O Digimais, banco do bispo Edir Macedo que foi alvo da Operação Miragem, da Polícia Federal, nesta terça-feira (23) nasceu no Rio Grande do Sul e teria replicado nos últimos anos práticas temerárias análogas às do Banco Master, segundo a Polícia Federal. A instituição comandada por Daniel Vorcaro está no epicentro de uma das maiores fraudes financeiras do país, com possível envolvimento de políticos e autoridades que receberiam valores para beneficiar o Master.
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O Digimais foi fundado em 1981, em Porto Alegre (RS), sob o nome de Banco Renner, sobrenome da família que também fundou a famosa loja de roupas. Originalmente, a instituição atuava principalmente no financiamento de veículos em negócios no Rio Grande do Sul.
Em 2009, o bispo Edir Macedo, fundador da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD), entrou como sócio. Em 2020, Edir Macedo comprou toda a operação e se tornou o controlador do banco, que foi rebatizado de Digimais e teve a sede transferida do Rio Grande do Sul para São Paulo.
Com a mudança de comando, a instituição passou a oferecer também outros serviços como crédito consignado e comprar carteiras de crédito. No entanto, teria passado a enfrentar dificuldade financeira nos últimos anos.
Veja políticos citados no caso Master
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CDBs com alta rentabilidade deram sinal
A situação teria motivado a oferta de Certificados de Depósito Bancário (CDBs, títulos de renda fixa vendidos a clientes como investimento) com alta rentabilidade, de 130% do CDI, acima da média do mercado — exatamente como ocorreu com o Banco Master. A prática era adotada para conseguir atrair mais investidores, mas acabou servindo como sinal de alerta de possível risco financeiro das instituições.
A situação chegou a gerar negociações para a possível venda do banco. O ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, Maurício Quadrado, teria chegado a anunciar a aquisição em janeiro de 2025, mas o negócio foi cancelado meses depois, em razão de investigações contra Quadrado.
No fim do ano passado, sem solução para o banco, Edir Macedo designou a administração do banco a Aldemir Bendine, ex-presidente da Petrobras e do Banco do Brasil, que teria mais experiência no setor e seria responsável por sanar problemas financeiros e tentar vender o banco. A instituição também é acusada de “maquiar” balanços financeiros para esconder a situação crítica.
Tentativas de venda nos últimos meses
Nesse contexto, em abril deste ano o BTG Pactual chegou a anunciar acordo para adquirir o banco Digimais. A negociação ainda não teria sido finalizada, mas dependeria de tratativas e aprovação do Banco Central e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade).
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Após a operação desta terça-feira, informações da investigação da Polícia Federal apontaram que o Digimais teria adotado uma supervalorização de seus ativos e uma suposta geração artificial de receitas.
A operação desta terça-feira bloqueou R$ 670 milhões para garantir eventuais ressarcimentos ao sistema financeiro e aos investidores que adquiriram produtos da instituição. Nove pessoas foram alvos de mandados de busca e apreensão, todos em São Paulo, e também tiveram o sigilo bancário e fiscal retirado.
* Com informações de portal g1, Folha de S.Paulo e Estadão








