Uma nova rota logística entre o Brasil e a Ásia promete transformar o comércio exterior sul-americano e reduzir drasticamente o tempo de transporte de mercadorias. O chamado Corredor Bioceânico, que liga o Oceano Atlântico ao Pacífico atravessando Brasil, Paraguai, Argentina e Chile, deve encurtar viagens que hoje levam semanas para apenas 48 horas em alguns trechos terrestres estratégicos.
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A proposta ganhou força nos últimos anos com o avanço das obras da chamada Rota Bioceânica, considerada uma alternativa ao Canal do Panamá e às tradicionais saídas pelos portos brasileiros do Atlântico. A expectativa é que o corredor reduza custos logísticos, desafogue portos como Santos e amplie a competitividade brasileira no mercado asiático, especialmente para exportações do agronegócio.
Ponte binacional integra nova rota
O projeto conecta o Centro-Oeste brasileiro aos portos do norte do Chile, permitindo que cargas sigam diretamente pelo Oceano Pacífico rumo à China e outros países asiáticos. Hoje, muitos produtos brasileiros precisam percorrer longas rotas marítimas pelo Atlântico, passando pelo Canal do Panamá ou contornando o continente.
A nova rota pode reduzir em até 20 dias o tempo total de exportação para a Ásia. Em alguns casos específicos de transporte terrestre, o deslocamento que atualmente leva cerca de três semanas poderá ser feito em até 48 horas.
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A integração envolve rodovias, ferrovias e portos. Um dos principais trechos conecta Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, ao Chile, passando pelo Chaco paraguaio e pelo norte argentino. A construção da ponte entre Porto Murtinho e Carmelo Peralta, no Paraguai, é considerada uma das obras centrais do corredor. (veja fotos acima)
O acesso mais rápido ao Pacífico pode gerar economia significativa para exportadores brasileiros, sobretudo do setor de grãos, carnes e minério. A ex-ministra e senadora Kátia Abreu afirmou recentemente que a rota poderá reduzir em centenas de dólares o custo por caminhão de soja exportado.
O avanço do corredor também ocorre em meio a debates sobre gargalos logísticos no Brasil. Um estudo da Receita Federal mostrou que cerca de 85% do tempo gasto nas exportações brasileiras está relacionado à cadeia logística, especialmente no período entre o desembaraço e o embarque das cargas.
A previsão é de que parte significativa da rota esteja plenamente operacional até 2028.








