O governo federal lançou, em 29 de junho de 2026, um novo programa para renegociar dívidas de trabalhadores informais, mas a novidade estreia sem o apoio dos grandes bancos privados. O Desenrola Adimplentes oferece juros de até 1,99% ao mês para quem está com as contas em dia ou tem atrasos de até 90 dias. Por enquanto, apenas a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil aderiram à linha de crédito, limitando as opções de quem busca o alívio financeiro.

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Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a participação na iniciativa ficará a critério de cada instituição financeira. Em nota, a entidade afirmou que o potencial de adesão tende a ser limitado, já que cada banco avaliará as condições da nova linha de crédito, suas políticas internas, estratégias de negócio e critérios de análise de risco.

— A Febraban enxerga que o potencial de adesão das instituições financeiras tende a ser mais limitado. Nesse contexto, a participação será uma decisão de cada banco associado, observadas as condições da nova linha, as políticas de crédito da instituição, suas estratégias de negócio e critérios próprios de avaliação de risco — declarou a federação.

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Nos bastidores do setor financeiro, a decisão de instituições como Itaú Unibanco, Bradesco e Nubank de não aderirem ao lançamento está relacionada à necessidade de avaliar os impactos econômicos da troca de contratos que já estão sendo pagos regularmente pelos clientes.

Desenrola Adimplentes: quem pode solicitar o refinanciamento

A nova modalidade é voltada a trabalhadores informais, como autônomos sem carteira assinada, que não ocupam cargo público nem recebem aposentadoria ou pensão do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

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Para participar, é necessário ter contratado um empréstimo pessoal convencional — sem consignação —, ter quitado pelo menos quatro parcelas e possuir saldo devedor de até R$ 15 mil em cada instituição financeira.

O programa contempla tanto quem mantém as prestações em dia quanto aqueles com atraso de até 90 dias. A proposta é substituir o contrato atual por outro com juros menores, reduzindo o custo do crédito.

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Taxa máxima e prazos da nova linha de crédito

Na prática, o trabalhador contrata um novo financiamento junto à Caixa ou ao Banco do Brasil para quitar a dívida anterior. A parcela do novo contrato não poderá ultrapassar 90% do valor da prestação original, respeitando o valor mínimo de R$ 50.

O prazo de pagamento acompanha o tempo restante do financiamento anterior, podendo ser ampliado entre um e seis meses, conforme as condições da operação.

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O programa também permite contratar um valor adicional equivalente a até 50% do saldo devedor original, desde que a nova prestação permaneça dentro do limite estabelecido.

Como condição para permanecer na linha de crédito, o beneficiário terá o CPF bloqueado para utilização em plataformas de apostas online durante seis meses, medida adotada pelo governo para reduzir o risco de inadimplência.

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De onde vêm os recursos para sustentar as renegociações 

Os empréstimos concedidos pelo Desenrola Adimplentes serão financiados com recursos próprios das instituições participantes, sem utilização de recursos do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS).

O governo federal atuará como garantidor das operações por meio de um aporte de R$ 4 bilhões do Tesouro Nacional. Desse total, R$ 3 bilhões serão destinados ao Fundo Garantidor de Operações (FGO), responsável por cobrir eventuais inadimplências da nova linha de crédito.

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O R$ 1 bilhão restante será direcionado ao Fies Empreendedor, programa voltado a ex-estudantes financiados pelo Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) que estejam em dia com suas obrigações e busquem crédito para investir em microempresas.

De acordo com o Ministério da Fazenda, os recursos destinados aos programas têm natureza de despesa financeira e, por isso, não impactam o resultado primário das contas públicas.

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*Com edição de Nicoly Souza