O colagista sR Lima é um dos artistas brasileiros selecionados para participar do “Salon International d’Art Contemporain”, que acontece a partir desta sexta-feira (4) até domingo (6) no Carrousel du Louvre, em Paris, na França. O “catarinense de coração” se mudou para Concórdia, no Oeste de Santa Catarina, aos quatro anos de idade, onde viveu por 17 anos até se mudar para Florianópolis, no ano 2000.
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Na mostra, que vai abordar a diversidade do ser humano e a preservação do meio ambiente, sR Lima vai apresentar a obra “REGINA”, que integra uma série de trabalhos homônimos e faz referência à síndrome de Down.
Quem é o “catarinense de coração” premiado na Espanha por colagens com revistas da Vogue
— Desenvolvida com 21 tonalidades de vermelho, a obra utiliza papéis de revistas Vogue, em trissomia com as cores internacionais da síndrome, azul e amarelo. E cada fragmento de papel propõe um ritual de artesanalidade, ao se apropriar de um universo que legitima estas identidades e referencia o direito, inegociável, de ser diferente — explica o colagista.
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De Florianópolis para o Louvre
Em novembro do ano passado, uma exposição com uma série de “Reginas” ocupou a Galeria Lama, Centro Leste de Florianópolis. Todas as 15 colagens eram retratos de mulheres multiculturais e diversas, com curadoria de Meg Tomio Roussenq.
Conheça as obras e o trabalho de sR Lima
Enio Lima, de 41 anos, é paulista, e começou a trabalhar profissionalmente com colagens há três anos. Inicialmente, a ideia era fazer as obras com revistas recicladas diversas, mas ele a mudou no meio do caminho, decidindo que trabalharia somente com a revista Vogue.
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— As revistas semanais, como a Veja, tem o papel fino e não traziam o efeito que eu queria — conta ele.
As revistas de moda, por outro lado, possuem uma qualidade melhor do papel, com mais cores e mais conteúdo, de acordo com sR Lima.
Um dos princípios do artista é que elas nunca são compradas: ele consegue as revistas por meio de doações de conhecidos. Em alguns momentos, ele até as solicita pelas redes sociais.
Diferentemente de muitos colagistas, Enio diz que permanece no “analógico”, não fazendo o uso de nenhuma tintura por cima das obras, e sim trabalhando com centenas de papéis que são recortados geometricamente e colados um a um.
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— Perceber e produzir recortes é um processo que requer algo que as sociedades modernas não têm mais: tempo. É um processo fisicamente exigente que leva meses até ficar pronto.
Para o artista, REGINA, que vai para o Louvre, aborda a fragmentação da individualidade humana.
Como foi o caminho até o Louvre
O artista participou de uma seletiva nacional promovida pela Be Art Gallery, sob curadoria de Angela de Oliveira, e foi um convidado para integrar o seleto grupo de profissionais da arte na mostra internacional.
— Apresentar esta obra em um circuito internacional é uma oportunidade de ampliar o alcance da narrativa do meu trabalho, ao inserir identidades historicamente invisibilizadas em um debate global. Acredito que a arte, através da técnica da colagem, se torna um manifesto visual, carregado de erudição, artesanalidade e pertencimento — conclui o artista.
*Sob supervisão de Jean Laurindo
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