A Justiça determinou o bloqueio de R$ 120 milhões de um grupo criminoso suspeito de montar um esquema de lavagem de dinheiro obtido com crimes no Rio Grande do Sul. Nesta quinta-feira (16), a operação policial Turrim Lavare, que mira a organização, cumpre 209 medidas cautelares, sendo que duas são em cidades catarinenses.
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Até o momento, foram feitas 48 prisões, segundo a Polícia Civil. Uma delas ocorreu em Florianópolis, onde os bairros Carianos e Cachoeira do Bom Jesus foram alvos, e a outra em Vargem Bonita, cidade do Oeste catarinense. As demais prisões ocorreram no Rio Grande do Sul.
Investigação durou um ano e resultou em 209 medidas cautelares
Após um ano de investigação, foram deferidas 209 medidas cautelares. Entre elas estão 68 prisões preventivas, 74 bloqueios de contas bancárias, seis sequestros de imóveis — dois deles localizados em Santa Catarina —, 20 veículos com ordem de indisponibilidade via Restrições Judiciais Sobre Veículos Automotores (RENAJUD), além de quatro automóveis com mandado de busca e apreensão/sequestro. O total de bens soma cerca de R$ 2 milhões, segundo estimativa da polícia.
Ainda, foram autorizadas judicialmente 37 ordens de busca e apreensão em residências, distribuídas em 19 municípios de dois estados, Santa Catarina, com três municípios, e Rio Grande do Sul, com 17: Novo Hamburgo (5), Campo Bom (2), Três Coroas, Lajeado, Gravataí, Alvorada, Capão Novo, Tramandaí, Novos Cabrais, Porto Alegre (bairro Lomba do Pinheiro), Torres (6), Esteio (3), Canoas (3), São Leopoldo (3), Sapucaia do Sul, Portão (2) e Montenegro.
A investigação aponta que o dinheiro lavado era resultado do comércio de drogas e era usado para a aquisição de imóveis, bem como de veículos.
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Movimentações eram feitas por contas de idosos e casas lotéricas
— As movimentações no sistema bancário eram mediante dissimulações estruturadas, pulverizações, smurfings, fracionamentos, triangulações, uso de contas de idosos, contas de passagem (depósitos e saques rápidos), uso de casas lotéricas — explicaram os delegados Adriano Nonnenmacher e Rafael Liedtke.
O dinheiro circulava entre membros do grupo criminoso que atuavam como chefes, gerentes e operadores, de acordo com a Polícia Civil. A maior parte deles tinham antecedentes policiais por tráfico de drogas, homicídio e roubos.
— Eram valores milionários, demonstrando a expertise para evitar detecções dos órgãos fiscalizadores — contam os delegados.
Grupo já havia sido alvo de operação em 2023
Em 2023, uma operação contra o grupo criminoso foi feita e 53 pessoas foram presas, entre empresários, comerciantes e um advogado. Na época, foram apreendidas 21 armas de fogo, além de drogas.
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A investigação descobriu, ainda, uma ligação dos membros com homicídios cometidos no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. O grupo também seria responsável por ameaças contra autoridades policiais.
A Polícia Civil catarinense foi procurada pela reportagem do NSC Total para saber quais assassinatos seriam esses, mas não retornou até a última atualização da matéria.
A ação é resultado da atuação específica da Polícia Civil do Rio Grande do Sul, através do DENARC/DRLD, com apoio operacional de outras unidades da instituição, além da Polícia Civil de Santa Catarina e do Ministério da Justiça, através da Secretaria de Operações Integradas/DIOPI.
*Sob supervisão de Giovanna Pacheco
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