O prédio-sede da Escola do Mar, em Canasvieiras, em Florianópolis, foi demolido pela prefeitura na manhã desta sexta-feira (17). A ação pegou a comunidade de surpresa. Segundo a Secretaria Municipal de Educação, o imóvel estava desocupado há três anos e a derrubada ocorreu por recomendação da Defesa Civil, devido ao “risco elevado de colapso”.
Continua depois da publicidade
Criada em 2008, a Escola do Mar é um projeto extracurricular da Secretaria de Educação que desenvolve atividades de preservação e conscientização ambiental marinha e costeira. São feitas atividades voltadas à navegação, visita às ilhas de Florianópolis, trilhas e caminhadas educativas. No entanto, há anos o prédio não atende mais alunos e professores, devido a problemas no telhado e à erosão pela ressaca do mar.
A demolição causou revolta na comunidade que acompanhou o procedimento na manhã desta sexta-feira (17). Neste ano, após o prédio ser interditado, foi criado o Comitê em Defesa da Escola do Mar, que começou um abaixo-assinado para pressionar pela recuperação da escola.
— Isso é um desrespeito com os trabalhadores, as crianças e toda a comunidade escolar que tinha na Escola do Mar uma referência de educação. A sede que servia como apoio para saídas de estudo, saídas de barco, agora foi abaixo — disse o vereador Bruno Ziliotto (PT), nas redes sociais.
A Secretaria Municipal de Educação alega que o prédio estava fechado há três anos e a sede do projeto foi transferida para a Rua Esteves Júnior, no Centro da Capital. Além de sofrer com problemas estruturais, conforme a prefeitura, o local onde antigamente funcionava a Escola do Mar violava o atual Plano Diretor do município, que restringe construções em áreas verdes de lazer.
Continua depois da publicidade
Nota da Secretaria
“A Secretaria Municipal de Educação recebeu recomendação técnica da Defesa Civil para a demolição integral da edificação, em razão da condenação estrutural verificada durante inspeção no local. O relatório técnico identificou patologias estruturais graves, como comprometimento severo das paredes, afundamento das fundações, cobertura deteriorada sem capacidade de sustentação e infiltração grave, com risco elevado de colapso, tornando a permanência ou utilização do imóvel inviável.
Além dos aspectos estruturais, constatou-se que a construção encontra-se implantada em área irregular, classificada no plano diretor municipal como área verde de lazer. Tal enquadramento urbanístico veda qualquer tipo de intervenção construtiva ou de requalificação do espaço, restringindo o uso da área à preservação ambiental e lazer público.
Pessoas em situação de rua estavam utilizando o espaço de maneira irregular para fazer o uso de drogas, deixando rastro de sujeira e fezes e condições de insalubridade. Dessa forma, a demolição foi a única medida tecnicamente recomendada, visando à eliminação de riscos e à conformidade com a legislação urbanística e ambiental vigente.
O prédio estava desocupado há mais de 3 anos. Por isso, não funcionava no local a Escola do Mar (EMAR). A sede da EMAR está no centro da cidade, na Rua Esteves Júnior, 280.”
Continua depois da publicidade
Leia também
As 164 cidades de SC que poderão encolher — ou crescer — com lei aprovada na Alesc

