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Em busca de soluções

De Olho no Verão: setor de eventos busca alternativas para sobreviver no meio virtual

Os desafios do setor que ainda lida com as restrições é tema de um painel online nesta quinta-feira (17), às 13h30min

17/12/2020 - 10h00

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Catarina
Por Catarina Duarte
Setor de eventos teve de se adaptar durante a pandemia
Setor de eventos teve de se adaptar durante a pandemia
(Foto: )

Diferente de outras áreas, o setor de eventos ainda lida com proibições em Santa Catarina. Desde março, não são permitidos shows presenciais, festas, nem a visitação a museus e demais espaços culturais. Os espetáculos foram adaptados, chegando ao público via internet sendo assistidos por telas de computadores e celular. Com a chegada da temporada de verão, uma das apostas é manter o público presente por meio das plataformas digitais.

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Esse e outros desafios do setor de eventos catarinense nesta temporada são temas do painel do projeto multimídia "De Olho no Verão", da NSC. Desde terça-feira (15), a iniciativa debate com autoridades possíveis soluções para setores da economia, com mediação e participação de jornalistas dos veículos da NSC. Foram discutidos até o momento turismo e o comércio. A transmissão online será no site do G1 SC, a partir das 13h30min. O último painel temático acontece na sexta-feira (18) no mesmo horário e discutirá a conscientização. 

Realizado em 2015 e 2017, o “De Olho no Verão” já levantou questões importantes como a capacidade das cidades catarinenses de se estruturarem para receber os turistas. Neste ano atípico, além dos visitantes é preciso lidar com o combate à Covid-19. Para propor medidas práticas, a NSC investe no conceito de Jornalismo de Soluções, que busca bons exemplos já adotados para determinados problemas.

Pandemia afetou 98% do setor

Anitta, Wesley Safadão, Dennis DJ, Thiaguinho, Luan Santana e Nando Reis. Esses são alguns dos artistas nacionais que passaram por Santa Catarina nos primeiros meses de 2020. Com a pandemia, o cenário mudou e shows do tipo são permitidos apenas em formato virtual ou sem a presença do público. Essa ausência de shows e eventos provocou impactos econômicos para o setor. 

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Outro impacto causado pelas medidas para conter a pandemia foi o cancelamento das festas de outubro — Oktoberfest, Festa do Imigrante, Fenarreco, Marejada, Tirolerfest.

Uma pesquisa feita pelo Sebrae, em abril, mostra que a pandemia do coronavírus afetou 98% do setor de eventos. O estudo ouviu profissionais envolvidos na organização de feiras, congressos, exposições e festas. Também participaram profissionais de segurança, transporte, fotografia e bufê.  

Já um estudo da Fundação Getúlio Vargas (FGV) sobre os impactos da pandemia no turismo brasileiro estima que as atividades somente retornarão ao nível próximo da normalidade em meados de 2021. Isso se a situação estiver estabilizada até julho de 2020.

Com a retomada, o setor deverá crescer 16,9% ao ano até 2022 e 2023 para compensar as perdas estimadas em R$ 116,7 bilhões no biênio 2020-2021 em todo o Brasil.

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Socorro ao setor

Para socorrer o setor cultural e promover eventos ao longo do ano, a Fundação Catarinense de Cultura (FCC) criou o #SCulturaemSuaCasa. O projeto conta com o aporte de R$ 4 milhões para apoiar apresentações culturais distribuídas de forma virtual. 

O projeto, que segue com inscrições abertas, deve durar até que o recurso seja esgotado ou que a situação de calamidade pública termine. O objetivo do edital é a geração de renda para o setor e a possibilidade de retomada econômica da cadeia produtiva.

Há ainda a Lei Aldir Blanc, que prevê ações emergenciais para o setor. Como medida está sendo oferecido apoio financeiro a trabalhadores e espaços artísticos e culturais que tiveram suas atividades interrompidas devido à pandemia. 

A própria FCC sofre com os impactos. A Fundação administra 12 espaços culturais espalhados por Florianópolis, Biguaçu e São Francisco do Sul. São museus, teatros, biblioteca e cinema fechados há nove meses para o público. 

Segundo a presidente da FCC, Ana Lúcia Coutinho, já existem protocolos definidos para que o setor volte a funcionar. 

— Os protocolos para retorno gradual já estão prontos e validados junto à Secretaria de Estado da Saúde. No entanto, como a avaliação de risco potencial encontra-se em estado gravíssimo, ainda não há previsão para colocá-los em prática — comenta.

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Eventos virtuais 

Membro do Conselho Municipal de Política Cultural de Florianópolis, Maurício Souza conta que antes da pandemia o cenário já não era de investimentos no setor cultural. Além do atraso no pagamento de prêmios e editais, Maurício diz que a falta de apoio financeiro e logístico sempre foi empecilho para a realização de eventos.

— As pessoas pensam a cultura como a cobertura do bolo. Elas não enxergam que, na verdade, nós somos os inovadores. A gente está gerando desenvolvimento, emprego — afirma. 

Durante a pandemia, Maurício, que também dá aulas na Escola Livre de Artes de Florianópolis, promoveu um evento online com a participação de 40 músicos de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro, Mato Grosso, Amapá e da Itália. O “Encontro de Câmara & Cordas Floriparte” foi parcialmente financiado pela Associated Chamber Music Players (Associação de Músicos de Câmara, em livre tradução). 

O evento, contudo, não teve apoio financeiro local, o que multiplicaria o valor doado pela instituição norte-americana. Mesmo assim, Maurício acredita que o modelo pode ser replicado para demais eventos culturais e para o ensino musical, por exemplo, desde que seja conduzido por profissionais capacitados.

— O grupo virtual pode se encontrar de maneira semelhante ao que seria no presencial. Como aulas e ensino de música é uma opção muito boa. Nós vamos ter um verão que as pessoas vão estar dentro de casa pelos níveis de contaminação, então seria uma solução boa — comenta.

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