Incomunicáveis. É assim que a família, amigos e o colegas, e Mohammad Nezhad, de 45 anos, dono do Restaurante Persa, o primeiro restaurante com a temática iraniana em Santa Catarina, estão. Pais, irmãos, amigos e todos continuam no Irã, em meio aos ataques que iniciaram no sábado (28). Além do abalo emocional, com a falta de informações, Mohammad ainda sofre com as incertezas dos impactos da guerra com a exportação de ingredientes, já que há obstáculos logísticos para que os insumos cheguem do país até Santa Catarina.

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Mohammad, que trabalha no ramo de comércio internacional, chegou ao Brasil pela primeira vez em 2018, com o objetivo de investir em um negócio no Brasil. Entretanto, foi só em 2022 que ele se mudou definitivamente para o país, por causa da pandemia da Covid-19. Foi então que, há 10 meses, ele resolveu juntar o gosto pela culinária com a possibilidade de um bom negócio, e iniciou o Restaurante Persa em Florianópolis, no bairro Itaguaçu, na área continental de Florianópolis.

A ideia é não trazer apenas a comida do Irã para a população brasileira, mas sim fazer com que o restaurante virasse um ponto cultural, com tudo atrelado ao país de origem. Dessa forma, as receitas são originais do Irã, assim como os ingredientes também são exportados de lá. A equipe também é iraniana, além da música ao vivo.

Dos tapetes aos azulejos de decoração, tudo foi importado diretamente do Irã, o que, segundo Mohammad, diferencia o restaurante de outros que possuem essa mesma proposta de oferecer comida iraniana. O objetivo era deixar o local autêntico e único.

— Tudo vem de lá. É um ambiente diferente, como se fosse uma viagem para o Irã, para quem que quer conhecer ou entrar no restaurante e se sentir em outro lugar do mundo — disse Mohammad ao NSC Total.

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É por isso que o pouco estoque de alguns ingredientes já preocupa Mohammad. Ele conta que já está procurando outros lugares do mundo para realizar a exportação, mas sabe que isso vai sair muito mais caro do que costuma ser. Além disso, há a questão da qualidade dos produtos, já que ele quer manter o padrão do restaurante.

— Estou procurando pessoas que já exportaram do Irã, por exemplo, pela Europa, para reexportar e exportar para o Brasil, que é mais complicado, mais difícil para controlar a qualidade, porque os ingredientes que nós usamos de lá são todos de primeira linha, o melhor possível — contou.

Além disso, como os funcionários são todos de origem iraniana. Eles também possuem vínculos com o país, seja com familiares ou amigos ainda no país. Por isso, as tensões entre os Estados Unidos, Israel e Irã se tornam alvo de constantes preocupações no local.

Conheça o restaurante

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Dificuldades de comunicação com a família

Mohammed conta que a internet e todos os possíveis meios de comunicação com a família e amigos que estão no Irã foram cortados e, por isso, não está sendo fácil ter informações sobre eles. O empresário conta que, apesar de todos estarem em uma região mais afastada dos conflitos de guerra, em Masshad, ele está muito preocupado.

— Todos que estamos aqui, além de amigos que estão em outros países, estamos com o celular e sempre atualizamos as notícias para ver o que está acontecendo. Todo mundo está preocupado e é um momento bem difícil para nós — afirmou.

Algumas pessoas que passam pelo restaurante também estão perguntando sobre a situação no país, segundo o empresário.

Entenda a guerra

Os Estados Unidos e Israel atacaram o Irã na madrugada de sábado (28), com explosões registradas em Teerã e também em Isfahan, Qom, Karaj e Kermanshah. O Irã lançou mísseis contra Israel, como forma de retaliação, e atacou bases militares dos EUA no Catar, Bahrein, Kuwait, Jordânia e Emirados Árabes.

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Foram mortos o líder supremo do Irã, Aiatolá Ali Khamenei, o ministro da Defesa Amir Nasirzadeh; o chefe do Estado-Maior Abdolrahim Mousavi; o comandante da Guarda Revolucionária Mohammad Pakpour; e o Ex-presidente Mahmoud Ahmadinejad.

Veja imagens do conflito