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"É o tipo de resposta que a gente quer incitar no organismo", explica especialista sobre efeitos colaterais

Imunologista Daniel Mansur reforça a segurança das vacinas e que benefícios superam os possíveis efeitos colaterais

01/05/2021 - 06h04

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Mayara
Por Mayara Vieira
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Vacinação contra a Covid-19 segue em Santa Catarina
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Se você já leu a bula de qualquer remédio certamente encontrou a parte que contém a pergunta: “Quais males este medicamento pode causar?”. Os “males” são os chamados efeitos colaterais, reações que podem aparecer, mas que não superam o benefício da cura, do tratamento ou da prevenção e, por isso, são tolerados pelos órgãos reguladores.

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No caso das vacinas, os efeitos colaterais também são previsíveis e monitorados em todas as etapas de estudo clínico. Os imunizantes Oxford/AstraZeneca e Coronavac podem gerar no organismo efeitos colaterais semelhantes. Os mais comuns são: dor no local da aplicação, dor de cabeça, enjoo e cansaço. A moradora de Florianópolis, Maria Borges Marinho, 66 anos, sentiu quase todos eles dois dias depois de tomar a primeira dose da vacina da AstraZeneca. 

– Acordei com uma forte dor de cabeça, muito forte mesmo e continuei com essa dor de cabeça no dia seguinte o dia inteiro. No outro dia, comecei a sentir muita dor no estômago, enjoada e sem apetite. Depois, no terceiro e último dia de sintomas, senti uma fraqueza muscular, mas do quarto dia para frente já fui ficando bem – conta ela. 

O doutor em microbiologia pela UFMG e pós-doutor em imunologia pelo Imperial College London e Universidade de Cambridge, Daniel Mansur, explica que as três fases de estudos clínicos das vacinas contra a Covid-19 sempre olharam para eficácia e segurança. Na 1ª fase, os testes são feitos em um grupo de até 100 pessoas, na 2ª, até 1 mil e na 3ª em milhares de participantes.

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Maria Borges Marinho, 66 anos, sentiu alguns efeitos colaterais leves depois de tomar a primeira dose da vacina contra a Covid-19
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Segundo Mansur, a vacina faz o corpo pensar que foi infectado pelo vírus e começa a trabalhar na proteção do organismo como se estivesse com a doença:

– Nosso sistema imune vai responder a essa vacina, então ele vai liberar os mesmos tipos de mediadores inflamatórios, os mesmos tipos de sinais que uma infecção, mas ela não vai progredir porque ali não tem o vírus, só tem um dos componentes dele. Então, isso não vira uma doença, mas esses sintomas são muito parecidos porque é o tipo de resposta imune que a gente está, de fato, querendo é incitar na pessoa, fazer com que a pessoa responda a essa vacina.

A bula da Oxford/AstraZeneca não cita quantos dias após a aplicação os efeitos colaterais podem aparecer, mas especifica que no caso de sintomas leves a moderados, eles desaparecem em até sete dias.

A bula da Coronavac informa que os estudos mostraram que reações podem surgir até uma semana após a aplicação.

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A Diretoria da Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (Dive-SC) não informou quantos casos entre os vacinados no Estado tiveram algum tipo de reação, mas garantiu que a maioria dos casos notificados são comuns e de leve a moderada intensidade, com o aparecimento de dor no local da aplicação como principal queixa. Todos são registrados em uma plataforma do Ministério da Saúde para investigação.

O imunologista, Daniel Mansur, reforça que o mais importante é que os benefícios superam qualquer efeito colateral:

– Definitivamente, os males causados pela Covid-19 são infinitamente maiores do que qualquer efeito colateral q ue você possa ter, que vai ser rápido e na grande maioria vai se resolver num tempo muito curto.

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Maria está ansiosa para que o mês de julho chegue logo. É quando completa três meses da primeira dose da vacina:  

– Não precisei de hospital por causa de uma vacina, imagina você precisando de um leito por causa do coronavírus e morrer na fila. Deus me livre! Entre uma coisa e outra, 100% tomar uma vacina, seja ela qual for, né? – finaliza ela.

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