Com a saída de Fernando Haddad do ministro da Fazenda, os holofotes se voltam para o secretário-executivo da pasta, Dario Durigan. Nome de confiança do agora ex-ministro, Durigan assume o cargo com um perfil marcadamente técnico e o desafio de conduzir a economia em pleno ano eleitoral.

Continua depois da publicidade

Diferente do perfil político de Haddad, Durigan é visto como um quadro operacional estratégico. Essa característica é apontada por analistas como um facilitador para temas complexos que exigem cálculos precisos de impacto fiscal e trabalhista. E esse perfil pode ser positivo em alguns quesitos, como na implementação de pautas, a exemplo da reforma da escala 6×1. Segundo o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, a chegada de Durigan pode dar uma condicionada privilegiada para a discussão.

O desafio de Durigan: como um técnico da era digital vai negociar com o “velho” Congresso em ano de eleição?

A transição no ministério da Fazenda ocorre em um momento estratégico e de alta sensibilidade: o último ano do mandato presidencial. Para analistas, o sucesso da agenda econômica de Dario Durigan dependerá menos de sua biografia e mais do “termômetro” do Congresso Nacional em pleno ano eleitoral.

De acordo com o cientista político Rafael Cortez, sócio da Tendências Consultoria, o ambiente político de 2026 é o principal condicionante para a aprovação de pautas. Para o especialista, a falta de uma trajetória política de Durigan pode ser um entrave no diálogo com parlamentares, especialmente diante do risco oculto que temas populares impõem às contas públicas.

— É um ano mais delicado para a implementação de pontos mais sensíveis. Independentemente das qualidades de Dario, há o problema maior da questão eleitoral. O fato de não ser político dificulta o relacionamento, pois políticos falam a mesma linguagem e possuem peso político próprio.

Continua depois da publicidade

Haddad sinaliza confiança em sucessor; Rogério Ceron é cotado para a secretaria-executiva

A sucessão no ministério da Fazenda avançou um novo passo após reunião entre o presidente Lula, o ministro Fernando Haddad e o atual secretário-executivo, Dario Durigan. O encontro serviu para selar a transição e reforçar a interlocução direta de Durigan com o Palácio do Planalto.

Em Santa Catarina, o setor produtivo acompanha os movimentos com cautela. Empresários dizem que SC vai sofrer mais com mudanças bruscas na jornada, e entidades como a Fiesc alertam que a redução de jornada de trabalho irá provocar demissões no Estado.

Em declaração sobre o sucessor, Haddad destacou a trajetória de gestão e a proximidade com o presidente:

— O Dario tem uma relação muito boa com o presidente, de muita confiança. É um grande gestor público.

Continua depois da publicidade

Com a provável promoção de Durigan, o cargo de secretário-executivo da Fazenda deverá ser ocupado pelo atual secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, segundo as discussões em andamento no governo federal.

*Com edição de Luiz Daudt Junior.