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Saúde

Dengue em Joinville: mais de mil pessoas foram diagnosticadas com a doença em 2020

Força-tarefa está contando com apoio do Exército e da Polícia Militar para entrar em casas que viraram grandes criadouros do mosquito transmissor na cidade

27/04/2020 - 11h15 - Atualizada em: 27/04/2020 - 14h20

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Cláudia
Por Cláudia Morriesen
foto mostra agentes de saúde na frente de uma casa com muito lixo
Casas de acumuladores estão sendo o principal foco da ação para acabar com os criadouros
(Foto: )

Até esta segunda-feira (27), Joinville já havia contabilizado 1.061 moradores com dengue diagnosticados desde janeiro de 2020 na cidade. É um aumento de 5.794% em relação a todos os casos contabilizados em 2019 em Joinville: ao longo dos 12 meses do ano passado, apenas 18 pessoas foram diagnosticadas com a doença. Destas, a maioria havia contraído dengue em outros Estados e realizaram o exame quando voltaram à cidade — 14 casos eram "importados" e apenas quatro eram autóctones, ou seja, após picada do mosquito transmissor dentro do território de Joinville.

Agora, 1.036 moradores de Joinville contraíram dengue dentro da cidade em apenas 118 dias. Este número pode ser ainda maior porque, até o início do mês, eram levados em conta somente os pacientes que tinham exame positivo feito em laboratório. Ele assusta também porque está acontecendo muito rápido: há 20 dias, por exemplo, eram apenas 390 casos diagnosticados em Joinville.

Em outras grandes cidades catarinenses, os números são muito menores. Florianópolis tem apenas 530 focos do mosquito transmissor, enquanto Joinville tem 1.940 focos; e na capital do Estado eram apenas oito pacientes com a doença até 11 de abril.

Devido ao alto número de contágio na cidade, a Vigilância Epidemiológica de Joinville já está considerando também os casos comprovados em consultas médicas, a partir dos sintomas; e até mesmo os pacientes com sintomas que moram em locais onde há vários casos comprovados.

— Há ruas onde temos 50 moradores com dengue — lamenta o coordenador da Vigilância Ambiental de Joinville, Henrique Deckmann.

Proprietários não deixavam agentes entrarem nas casas

Para ele, esta explosão no número de casos se explica porque há criadouros na cidade que podem estar sendo mantidos há até cinco anos, em casas onde os agentes de endemias não conseguiam entrar porque não eram autorizados pelos proprietários. Agora, o Exército e a Polícia Militar estão acompanhando os agentes para garantir que estes focos sejam destruídos.

— Tem muitos acumuladores, e dentro dos acúmulos deles têm larvas, larvas e larvas… Estamos limpando não apenas o pátio, mas casas também de pessoas que estão vivendo no meio do lixo. Temos também muitas mansões abandonadas em Joinville, com suas piscinas a céu aberto, e lá dentro estão grandes criadouros — afirmou ele.

Ele salientou que há casas com piscinas onde o problema não está nelas, que estão bem cuidadas, mas em caixas de passagem de água, onde ela fica acumulada e vira criadouro do Aedes aegypti. Sobre os acumuladores de lixo, Deckmann foi categórico: as regras terão que mudar.

— Creio que teremos que rever em Joinville as políticas públicas de reciclados, de acumuladores. Há residências onde têm acumuladores que se dizem recicladores, e até vendem alguma coisa, mas é na rua destas casas que têm até 50 pessoas com dengue — analisa.

Como se prevenir

O Aedes aegypti tem como criadouros os mais variados recipientes que possam acumular água parada, domiciliares e peridomiciliares. Os mais comuns são pneus sem uso, latas, garrafas, pratos dos vasos de plantas, caixas d’água descobertas, calhas, piscinas e vasos sanitários sem uso. A fêmea do mosquito pode, também, depositar seus ovos nas paredes internas de bebedouros de animais e em ralos desativados, lajes e em plantas como as bromélias.

imagem mostra desenho de casa e orientações escritas de como limpar a casa
Entenda como evitar os criadouros do mosquito transmissor
(Foto: )

Como denunciar

Se você mora perto de terrenos onde acredita que pode haver focos da dengue, denuncie à Prefeitura de Joinville. A denúncia pode ser feita pelo site da Ouvidoria da prefeitura.

Entenda como ocorre a transmissão

O Aedes aegypti, mosquito transmissor do vírus da dengue, zika e chikungunya, se caracteriza pelo tamanho pequeno, cor marrom médio e por nítida faixa curva branca de cada lado do toráx. Nas patas, apresenta listras brancas. As fêmeas do mosquito necessitam do sangue humano para a maturação dos ovos. É nesse momento que pode ocorrer a transmissão das doenças (tanto da transmissão do vírus aos seres humanos, como a infecção do mosquito ao picar uma pessoa doente no período de viremia).

O Aedes aegypti vive de 35 a 45 dias, sendo que sua alimentação, reprodução e postura dos ovos ocorre durante o dia. A atividade do mosquito ocorre preferencialmente no início da manhã e final de tarde, momentos em que é ainda mais importante usar repelente na pele. Estudos tem indicado a possibilidade de que este período esteja se ampliando.

Como é a doença

A dengue é uma infecção causada por um vírus. É possível contrair a doença até quatro vezes e a chance de a doença evoluir para uma forma grave é maior nas pessoas que já tiveram a infecção anteriormente do que em pessoas que nunca contraíram o vírus.

Os sintomas são: febre, dor de cabeça, dores musculares e nas articulações, dor atrás dos olhos e manchas vermelhas na pele. A doença pode evoluir para uma forma mais grave e ocasionar sangramento na pele, mucosas, órgãos internos e até levar à morte.

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