O número de casos de estupro de vulnerável registrados na Região Carbonífera acendeu um alerta para autoridades e especialistas. Dados da Polícia Civil apontam que mais de 210 ocorrências foram registradas entre 2024 e 2025 nos 12 municípios da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (Amrec). Em Criciúma, principal cidade da região, as denúncias de violência contra crianças e adolescentes cresceram mais de 57% no período.

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Para a psicóloga policial Lilian Motta Gomes, da Delegacia de Proteção à Criança, Adolescente, Mulher e Idoso (Dpcami) de Criciúma, um dos maiores desafios no combate ao crime é desconstruir o mito de que o agressor é um desconhecido.

Segundo ela, na maioria das situações os autores são pessoas que possuem vínculo direto ou de confiança com a vítima, como pais, padrastos, vizinhos, professores ou até líderes religiosos.

Como prevenir e quais os sinais de alerta

Os dados apontam que a faixa etária de 10 a 13 anos concentra o maior número de ocorrências na região, com 85 registros nos últimos dois anos. Ao mesmo tempo, chama atenção o crescimento de 26% nos casos envolvendo crianças de zero a cinco anos entre 2024 e 2025.

As vítimas do sexo feminino representam 78% dos casos registrados. De acordo com a especialista, o agressor costuma agir de forma estratégica, aproximando-se da família e conquistando gradualmente a confiança dos responsáveis e da criança antes de iniciar a prática criminosa.

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A identificação precoce é considerada a ferramenta mais eficaz para interromper o ciclo de violência. A especialista orienta que pais e responsáveis devem estar atentos a mudanças repentinas no comportamento das crianças e adolescentes.

Entre os sinais de alerta, podem estar:

  • Alterações emocionais: medo, pânico, isolamento ou mudanças bruscas de comportamento sem motivo aparente;
  • Regressão de comportamento: retorno a atitudes de uma fase anterior do desenvolvimento já superada;
  • Sinais físicos: marcas de agressão ou indícios de infecções sexualmente transmissíveis.

A psicóloga ressalta ainda que não é necessário haver contato físico para que o crime de abuso seja configurado. Situações como forçar a criança a assistir a conteúdos pornográficos ou produzir fotos e vídeos de cunho sexual também são consideradas formas de violência.

Como denunciar suspeitas de abuso infantil

Casos de violência ou suspeitas de abuso contra crianças e adolescentes podem ser denunciados de forma gratuita e anônima por diferentes canais. As informações são analisadas e encaminhadas aos órgãos responsáveis para investigação e proteção das vítimas.

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  • Disque denúncia 181: Mantido pela Polícia Civil de Santa Catarina, o serviço recebe denúncias anônimas sobre crimes. O atendimento funciona 24 horas por dia e as ligações são gratuitas. Após o registro, as informações são avaliadas por policiais civis e encaminhadas ao setor responsável para apuração;
  • Disque 100: O Disque Direitos Humanos, conhecido como Disque 100, é um serviço do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania que recebe denúncias de violações de direitos humanos, incluindo casos envolvendo crianças e adolescentes. O atendimento funciona 24 horas por dia, todos os dias da semana, inclusive feriados, e pode ser feito gratuitamente através de qualquer telefone;
  • Delegacias especializadas: Também é possível procurar diretamente uma Dpcami. Nessas unidades da Polícia Civil, as denúncias são registradas e as vítimas recebem atendimento especializado, com encaminhamento para investigação e medidas de proteção quando necessário.