Há 22 anos, a família de Luciani Aparecida Estivalet Freitas, de 47 anos, passou por outra tragédia, muito parecida com a vivenciada neste mês de março de 2026, em Florianópolis. O pai dos seis irmãos também foi vítima de um latrocínio, assim como Luciani, também aos 47 anos.

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Ao NSC Total, o irmão de Luciani, Matheus Estivalet, contou que o caso aconteceu no dia 8 de fevereiro de 2004, em Canoas, cidade onde a família morava no Rio Grande do Sul. Ele contou que, na época, a morte de Lúcio Almeida Freitas, que trabalhava como motorista de uma fábrica de cimento, aconteceu após o roubo de um carro de um amigo.

Segundo Matheus, a insegurança na cidade foi um dos motivos para que ele e Luciani buscassem um local mais seguro para viver. Foi quando chegaram a Florianópolis.

Matheus conta que Lúcio sempre foi uma pessoa querida por todos, que fazia o bem sem querer recompensa por isso. Ao fazer uma postagem nas redes sociais, sobre o pai, Matheus recebeu alguns relatos sobre como Lúcio mudou a vida de algumas pessoas em Canoas como motorista, realizando o transporte para hospitais, por exemplo.

— Nosso pai foi um exemplo não só para nós, mas também para a comunidade em que vivíamos — lembra.

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Para ele, Luciani, a segunda mais velha entre os seis irmãos, também era assim: amiga de todos, confiando demais em outras pessoas. Na postagem, Matheus afirmou que as tragédias são “duas dores que marcaram nossa família, separadas pelo tempo, mas unidas pelo amor que nunca deixou de existir”.

“Gosto de acreditar que, neste momento, é ele quem a recebe no plano espiritual. Um pai acolhendo sua filha com aquele abraço que atravessa o tempo, a dor e a saudade. Um reencontro de amor, proteção e paz depois de tudo o que aconteceu”, escreveu.

Quem era Luciani

Luciani era corretora de imóveis e foi vista pela última vez na Praia dos Ingleses, no Norte da capital catarinense, em 4 de março. Ela morava em Florianópolis. Os familiares perceberam que havia algo estranho com Luciani no dia 6 de março, quando ela não entrou em contato com a mãe para desejar feliz aniversário:

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— Ela nem um momento entrou em contato com a nossa mãe, tava reclusa nos grupos e a minha irmã mandou uma mensagem para ela e começou a ligar porque minha irmã achou estranho. E aí ela mandou a mesma coisa para mim “correria aqui” e mandou uma figurinha, energias positivas. A minha irmã nunca foi de mandar a figurinha e nem aqueles emoji. Ou ela manda um áudio ou ela escreve e manda digitado.

boletim de ocorrência foi registrado apenas na segunda-feira (9), após a família desconfiar de erros gramaticais em mensagens enviadas pelo celular da corretora. Em uma delas, o contato da corretora disse que estava bem, mas que estaria sendo perseguida por um ex-namorado.

Dias depois, em 11 de março, um corpo esquartejado foi encontrado em Major Gercino, na Grande Florianópolis. Dois dias depois, exames de DNA confirmaram que o cadáver era de Luciani.

Segundo a Polícia Civil, que investiga o caso, Luciani teria sido morta entre os dias 4 e 5 de março. O corpo permaneceu até a madrugada do dia 7 no apartamento dela, quando foi retirado e levado para uma área rural e jogado em um rio, dividido em cinco partes.

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A dona do residencial onde Luciani morava foi presa na quinta-feira (12) pelo crime de receptação após ser localizada com pertences da vítima. Segundo a polícia, diversas compras estavam sendo feitas no CPF de Luciani desde 6 de março. Um casal, que estava tentando fugir para o Rio Grande do Sul, e também é suspeito de envolvimento no crime, também foi preso. O caso é investigado como latrocínio, com roubo seguido de morte.