A nova fase da operação Compliance Zero, que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA), colocou mais um nome forte da política brasileira em evidência no escândalo do caso do Banco Master. O ex-governador da Bahia e o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro, foram objetos de buscas e apreensões da Polícia Federal (PF) nesta quinta-feira (18).
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O nome do petista, líder do governo Lula no Senado, junta-se ao de outros expoentes da política nacional que já foram alvos de operações na investigação que apura suspeitas sobre o Banco Master ou ao menos em conversas capturadas do celular do banqueiro, apreendidas em uma das operações.
Veja políticos citados no Banco Master
Ciro Nogueira (PP-PI)
O senador Ciro Nogueira (PP-PI), ex-ministro da Casa Civil do governo de Jair Bolsonaro, é um dos nomes mais ligados ao banqueiro Daniel Vorcaro e ao Banco Master. Ele já foi alvo de operação da PF no início de maio e é apontado como suposto beneficiário de “mesadas” de R$ 300 mil a R$ 500 mil pagas por Vorcaro. Os valores teriam somado ao menos R$ 6 milhões, segundo o que a investigação apurou até o momento. Além disso, ele teria tido viagens pagas pelo banqueiro e chegou a morar em um apartamento do empresário.
Em troca, Ciro teria atuado em favor de interesses do Master. O caso mais extremo ocorreu na apresentação de uma emenda à Constituição que buscava aumentar o limite da garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa. Na prática, isso poderia multiplicar por quatro o que investidores poderiam aplicar com a segurança de cobertura do FGC, reserva mantida pelos principais bancos do país.
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A emenda, chamada de “Emenda Master, teria sido um pedido pessoal de Vorcaro, mas acabou não sendo levada adiante. Ainda assim, cerca de um terço da reserva do FGC foi usada para reembolsar investidores que perderam valores com os títulos não honrados do Master.
Flávio Bolsonaro (PL-RJ)
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) foi outro nome dragado para o centro do caso Master ao longo do último mês. Reportagem do portal Intercept Brasil revelou áudio e mensagens em que Flávio pediria dinheiro a Vorcaro, chamando-o de “irmão”. O dinheiro, segundo Flávio, seria para custear o filme Dark Horse, sobre a vida do pai de Flávio, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a PF apura se os valores de fato foram destinados a esse fim.
Nos dias após a revelação, Flávio também admitiu que visitou pessoalmente Daniel Vorcaro dias após ele ser liberado da prisão preventiva e passado a usar tornozeleira eletrônica. Segundo o senador, a visita teria ocorrido para colocar um “ponto final” na relação. Apesar da ligação pessoal revelada, Flávio alegou que não sabia das irregularidades em que o Master estava envolvido e que os recursos buscados com o banqueiro para o filme seriam “dinheiro privado”.
Jaques Wagner (PT-BA)
O caso mais recente de político suspeito de envolvimento com o Banco Master foi o do senador Jaques Wagner (PT-BA), líder do governo Lula no Senado e ex-governador da Bahia. Alvo de operação sobre o caso no dia 18 de junho, Jaques teria amizade com o banqueiro Augusto Lima, ex-sócio de Vorcaro e que virou dono do Banco Pleno, que fazia parte do grupo do Master.
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Segundo as investigações, Augusto Lima teria adquirido uma empresa estatal da Bahia que oferecia o Credcesta, cartão de pagamentos mais tarde transformado em cartão de consignado para oferecer serviços financeiros e até saques a servidores da Bahia, em modelo mais tarde replicado a outros estados.
O negócio foi obtido a partir de privatização da estatal baiana, a Empresa Baiana de Alimentos (Ebal) durante gestão petista no Estado. Mais tarde, o serviço foi incorporado e ampliado pelo Banco Master. A PF apura possível ligação entre agentes públicos petistas do Estado e os banqueiros que estão no centro das irregularidades apuradas.
Davi Alcolumbre (União-AP)
Presidente do Senado e protagonista de um enfrentamento com o governo Lula após a rejeição do nome do advogado Jorge Messias para o Supremo Tribunal Federal (STF), em abril, Davi Alcolumbre (União-AP) também tem o nome relacionado ao banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do escândalo Master. Nesta semana, uma reportagem da revista Veja acusou o parlamentar de receber 30 milhões de dólares de Vorcaro, por meio de uma conta no exterior.
Alcolumbre negou veementemente a acusação, que encarou como “ataque pessoal e institucional”. Apesar disso, o político tinha o nome salvo como contato na agenda do telefone celular de Vorcaro e também é apontado com possível auxiliar no acesso do banqueiro ao fundo de pensão de servidores do Amapá.
