“O gol será ajudar as pessoas infectadas”, diz cientista catarinense sobre soro contra a Covid-19

Formada em Farmácia e Bioquímica, Ana Marisa Chudzinski Tavassi atualmente dirige o Centro de Desenvolvimento e Inovação (CDI) do Instituto Butantan, em São Paulo

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Ana Marisa Chudzinski Tavassi no Instituto Butantan, em São Paulo (Foto: Rafael Simões, Divulgação)

Ainda menina, Ana Marisa caminhava pelas estradas de chão do povoado Felipe Schmidt, a 40 quilômetros do Centro de Canoinhas, no Planalto Norte, carregando um sonho inusitado para uma menina do meio rural catarinense, o de fazer remédios. A fantasia aumentava quando olhava para as prateleiras do armazém da família, onde eram guardados fracos com extratos fitoterápicos, comprimidos, homeopatias, desinfetantes para ferimentos.

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Tinha outra coisa que Ana Marisa gostava de sentir bem de pertinho, o cheiro da pequena farmácia do vilarejo. 

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– Eu sempre quis fazer remédios para curar pessoas – conta a pesquisadora científica Ana Marisa Chudzinski Tavassi, formada em Farmácia e Bioquímica e que atualmente dirige o Centro de Desenvolvimento e Inovação (CDI) do Instituto Butantan, em São Paulo.

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Um dos projetos em andamento que Ana Marisa se dedica é o do desenvolvimento do soro anti SARS Cov-2, específico para neutralizar os efeitos do coronavírus, e elaborado a partir do plasma de cavalos: 

– Estamos finalizando a documentação para submissão à Agência Nacional de Vigilância Epidemiológica (Anvisa) que avaliará se podemos iniciar os testes em pacientes. O gol será o soro ajudar as pessoas infectadas a não evoluírem para uma doença grave, ou até impedir que o mal progrida, dependendo da fase em que elas receberem a soroterapia – explica a cientista.

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Ana Marisa é uma mulher muito envolvida com o trabalho. No CDI, por exemplo, são 12 laboratórios com vários pesquisadores, muitos colaboradores e estudantes de pós-graduação e pós doutorandos. A função dela é avaliar, estimular, sugerir e direcionar projetos com potencial de inovação na área da saúde, no sentido de alcançar resultados que permitam a transferência de tecnologia.

Mas quem ajudou a menina do interior catarinense a se tornar uma das cientistas de maior referência no país? Ana Marisa acredita que o avô, Mieceslau Staszkowian, teve grande influência na escolha da profissão. Ele era um estudioso de ervas e se encarregava de classificar diferentes plantas e secá-las para enviar a um laboratório, que fazia o extrato que depois seria vendido no armazém.

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Em casa, o descendente de imigrantes poloneses Mieceslau tinha livros com ilustrações, nomes científicos e recomendações para uso em diferentes patologias. Ana Marisa ficava impressionada com o que lia. 

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– Eu me envolvia muito com esta atividade dele e sabia que aquelas ervas seriam transformadas em remédios, e tinha grande curiosidade sobre como seria o processo de transformação até serem usadas para curar enfermidades.

“O saber é a maior riqueza que se pode ter, arma capaz de romper barreiras”

Aos 10 anos, Ana Marisa foi morar em União da Vitória (PR), na divisa com Porto União. À medida que crescia, aumentava o sonho de estudar numa grande universidade. A mais próxima era a federal do Paraná, em Curitiba. Por sorte, conhecidos da família a acolheram. Ela conta que mergulhou nos estudos, o que a ajudou a atenuar a saudade de casa e dos amigos.

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Ana Marisa lembra que no campo da ciência existem muitas mulheres se sobressaindo em temas de grande importância, assumindo postos importantes em projetos e também na formação de pessoal: 

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– Há claramente uma movimentação no sentido de as mulheres assumirem posições antes sob maior domínio masculino. Isso é resultado do sucesso obtido. Trata-se de uma questão de acesso, de preparo, de treinamento e de oportunidades. As dificuldades existirão, mas se a meta for clara sempre se encontra uma maneira de superá-las. O saber é a maior riqueza que se pode ter e é a maior arma capaz e romper qualquer barreira, seja social, econômica ou de gênero – sustenta Ana.

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