O brasileiro precisou trabalhar até 29 de maio de 2026 apenas para pagar impostos. A data marca os primeiros 150 dias do ano destinados ao recolhimento de impostos cobrados pelos governos federal, estadual e municipal, segundo levantamento do Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT).

A partir de 30 de maio, de acordo com a metodologia do estudo, a renda gerada passou a ser direcionada ao consumo, poupança ou investimentos do próprio contribuinte.

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Impostos abocanham quase 40% de tudo o que o brasileiro ganha 

O IBPT estima que a carga tributária corresponda a quase 40% da renda média do brasileiro em 2026. A cada R$ 100 ganhos ao longo do ano, cerca de R$ 40 foram destinados ao pagamento de tributos.

O cálculo considera os impostos incidentes sobre salários, consumo de bens, patrimônio e serviços, abrangendo cobranças realizadas pelas três esferas de governo. Na avaliação do instituto, o resultado mostra o peso dos tributos no orçamento das famílias, especialmente em um cenário de inflação elevada e aumento do custo de vida. 

O tempo gasto pagando impostos quase dobrou desde 1980

O levantamento também mostra a evolução histórica do chamado Dia da Liberdade Tributária. Em 1986, eram necessários 82 dias de trabalho para quitar a carga tributária anual.

Quatro décadas depois, o período chegou a 150 dias. Segundo o IBPT, o aumento acompanha a expansão da arrecadação e a ampliação da base de incidência de impostos ao longo dos anos.

Como o IBPT descobre quantos dias trabalhamos para o governo 

O Dia da Liberdade Tributária é um indicador simbólico criado para demonstrar quanto tempo o contribuinte precisa trabalhar para pagar os impostos que são cobrados durante o ano.

O IBPT cruza dados de arrecadação tributária com a renda média da população para estimar qual parcela do ano é destinada ao financiamento das despesas públicas.

O cálculo não significa que o cidadão faça um pagamento concentrado nesse período. A tributação acontece de forma distribuída ao longo do ano, seja por descontos em folha, seja por impostos embutidos em produtos e serviços.

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Estudo expõe alta carga tributária em meio à promessa de simplificação

A divulgação do levantamento acontece em meio ao avanço da reforma tributária aprovada pelo Congresso Nacional, que prevê a substituição de tributos sobre o consumo por um modelo baseado no Imposto sobre Valor Agregado (IVA), em fase de regulamentação.

Segundo o Ministério da Fazenda e parlamentares envolvidos na construção da proposta, a mudança busca simplificar regras, reduzir sobreposições de impostos e dar mais previsibilidade ao sistema de cobrança.

O IBPT não mede os efeitos da nova estrutura tributária. O estudo se limita a estimar quanto da renda média é destinada ao pagamento de impostos no ano analisado, sem projeções sobre o cenário após a implementação das novas regras.

Entidades do setor produtivo, como a Confederação Nacional da Indústria (CNI) e a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), afirmam que a carga tributária segue como um dos principais fatores de pressão sobre consumo, investimentos e atividade econômica.

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