O derretimento de gelo na Antártida pode trazer uma série de consequências como inundações na costa de Santa Catarina, devido ao aumento no nível do mar e ao aquecimento na água do oceano. Conforme o Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo dos Estados Unidos (NSIDC, em inglês), o gelo marinho que contorna a Antártida atingiu o menor nível da história durante o inverno, gerando um novo alerta nessa segunda-feira (25) sobre o impacto das mudanças climáticas.

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Conforme o NSIDC, as placas de gelo atingiram seu pico em 10 de setembro, quando cobriam 16,96 milhões de quilômetros quadrados. Esta é a menor máxima para um inverno desde o início da medição por satélite, que ocorreu em 1979.

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Ainda segundo o órgão, houve uma queda de aproximadamente 1 milhão de quilômetros quadrados a menos que o recorde anterior de 1986.

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Segundo o professor do curso de Oceanografia da Univali, Mauro Michelena, o degelo é uma consequência das mudanças climáticas atuais. Com isso, a água é transportada aos oceanos, o que causa impacto nas áreas costeiras.

— Ela pode causar uma elevação do nível do mar, que é gradual, não é uma coisa instantânea. Outro impacto muito importante é uma água mais quente, que expande o volume de água e também vai subir em todo o planeta — explica.

As últimas projeções, segundo o especialista, é de que o nível do mar suba até meio metro em 50 anos. Porém, a ação depende da quantidade de gás do efeito estufa que será introduzido na atmosfera pela população.

Degelo pode levar a ressacas e erosão na costa

Outro ponto apontado pelo especialista é que o degelo também pode ter ligação com alagamentos em áreas que não eram atingidas pelo fenômeno, causando a erosão costeira, desestabilizando a composição das praias. Ele também alerta que o aquecimento global causa outros danos, como a intensificação das ressacas.

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— Com isso há ondas mais altas, que vão ocorrer mais vezes e vão ser mais intensas. Isso vai causar a retirada da areia, caracterizando a erosão costeira, que é um problema bem grave — pontua.

Outra preocupação apontada por Michelena é com a biodiversidade marinha. Isto porque, com o aumento do nível do mar e aquecimento dos oceanos, a vegetação e o comportamento dos animais também é modificado, o que traz danos também para o setor econômico.

— Uma pesquisa de um aluno aqui da universidade verificou a mudança na distribuição dos peixes que são pescados, o que impacta o setor econômico e social. As ressacas também trazem o impacto de que os pescadores acabam ficando menos tempo no mar, impedindo que eles pesquem e impactando na renda — avalia.

Já os pesquisadores do NSIDC apontaram que as mudanças podem impactar na reprodução dos pinguins, que usam o gelo marinho para a criação dos filhotes.

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O professor Mauro Michelena alega que a única forma de diminuir a intensidade é neutralizar a emissão dos gases de efeito estufa.

— Nos padrões atuais vai seguir aquecendo a atmosfera e com isso vai aumentando o degelo na Antártida. Isso é muito preocupante porque um efeito mais agudo pode ter uma desregulação do clima terrestre completo. No momento que impacta a densidade da água, isso interfere em toda a circulação oceânica, e pode ser catastrófica — sintetiza.

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