o risco de não ser possível salvar vidas ainda é bastante alto.

Desde que ocorreu a primeira morte no Estado, de um homem de 86 anos, morador de Bombinhas, em 25 de março de 2020, o coronavírus tem provocado internação e mortes de um perfil mais abrangente, com os mais jovens sofrendo também as consequências.

Especialista cita fatores para este momento

Vários fatores explicam essa aceleração. Entre eles, segundo o epidemiologista da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), Fabrício Menegon, estão o surgimento de novas variantes mais contagiosas e agressivas, a circulação descontrolada da população e a falta de controle da pandemia pelos governos - federal, estadual e municipal -, responsáveis pela gestão da crise causada pela doença.

- Não é só a balada clandestina que mudou o cenário epidemiológico. A culpa não está só nas aglomerações. O Estado perdeu o controle da pandemia, não tem mais condições (de controlar) ou não quer mais ter. Mas a responsabilidade é da gestão pública. São os governos que detêm o poder de direito para fazer as medidas e as barreiras de contenção - enfatiza o especialista.

Além disso, o epidemiologista também critica a adoção de “protocolos sem eficácia” pelos governos, que usaram a distribuição de remédios comprovadamente ineficazes no tratamento da doença, como o “kit Covid”, como medida de combate à pandemia:

- Esse cenário é fruto de um conjunto de estratégias que não levam em consideração os critérios mínimos de vigilância sanitária, como essas, baseadas em remédios que sobrecarregam o sistema hepático e renal, causando efeitos colaterais que depois precisam ser tratados no sistema de saúde.

Vídeo: animação mostra a evolução de 1 ano de mortes por covid-19 nos municípios de SC

Alta disseminação aumenta chance de novas variantes

Desde o início da pandemia, o Estado não tem conseguido atingir um nível diário de isolamento social acima de 50%. Isso só foi possível entre março e abril do ano passado, quando o governo estadual publicou decretos restringindo a circulação de pessoas e atividades não essenciais. Especialistas consultados pela reportagem são unânimes em afirmar que é preciso medidas de contenção do fluxo de pessoas para reduzir o número de casos ativos e gradativamente desafogar o sistema de saúde, que entrou em colapso no fim de fevereiro.

Ainda em maio, Julio Croda, infectologista, pesquisador da Fiocruz e ex-diretor de Imunizações do Ministério da Saúde, afirmou à reportagem que as autoridades deveriam aplicar medidas mais restritivas sempre quando o índice de ocupação das UTIs superasse 70%. No entanto, ao ultrapassar 80%, medidas ainda mais rígidas são recomendadas, porque para alcançar a lotação máxima é questão de poucos dias. 

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Santa Catarina atingiu 95% da ocupação de leitos adultos do SUS em 25 de fevereiro e as medidas tomadas pelo Estado (como restrições aos fins de semana) não surtiram efeito, pois os casos ativos continuaram num patamar alto e a fila de espera por leitos de UTI se mantém.

Crítico das medidas tomadas até agora pela maioria dos gestores públicos, o professor do Departamento de Saúde Pública da UFSC, Fabrício Menegon, afirma que os discursos dos governos vão na contramão do enfrentamento da pandemia, que deveria atuar, também, para o fortalecimento de uma consciência coletiva:

- Se os governos continuarem com discurso equivocado e dissonante de que a responsabilidade é de cada um, o cenário não vai mudar. O que barra o avanço do vírus é fortalecer o uso de máscaras, a higienização das mãos e o distanciamento.

Além disso, a vacinação, que é a maior perspectiva para evitar a doença, completou 2 meses na semana passada, mas apenas cerca de 500 mil pessoas tomaram pelo menos uma das duas doses necessárias para imunizar a população contra o coronavírus. Elas representam menos de 20% dos 2,8 milhões de integrantes dos grupos prioritários a receber as doses. 

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Segundo o Estado, nesse caso é a inconstância do envio de doses por parte do Ministério da Saúde que tem dificultado acelerar a vacinação. Enquanto em campanhas regulares os municípios catarinenses conseguem aplicar 20 mil a 25 mil doses diárias, estão conseguindo apenas a média de 8 mil.

A demora pela vacinação não só preocupa pela aceleração do contágio e pelo aumento de mortes, consequência da contaminação, mas também porque favorece o surgimento de novas variantes em um contexto de descontrole da transmissão, como o de Santa Catarina, segundo explicou o presidente da Sociedade Catarinense de Infectologia, Fábio Gaudenzi, em entrevista ao Diário Catarinense no início deste mês:

- Seria um ano de boas notícias. Da vacinação em todos os países. Mas, ao mesmo tempo, tivemos um segundo semestre de 2020 com pandemia em descontrole, o que facilitou o surgimento de novas variantes, que são favorecidas por conta dessa replicação descontrolada do vírus. Quanto mais solto o vírus estiver, mais casos graves e óbitos vão existir, porque não temos tratamento eficaz para evitar. O objetivo é não adoecer.

Os dados completos por cidade estão disponíveis no Painel do Coronavírus.

Assista abaixo à animação que mostra a evolução de mortes por covid-19 em 12 meses nos municípios de SC desde o início da pandemia:

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