A defesa de Maicol Antonio Sales do Santos, principal suspeito de matar a jovem Vitória Regina de Souza, de 17 anos, em Cajamar, na Grande São Paulo, diz que ele é inocente e que outros elementos da investigação estão sendo deixados de lado pela polícia. O corpo da adolescente foi encontrado em área de mata no dia 5 de março. Com informações da Folha de S. Paulo

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Durante o depoimento, o suspeito afirmou que os dois haviam ficado juntos uma vez e que a jovem ameaçava contar à esposa dele sobre o relacionamento. Ainda segundo o suspeito, ele foi agredido pela adolescente após uma discussão e, em resposta, desferiu dois golpes de faca que a mataram. A perícia, porém, constatou três ferimentos. Vitória desapareceu no dia 26 de fevereiro e foi encontrada em uma área de mata de Cajamar.

Para a Polícia Civil, Maicol é o único e o principal suspeito de matar Vitória. Em conversa com a Folha, o advogado Arthur Perin Novaes refuta a versão. Segundo ele, o suspeito teria relatado que naquela noite arrumou o banco da motocicleta de um amigo. Ele chegou a sair para buscar grampos para concluir o reparo e depois assistiu ao jogo do Corinthians. Em seguida, o homem mandou uma mensagem para sua esposa e dormiu. 

— O Maicol foi ouvido duas vezes na polícia, em momento algum denotou qualquer participação. Na sua confissão, na qual não estavam presentes os advogados, foi apresentada uma versão, não sei se foi dada por ele ou se foi dada pela Polícia Civil, eu não estava presente. E nesse ato ele diz que teve a participação. A defesa não reconhece, foi um interrogatório absolutamente nulo — relata o advogado.

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Segundo Perin, Maicol não morava junto com a esposa, mas estava para se mudar para uma casa nova em breve. Para o advogado, o suspeito negou ter tido relacionamento anterior com Vitória, mas que “a reconhecia de vista”. 

— É um bairro muito pequeno, então é natural que todo mundo se conhecia de vista, mas nenhum contato grande com ela. 

Relembre o caso Vitória

Investigação

A defesa ainda afirmou que os investigadores podem ter deixado de lado outros atores que estiveram próximos de Vitória no dia em que ela desapareceu. 

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“Na noite que ocorreu a tragédia da Vitória, ela veio a mandar uma mensagem para uma amiga, falando que havia dois rapazes no ônibus e ela estava com muito medo. Esses dois rapazes sequer foram ouvidos de uma forma bem feita […] Também, três rapazes num carro, perto do ponto de ônibus em que ela desceu, mexeram com ela, isso ficou registrado”, diz a defesa. 

Em depoimento à polícia no dia 3 de março, antes de o corpo ser encontrado, o trio falou que viu a adolescente no ponto de ônibus por volta de 23h30min e afirmou que não conheciam ela. Eles falaram que um deles teria achado a jovem bonita e feito um elogio. O grupo teria ido um pouco mais adiante com o carro e retornado, para que o mesmo homem conversasse com Vitória, o que não ocorreu por ele ter ficado com vergonha. 

A defesa ainda demonstrou incômodo com a coletiva de imprensa realizada pelos delegados Luiz Carlos do Carmo e Fabio Lopes Cenachi, que anunciaram no dia 18 que o preso havia confessado. Na ocasião, Maicol foi chamado de “Jack”, gíria para estuprador, o que poderia colocar a vida do suspeito em risco, segundo Perin. Exame realizado pela Polícia Técnico Científica afastou a possibilidade de Vitória ter sofrido violência sexual ao ser morta. 

“Não estou falando se Maicol é culpado ou inocente, o que cabe à Justiça [julgar]. Estou aqui para representar os melhores interesses dele e apontar, de fato, os diversos erros procedimentais em curso da investigação. Até o pai da Vitória foi tratado como suspeito, por ele não ter chorado demais no velório. Isso é um absurdo, uma família que, além de conviver com o luto, ainda tem que conviver com uma suspeita sobre a morte da própria filha”.

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A Secretaria da Segurança Pública do estado afirma que a investigação da Delegacia de Cajamar sobre a morte da jovem está sendo conduzida com “rigor técnico e dentro dos protocolos legais”. Conforme a gestão Tarcísio de Freitas (Republicanos), “todas as linhas de apuração são analisadas” e “as evidências colhidas sustentaram a prisão do suspeito”.

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