O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta terça-feira (12) a revogação da chamada “taxa das blusinhas”, nome que ficou famoso em 2024, quando o governo decidiu taxar importações sobre as encomendas internacionais com valores abaixo de US$ 50.

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Dentro do governo, a taxação era tida como um dos piores erros cometidos nesse período. Segundo pesquisas internas, a rejeição chegava a 70%. O varejo nacional se pronunciou e criticou a medida do governo em anular a taxação e a chamou de “grave retrocesso econômico”.

O que especialistas apontam

A decisão do Poder Executivo, segundo informações de dentro do Palácio do Planalto publicadas pelo G1, pode ter esbarrado em questões eleitorais e não propriamente econômicas. Com a alta rejeição popular sobre a “taxação das blusinhas”, como ficou conhecida, qualquer mudança visando a popularidade pode se reverter em votos.

Números do governo mostram que a taxação de 20% sobre essas mercadorias rendeu, nos quatro primeiros meses de 2026, cerca de R$ 1,78 bilhão em impostos. Para se ter ideia, comparado ao mesmo período do ano passado, 2025, o aumento é de cerca de 25%.

A decisão do presidente Lula de anular a taxa, que contraria os números, pegou o varejo brasileiro despreparado. Segundo especialistas como Marcos Praça, diretor de análise da ZERO Markets Brasil e Rogério Ceron, secretário-executivo do Ministério da Fazenda os efeitos da medida já poderão ser sentidos nos próximos dias.

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Varejo nacional fala em “ataque direto” ao setor

O que também não demorou foram as declarações de varejistas e entidades da indústria. A Associação Brasileira do Varejo Têxtil (Abvtex) chamou a medida de um “grave retrocesso econômico” e um “ataque direto à indústria e ao varejo nacional”.

“É inadmissível que, enquanto o setor produtivo nacional enfrenta uma das maiores cargas tributárias do mundo, juros elevados, custos operacionais crescentes e um ambiente regulatório extremamente complexo, empresas internacionais continuem recebendo privilégios artificiais para avançar sobre o mercado brasileiro”, afirmou a associação.

A Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (FIEMG) chamou a atenção para a concorrência desigual e alertou para os impactos nos pequenos e médios negócios.

O manifesto feito em abril por cerca de 53 entidades da indústria contra o fim da taxação indagou que, após a implementação da taxa, 12% dos consumidores deixaram de comprar em plataformas estrangeiras, optando pelas lojas e sites brasileiros, enquanto 36% reduziram as compras nos sites estrangeiros.

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Qual o Peso das Urnas

O ministro da Fazenda, Dario Durigan, admitiu que o fim da chamada “taxa das blusinhas” já estava em discussão dentro do governo devido ao receio de a oposição avançar sobre o tema dentro do Congresso.

“Hoje a oposição tem trazido o tema de volta. Dentro do governo, há ministros que defendem que se reveja a taxa. A gente tem que fazer um debate racional. Eu não tenho tabu em relação aos temas, desde que a gente preserve os avanços que a gente atingiu. O programa Remessa Conforme é algo de que eu não abro mão”, declarou Durigan.