Mesmo sem registrar casos de poliomielite há 37 anos, o Brasil vai ampliar a proteção contra a doença. A partir de 3 de agosto, crianças de quatro anos passarão a receber uma segunda dose de reforço contra a pólio no Sistema Único de Saúde (SUS), elevando para cinco o total de doses previstas no calendário nacional de vacinação.

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A mudança foi anunciada pelo Ministério da Saúde e reforça a estratégia do país para evitar a reintrodução do poliovírus. Embora o Brasil seja certificado como área livre da circulação da doença desde 1994, autoridades sanitárias alertam que o risco não está completamente eliminado enquanto o vírus continuar circulando em outros países.

“Gotinha” pela injeção e ampliação da proteção: o que mudou?

O principal diferencial da nova medida é a ampliação do tempo de proteção oferecido pela vacina. Até então, o esquema vacinal previa três doses da vacina inativada poliomielite (VIP), aplicadas aos dois, quatro e seis meses de vida, além de um reforço aos 15 meses. Com a inclusão da nova etapa, haverá um segundo reforço aos quatro anos.

Outra mudança recente foi a substituição definitiva da tradicional vacina oral, conhecida como “gotinha”, pela versão injetável. Desde novembro de 2024, todas as doses contra a poliomielite aplicadas na rede pública utilizam a VIP, considerada mais segura e alinhada às recomendações internacionais de controle da doença.

Segundo o Ministério da Saúde, a decisão foi tomada após discussão com especialistas em imunização, gestores estaduais e municipais de saúde e representantes da Organização Pan-Americana da Saúde (OPAS).

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Queda das coberturas vacionais preocupa governo

A preocupação das autoridades sanitárias está relacionada à queda das coberturas vacinais observada nos últimos anos. Embora a poliomielite permaneça endêmica apenas no Paquistão e no Afeganistão, diferentes países registram episódios de circulação de poliovírus em regiões com baixa vacinação, aumentando o risco de disseminação internacional.

A nova dose de reforço será destinada a crianças que já completaram o esquema básico e receberam a primeira dose de reforço. Para aquelas com vacinação atrasada, as unidades de saúde poderão avaliar a situação e orientar a atualização da caderneta.

A vacina contra a poliomielite é gratuita e está disponível nas Unidades Básicas de Saúde de todo o país.

E as crianças que já completaram cinco anos?

Crianças que já completaram cinco anos e receberam o esquema vacinal anteriormente não são consideradas atrasadas nem precisam retornar aos postos para receber a nova dose. A mudança passa a valer para o calendário vigente e para as crianças que ainda estão na idade indicada para a vacinação.

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Já os pequenos com menos de cinco anos que ainda não completaram o esquema vacinal devem procurar uma Unidade Básica de Saúde. Nesses casos, os profissionais avaliarão a caderneta e indicarão as doses necessárias para atualização da proteção contra a doença.

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