O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente nacional do partido Progressistas e ex-ministro da Casa Civil do governo Jair Bolsonaro, foi alvo de mandados de busca nesta quinta-feira (7), em nova fase da Operação Compliance Zero, que apura possíveis crimes ligados ao banco Master.
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As primeiras informações sobre o que fez a Polícia Federal chegar a Ciro Nogueira foram divulgadas na decisão que autorizou a operação, assinada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF).
Mesada de R$ 500 mil
As investigações até o momento apontam para um pagamento de mesada de R$ 500 mil ao senador. Em conversas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o primo Felipe Vorcaro, também alvo de buscas nesta quinta, os dois conversam sobre pagamentos mensais a Ciro. Em um dos diálogos, Felipe afirma estar com dificuldade de manter pagamentos a “parceiros” da empresa da família. Em resposta, Daniel Vorcaro afirma estar na Venezuela e pede que o familiar resolvesse o assunto.
- [28/01/2025] DANIEL VORCARO: “Estou na venezuela”.
- [28/01/2025] DANIEL VORCARO: “Resolve isso pra mim”.
- [28/01/2025] DANIEL VORCARO: “Eu ponho dinheiro depois para repor”.
- [30/06/2025] DANIEL VORCARO: “Cara eu no meio dessa guerra atrasou dois meses ciro?”
- [30/06/2025] FELIPE VORCARO: “Vou ver se dou um jeito aqui.. Vai continuar os 500k ou pode ser os 300k?”
Em outro trecho de conversas revelado na decisão do STF, outro intermediário de Daniel Vorcaro que faria operações financeiras para o banqueiro questiona se era para seus ajudantes “continuarem pagando conta dos restaurantes do Ciro/Flávia” — o documento não especifica quem seria Flávia, mas para a PF o diálogo mostra uma nova menção a Ciro Nogueira.
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Quem é Daniel Vorcaro
“Emenda Master”
Os valores que seriam pagos por operadores de Daniel Vorcaro a Ciro Nogueira eram destinados em troca de atuações do senador favoráveis ao banco Master, segundo a investigação. Um dos casos citados é a chamada “Emenda Master” apresentada por Ciro Nogueira a uma Proposta de Emenda à Constituição, a PEC 25/2023.
O documento propôs aumentar o valor de cobertura do chamado Fundo Garantidor de Crédito (FGC), instrumento que recebe aportes de bancos brasileiros para garantir a devolução dos valores aplicados em alguns tipos de investimentos, como Certificados de Depósito Bancário (CDB) em caso de problemas financeiros de instituições do país. Ciro sugeriu que o valor fosse elevado de R$ 250 mil para R$ 1 milhão por pessoa.
Em tese, a medida poderia multiplicar por quatro o valor a ser pago a investidores — e também o rombo do FGC em caso de uma quebra de banco, como ocorreu com o Master no fim do ano passado.
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No caso da “Emenda Master”, segundo a investigação, o texto da proposta teria sido redigido pelo próprio banco e entregue em um envelope na casa do senador. Vorcaro chegou a se vangloriar do feito após a apresentação da proposta, dizendo que o texto “saiu exatamente como mandei”. Ainda conforme a PF, os envolvidos acreditavam que a emenda poderia multiplicar por seis os negócios do Master.
A proposta de aumentar o valor do FGC não foi aprovada no Congresso, mas expôs as relações entre Ciro e o Master e chamou a atenção para os riscos da atuação do banco Master e instituições ligadas ao banqueiro Daniel Vorcaro. O empresário está preso desde março na Superintendência da Polícia Federal em Brasília.






