O delegado da Polícia Federal Marcelo Ivo Carvalho, expulso dos Estados Unidos na segunda-feira (20) após desdobramentos do caso envolvendo o ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ), acumulava mais de 20 anos de carreira e ocupava um posto estratégico no exterior.
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Desde 2023, ele atuava como oficial de ligação da corporação em Miami, função voltada à cooperação internacional entre autoridades brasileiras e norte-americanas.
Atuação do delegado da PF Marcelo Ivo Carvalho em Miami
No cargo, o delegado trabalhava diretamente com órgãos dos Estados Unidos, incluindo o Departamento de Segurança Interna, responsável por temas como imigração e combate ao terrorismo. Ele também atuava junto ao Serviço de Imigração e Controle de Aduanas norte-americano (ICE), coordenando ações de cooperação em investigações internacionais e temas migratórios.
A designação para a missão foi formalizada em março de 2023, com início em agosto do mesmo ano. Inicialmente prevista para dois anos, a atuação foi prorrogada em 2025 por mais um ano, estendendo a permanência do delegado no país. A missão era considerada transitória e previa, inclusive, mudança de sede.
Trajetória na PF
Com mais de duas décadas na corporação, Marcelo Ivo Carvalho ocupou cargos de destaque ao longo da carreira. Entre eles, foi superintendente da Polícia Federal na Paraíba entre 2022 e 2023 e delegado regional de Investigação e Combate ao Crime Organizado em São Paulo entre 2018 e 2021.
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Em 2016, também chefiou a Delegacia da Polícia Federal no Aeroporto Internacional de Guarulhos, uma das principais portas de entrada do país.
O que se sabe sobre a expulsão de Marcelo Ivo Carvalho dos EUA
A permanência no posto estava prevista até agosto deste ano, mas foi interrompida após decisão das autoridades americanas. Segundo informações divulgadas, o delegado foi expulso por “contornar pedidos de extradição”.
A Embaixada dos Estados Unidos no Brasil afirmou que um funcionário brasileiro foi expulso por suposta tentativa de manipular o sistema migratório americano. A declaração foi feita em referência a uma publicação do Departamento de Estado, que disse que “nenhum estrangeiro pode contornar pedidos formais de extradição ou prolongar perseguições políticas em território dos EUA”.
O comunicado também menciona a acusação de que teria havido tentativa de “estender perseguições políticas” em território americano.
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Veja fotos do julgamento que condenou Ramagem
Caso Ramagem
A decisão ocorre após o episódio envolvendo Alexandre Ramagem. O delegado participou de ações relacionadas ao caso, que envolveu prisão pelo ICE e posterior soltura de Ramagem nos Estados Unidos.
Ramagem fugiu para os EUA após ser condenado a 16 anos de prisão em setembro de 2025 pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por participação na trama golpista. Investigações da Polícia Federal indicam que ele deixou o Brasil de forma clandestina antes do término do julgamento, atravessando a fronteira de Roraima com a Guiana para evitar a prisão. Depois, ele seguiu para os EUA.
À época, a Polícia Federal afirmou, em nota, que a detenção ocorreu no âmbito de cooperação policial internacional entre autoridades brasileiras e americanas.
“A prisão decorreu de cooperação policial internacional entre a Polícia Federal e autoridades policiais dos EUA”, dizia a nota da Polícia Federal. “O preso é considerado foragido da Justiça brasileira após condenação pelos crimes de organização criminosa armada, golpe de Estado e tentativa de abolição violenta do Estado de Direito”, complementou a corporação brasileira.
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O Itamaraty disse que não vai se manifestar sobre o assunto. A PF não foi comunicada formalmente sobre a medida do governo norte-americano.









