Almir Vieira (PP) será afastado do cargo por 180 dias. A decisão da Vara Estadual de Organizações Criminosas saiu na tarde desta quarta-feira (11). A defesa do vereador já tinha conhecimento da informação no começo da noite, mas aguardava a notificação pelo oficial de justiça. O parlamentar é alvo de uma investigação da Polícia Civil que apura a prática de “rachadinha”, corrupção e lavagem de dinheiro.

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Almir chegou a ser preso durante a operação, no dia 3 de fevereiro, mas foi solto na mesma data, logo após a audiência de custódia. A Polícia Civil pediu, então, o afastamento cautelar do vereador do cargo até a conclusão do inquérito. A 14ª Promotoria da Moralidade Administrativa deu parecer favorável à solicitação e agora a Justiça acatou. Com isso, o suplente deve assumir o cargo.

A defesa de Almir disse que aguarda a Polícia Civil concluir o inquérito, que tramita em segredo de justiça, para poder fazer a ampla defesa do vereador. Disse, ainda, que tão logo isso ocorra, vai recorrer da medida cautelar que determinou o afastamento do parlamentar da Câmara de Blumenau (confira abaixo a nota na íntegra).

Almir não compareceu às sessões deste ano. A primeira delas ocorreu no dia em que o vereador foi preso em flagrante com R$ 30 mil em casa, de acordo com a Polícia Civil. Depois, ele apresentou um atestado de 15 dias, atualmente em vigor, alegando problemas de saúde.

Nesta quinta-feira (12) os vereadores devem votar se concordam ou não em receber a denúncia feita na última semana pelo ex-promotor de Justiça Odair Tramontin (Novo), que acusa Almir de quebra de decoro parlamentar. Para a denúncia avançar, é necessária maioria simples – ou seja, ao menos oito dos 15 votos possíveis.

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O que diz a defesa de Almir Vieira

O afastamento determinado pela Justiça será cumprido com serenidade e absoluto respeito às instituições. Quem não deve, não teme, e é justamente por confiar na Justiça que se aguarda com tranquilidade a completa apuração dos fatos.

Assim que concluído o trabalho da autoridade policial e garantido o acesso integral ao inquérito, todos os esclarecimentos serão apresentados de forma ampla, transparente e definitiva.

É preciso deixar claro: não houve qualquer prática ilícita. Ao contrário do que vem sendo divulgado, não existem “altas somas de dinheiro”. A quantia encontrada tem origem certa, lícita e plenamente comprovável.

O único incremento patrimonial recente decorre exclusivamente de herança regularmente recebida e da venda formal desses ativos, tudo devidamente documentado.

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Lamenta-se a tentativa de construção de narrativa precipitada, com julgamentos antecipados e exploração política de um momento que exige responsabilidade. O devido processo legal, com contraditório e ampla defesa, não é um detalhe, é garantia constitucional.

A confiança na Justiça permanece inabalável. E espera-se que aqueles que hoje atacam com voracidade tenham a mesma firmeza para reconhecer seus excessos e se retratar quando a verdade for restabelecida.

A verdade não teme investigação. E será restabelecida.