A possível nova crise dos combustíveis, que ameaça vários países do mundo — inclusive o Brasil — faz lembrar o ano de 2018. Em maio daquele ano, uma insatisfação com a política de preços de momento da Petrobras e com a escalada no preço do diesel fez caminhoneiros entrarem em greve e bloquearem rodovias por todo o país.

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O ano de 2018 marcava o último do mandato do presidente Michel Temer (MDB) e já era dominado pela discussão eleitoral. O então ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) estava preso há pouco mais de um mês na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, e à época o pré-candidato Jair Bolsonaro (então PSL) começava a se tornar figura mais conhecida do público em geral.

O resultado da greve dos caminhoneiros foram mudanças na tributação e nos preços do diesel nos meses seguintes e definição de assuntos que foram pauta das eleições presidenciais.

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Por que ocorreu a greve dos caminhoneiros em 2018?

  • Paridade de preços e escalada do diesel motivou paralisação.

A mobilização dos caminhoneiros de 2018 teve origem na chamada política de paridade de preços da Petrobras, adotada em julho de 2017 com o intuito de recuperar perdas financeiras da estatal e acompanhar o valor internacional dos combustíveis. O resultado foi um cenário de aumentos recorrentes, que fizeram o litro de diesel nas refinarias passar de R$ 1,50 para R$ 2,35 em menos de um ano.

O resultado foram paralisações com bloqueios de rodovias em quase todos os estados brasileiros. Em Santa Catarina, houve pontos de bloqueio sobretudo nas rodovias BR-101 e BR-470.

Quanto tempo durou?

  • A greve dos caminhoneiros ocorreu entre os dias 21 e 30 de maio de 2018.

Nos primeiros dias, houve filas em postos de gasolina que ainda tinham combustível e corrida também a supermercados pelo país. No decorrer da greve, os bloqueios afetaram também a operação de aeroportos, com cancelamento de voos e escassez de combustível.

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A maioria dos bloqueios impediu a passagem de caminhões e veículos de carga, mas permitia o deslocamento de carros e outros veículos. Caminhões com carregamentos para hospitais e serviços de saúde também tinham passagem liberada, embora em alguns casos houvesse negociação com os manifestantes.

Que consequências a greve dos caminhoneiros provocou?

  • A greve de 2018 resultou em congelamento do preço do diesel, discussão sobre política de preços e efeitos políticos.

As primeiras consequências da greve dos caminhoneiros de 2018 foi o comprometimento de serviços básicos, com falta de combustível na maioria dos postos brasileiros, cancelamento de voos por falta de querosene de aviação e desabastecimento de alimentos perecíveis em supermercados.

Superada a crise após o acordo entre caminhoneiros e governo, o movimento deixou como principais consequências uma intervenção no preço do diesel que resistiu até dezembro daquele ano. A subvenção permitiu uma redução de R$ 0,48 no valor do litro nos meses seguintes. O governo ainda cortou alíquotas de PIS e Cofins sobre o combustível, para retirar a pressão sobre o setor de transportes.

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A greve também teve como consequência a criação de uma tabela de valor mínimo para fretes pelo país, que se tornou uma reivindicação ao longo dos bloqueios. O episódio também aumentou o debate sobre a política de preços de paridade internacional da Petrobras, que acabou sendo encerrada em janeiro de 2023, com a volta de Lula à Presidência da República.

Quais os efeitos na Petrobras e na política?

  • Repercussão da paralisação dos caminhoneiros afetou mudança no comando da Petrobras

A paralisação também deixou legados na gestão da Petrobras. Ao fim da tensão, o então presidente da estatal, Pedro Parente, pediu demissão, e o comando da estatal ficou com Ivan Monteiro. Ao final do ano, com a troca de governo e o início da gestão Bolsonaro, o economista Roberto Castello Branco passou a comandar a empresa.

Por fim, o episódio deixou reflexos políticos, como o enfraquecimento do governo Temer, que acabou nem concorrendo à reeleição naquele ano e nem eleger o sucessor apoiado por ele, o ex-ministro Henrique Meirelles (à época, MDB). Além disso, abriu espaço para discursos antissistema, explorados mais tarde por Jair Bolsonaro, vencedor da eleição presidencial.

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