A China dá um passo decisivo ao encaminhar o banimento de maçanetas eletricamente retráteis em novos carros. A regra determina que todos os modelos deverão contar com mecanismos de abertura acionados manualmente, mesmo em caso de falha elétrica.
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A medida resulta de anos de debate envolvendo fabricantes, órgãos de segurança e entidades de consumidores. Na prática, o país redefine o padrão mínimo para acesso às portas e coloca a segurança à frente do desenho mais limpo da carroceria.
Por que as maçanetas retráteis preocupam especialistas?
As maçanetas retráteis surgiram como solução de design e aerodinâmica, reduzindo saliências na carroceria. Com isso, muitos veículos adotaram o recurso como símbolo de modernidade, especialmente entre modelos elétricos e de maior valor agregado.
O problema aparece quando os motores que comandam essas peças deixam de funcionar após impactos. Sem energia, as maçanetas não se projetam para fora, e a porta permanece fechada. Isso pode aprisionar ocupantes e atrasar o trabalho das equipes de resgate.
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Quais falhas já foram registradas em carros com maçanetas retráteis?
Ao longo de 2024, reclamações sobre falhas nas maçanetas retráteis aumentaram significativamente. Relatos incluem portas que não abrem depois de pequenas colisões, demora para o acionamento e funcionamento irregular em condições de uso normal.
Também foram registrados problemas em baixas temperaturas, quando o mecanismo congela e não se movimenta como previsto. Esses episódios reforçaram a percepção de que o sistema não oferece confiabilidade suficiente para uso amplo.
O que dizem os profissionais de resgate sobre o risco?
Profissionais que atuam em resgates de trânsito enfatizam a importância de acesso rápido ao interior de um carro acidentado. Em cenários de incêndio ou de risco de explosão, a possibilidade de abrir a porta em poucos segundos pode definir o desfecho do atendimento.
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Nessa linha, a ADAC registrou: “Na resgate de passageiros de um veículo envolvido em acidente, é fundamental que profissionais de primeiros socorros consigam abrir o automóvel de forma rápida e simples. Ainda mais importante é quando o veículo está em chamas. Maçanetas retráteis podem tornar essa tarefa consideravelmente mais complicada e demorada”.
Quais montadoras terão que se adaptar?
Diversas montadoras globais incorporaram maçanetas retráteis em seus portfólios. Entre elas estão BMW, Ford, Jaguar, Hyundai, Mercedes-Benz e Tesla, além de várias fabricantes chinesas, sobretudo em modelos elétricos.
A popularização do recurso fez com que carros de diferentes faixas de preço passassem a exibir o mesmo tipo de solução. Com a nova regra, todas essas empresas precisarão revisar projetos e cronogramas de atualização de modelos.
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Quais alternativas estão sendo desenvolvidas pelas fabricantes?
Para manter o apelo visual, fabricantes buscam alternativas que combinem estética e segurança. Uma frente é o desenvolvimento de maçanetas que permanecem alinhadas à carroceria, mas contam com acionamento mecânico independente da parte eletrônica.
Algumas marcas já apresentam soluções em que a maçaneta se projeta automaticamente em caso de colisão ou perda de energia. Assim, a porta pode ser aberta manualmente por quem está dentro ou por socorristas do lado de fora do veículo.
O que mostram os testes de colisão sobre o sistema?
Testes de colisão lateral mostram que sistemas eletrônicos têm desempenho inferior em situações de impacto. Em avaliações recentes, maçanetas com comando elétrico garantiram a abertura das portas em cerca de 67% dos casos analisados.
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Já as maçanetas mecânicas tradicionais alcançaram aproximadamente 98% de sucesso na mesma condição. A diferença ajuda a explicar por que a questão deixou de ser apenas estética e passou a ser tratada como risco efetivo à integridade de motoristas e passageiros.
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