Nas conversas informais, o assunto tem se repetido: e o calor, quando vai dar as caras? Depois de um novembro marcado pelo uso de casaquinhos no começo e fim do dia, dezembro deve trazer uma mudança gradativa no tempo. É o que indica a tendência climatológica analisada pelo Fórum Climático, grupo formado por meteorologistas de diferentes instituições, entre elas a Defesa Civil e Epagri/Ciram, que se reúne mensalmente para fazer a previsão dos próximos três meses.
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No encontro de novembro, nesta segunda-feira (24), os profissionais observaram as características que devem marcar dezembro, janeiro e fevereiro. De modo geral, fatores que favorecem a formação de chuva no Estado seguem atuando ao menos até as próximas semanas. O que impede um cenário ainda mais encharcado são as características de La Niña que estão em vigor, conhecidas por diminuir o volume das precipitações no Sul.
Isso significa que dezembro vai começar com uma espécie de “8 ou 80” no tempo em SC. Uma frente fria é esperada para a próxima semana, trazendo chuva na largada do mês. Porém, já ao longo dos primeiros dias a paisagem muda e o tempo firme deve oscilar com chuvas isoladas especialmente entre a Grande Florianópolis e região Norte. Esse ponto do mapa, inclusive, destoa dos demais.
Enquanto do Oeste ao Litoral Sul a média de chuva para dezembro deve ficar abaixo do esperado para o período, entre a Grande Florianópolis e Norte a quantidade pode ficar acima do padrão para o mês. As chuvas irregulares, típicas de verão, vão marcar a estação ao longo do trimestre. Destaque para janeiro, quando extremos são mais comuns.
“Em dezembro e fevereiro, o indicativo é de menos chuva e irregularidade, em especial no Oeste e Sul do Estado, onde podem ocorrer períodos prolongados sem chuva. Em janeiro, a chuva ocorre com maior frequência e regularidade”, diz o boletim.
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Já as temperaturas devem ficar dentro da normalidade. Ou seja, os dias mais amenos vão dando lugar aos com mais de 30ºC. Um verão com cara de verão, para a felicidade de muitos — especialmente aos que gostam de curtir as férias na piscina ou no mar.
Média histórica
Em dezembro, a segunda quinzena é mais chuvosa em relação à primeira e a chuva se concentra especialmente no período da tarde e noite, em forma de pancadas passageiras, típicas de verão. A média mensal em dezembro é de 130 a 150 milímetros no Meio-Oeste, Serra e Litoral Sul e varia de 150 a 190 milímetros nas demais regiões catarinenses. Nos meses de janeiro e fevereiro a média mensal é de 200 a 230 milímetros na Grande Florianópolis e Litoral Norte, e varia de 130 a 190 milímetros do Extremo Oeste ao Litoral Sul.
La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água no Oceano Pacífico, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
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O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Normalmente, o El Niño perde força, a temperatura no oceano volta ao “normal” — o chamado período de neutralidade — e gradativamente vai ficando mais fria, entrando no La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.
Para a ciência são necessários cinco meses consecutivos com a temperatura da água abaixo de -0,5ºC para que haja uma La Niña. Como esse tempo ainda não ocorreu, é por isso que se fala em uma “quase” La Niña, pois as temperaturas estão negativas e trazem impactos, mas ainda não há a formação oficial.
Os modelos indicam que o fenômeno, de fraca intensidade e duração, deve persistir ao menos até fevereiro de 2026.