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O fundo do estado do senador comprou R$ 400 milhões em títulos sem valor do Banco Master — esse investimento não tem cobertura do FGC e significou perda na reserva financeira do sistema de pagamento de aposentados do Estado.
Hugo Motta (Republicanos-PB)
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), teria voado ao lado do senador Ciro Nogueira (PP-PI) em um jatinho particular de Vorcaro, que também teria custeado a hospedagem em suítes de luxo em Lisboa (Portugal). Além disso, o deputado também teria solicitado ao banqueiro um empréstimo de R$ 22 milhões para a empresa de sua cunhada, com objetivo de compra de um terreno. Motta admite ter pegado carona no jatinho do banqueiro “de última hora”, para ir a um evento jurídico em Portugal.
À reportagem do Estadão, ele, no entanto, não respondeu se intercedeu ou não pelo empréstimo, mas defendeu que a negociação com a empresa da cunhada seguiu as normas de mercado, está dentro da legalidade e está sendo pago.
Antônio Rueda (União-RJ)
O presidente nacional do União Brasil, Antônio Rueda (União-RJ), também é apontdo como político com relações com Daniel Vorcaro. A atuação dele é investigada para identificar se ele teve influência nos aportes do fundo de pensão do Estado do Rio de Janeiro, o Rioprevidência, em investimentos do Banco Master, que acabou sendo liquidado pelo Banco Central. A exemplo do Amapá, esta aplicação também resultou em prejuízo às reservas dos aposentados fluminenses.
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Rueda admitiu que o escritório de advocacia dele prestou serviços jurídicos para o Master, mas nega irregularidades. Uma das propostas de delação premiada de Daniel Vorcaro, rejeitadas pela Justiça, citaria repasses ao escritório de advocacia ligado ao grupo político de Rueda. Ele também teria voado em embarcações de Vorcaro ao lado de Ciro Nogueira.
Cláudio Castro (PL-RJ)
O ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), também tem sua relação com Daniel Vorcaro investigada para identificar possível influência do mandatário na compra de papéis do Master por fundos de pensão dos servidores do estado fluminense. Os aportes do Rioprevidência teriam chegado a R$ 3,7 bilhões, também sem garantia do FGC, prejudicando a reserva do sistema de pagamento de aposentadorias estadual.
Castro também teria participado de uma degustação de uísque no valor de 1 milhão de dólares paga por Vorcaro, segundo mensagens do celular do banqueiro divulgadas no fim de maio. No dia seguinte, o fundo de pensão teria aportado R$ 80 milhões no Master, segundo informações do portal g1.
Ibaneis Rocha (MDB-DF)
O governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB-DF), também tem relações investigadas com Daniel Vorcaro. No caso dele, as principais interrogações envolvem a compra de títulos sem valor do Master por parte do BRB, o Banco Regional de Brasília, e, mais tarde, a tentativa de compra do Master feita pelo BRB, em negociação que acabou sendo barrada pelo Banco Central pela situação de risco já apresentada pelo Master.
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O ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, foi afastado e prepara uma delação premiada que poderia dar mais detalhes de supostos esquemas que teriam deixado um rombo de R$ 12 bilhões no banco público.
Dias Toffoli
Além de políticos, figuras do Judiciário também têm relações com Daniel Vorcaro na mira das investigações e suspeitas sobre o caso Master. O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli, inicialmente foi sorteado como relator do caso na Suprema Corte, mas deixou a função após pressão de colegas. Toffoli também teria viajado em um jatinho de Vorcaro para assistir à final da Taça Libertadores em Lima, no Peru.
Toffoli também teve o nome envolvido em transações ligadas ao Resort Tayayá, empreendimento do qual uma empresa familiar do ministro fazia parte do quadro de sócios. Toffoli nega ter recebido qualquer valor ou ser amigo de Vorcaro, mas as relações aumentaram a pressão sobre o STF para a análise dos processos ligados ao Master. Nesse ambiente, Toffoli se declarou suspeito e impedido de julgar assuntos do tema.
Alexandre de Moraes
Outro ministro do STF citado em conversas sobre o Banco Master é o ministro Alexandre de Moraes. Reportagens da colunista do jornal O Globo, Malu Gaspar, revelaram que o escritório da mulher do ministro, Viviane Barci de Moraes, teria firmado um contrato de R$ 130 milhões para consultoria de governança e compliance do banco. O valor é considerado elevado mesmo para os padrões de honorários de Brasília.
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No celular de Vorcaro, a PF também identificou conversas em que o banqueiro faria menção a encontros com Moraes e conversas no dia da prisão do empresário. Moraes negou categoricamente ter conversado ou respondido a mensagens de Vorcaro naquele dia.








