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    Crise no PSL

    Eduardo Bolsonaro: "Conduta de Moisés é lamentável. Foi picado pela mosca roxa"

    Deputado federal critica governador de Santa Catarina, do PSL, e rasga elogios ao senador Jorginho Mello (PL) em entrevista coletiva em Criciúma

    08/11/2019 - 21h21 - Atualizada em: 08/11/2019 - 21h50

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    Lariane
    Por Lariane Cagnini
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    Por Upiara Boschi
    Ânderson
    Por Ânderson Silva
    Eduardo Bolsonaro em Criciúma
    Eduardo Bolsonaro confirmou possível saída do PSL e cobrou coerência de quem apoiou o presidente na campanha
    (Foto: )

    O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL) expôs com ênfase a insatisfação com o governador Carlos Moisés da Silva durante coletiva de imprensa em Criciúma, no Sul de Santa Catarina, nesta sexta-feira (8):

    — A conduta do governador Moisés tem desagradado a todos. É lamentável. Parece que a mosca roxa picou ele, e ele infelizmente acaba engrossando e ensossando o discurso da esquerda — afirmou o filho "zero três" do presidente Jair Bolsonaro.

    O deputado lamentou a soltura de Lula, ocorrida horas antes, elogiou os primeiros 10 meses do pai na presidência da República e confirmou a tendência de deixar o PSL "em breve".

    Lula solto. Como o senhor avalia essa situação?

    Um dia de tristeza para todo mundo que trabalha no Brasil. Um recado que se passa para a sociedade de que o crime compensa e de que, se você for político, você tem a certeza da impunidade. Eu lamento que estejam comemorando. Há o risco de serem soltos milhares de presos. Muitos que hoje estão comemorando a soltura do Lula vão sofrer com essa criminalidade que vai retornar à sociedade. É um grande dia para a impunidade.

    Que movimento o senhor pretende fazer no Congresso pela prisão em segunda instância? Há clima para aprovar algo nesse sentido?

    O clima exato é agora. A energia que tem de ser canalizada para esses projetos tem de ser agora. Propostas que tem no Senado e na Câmara. Inclusive, na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara, essa semana já foi antecipada pelo presidente Felipe Francischini que vai ser pautada a relatoria da deputada Caroline de Toni da PEC 410 de 2018, para que ocorra o mais rápido possível. Isso daí visa a reduzir os danos. Não é possível que o Brasil seja o único país do mundo em que o bandido pode recorrer até a terceira instância. Quantas vezes a gente já não viu, nas notícias que os senhores dão, daquele bandido que a ficha criminal dele depois de preso percorre o quarteirão inteiro? Ninguém aguenta mais isso. Às vezes, só tem um período em que esse bandido não cometeu delito: exatamente quando estava preso. Prisão funciona.

    A sociedade vai ficar mais insegura a partir do dia de hoje.

    O senhor acha que há votos para aprovar isso?

    Ainda que não existam votos de apoio, a sociedade tem o direto de saber quais deputados protegem bandidos e vagabundos.

    Qual o futuro do seu partido, do presidente Bolsonaro e de vocês, bolsonaristas, no PSL, já que por incrível que pareça existem bolsonaristas e não-bolsonaristas no PSL?

    Eu também achava que era bem claro que todos nós estaríamos juntos com nosso maior líder, inclusive com as bandeiras que elegeram Bolsonaro em 2018, que a gente seguiria com essas bandeiras no exercício de nossos mandatos. Não tem sido bem assim. Infelizmente, alguns poucos do PSL já viraram políticos padrão. E a gente acredita que o mais provável seja a saída do PSL. Se a gente vai para um partido novo a ser criado, ou se vamos migrar para outra legenda já existente, isso aí vai ser decidido, eu acredito até que em breve.

    Dizem que dia 15 seria o limite do presidente. O senhor confirma?

    Não confirmo. Isso aí foi a Veja que deu, na mesma linha da "Catanhadê" da GloboNews que quis antecipar o furo na hora da saída do ministro da educação Ricardo Vélez. Não existe uma data limite, pode ocorrer antes, pode ocorrer depois, mas eu acho que a gente tá bem perto desse momento.

    Aqui Santa Catarina há uma divisão evidente. São sete deputados, três federais e quatro estaduais, que estão na ala bolsonarista. Eles se comprometeram a seguir com você, e com seu pai, naturalmente?

    A maioria deles tem o apoio ao presidente Jair Bolsonaro, inclusive muitos deles deles aqui, Caroline de Toni, Daniel Freitas... eu acho que a maioria do apoio é esse. E aqueles que estão indo contra o presidente, e muitos deles não batem de frente com presidente por uma questão de covardia, porque não conseguem bater de frente com o presidente, visam criar uma narrativa de que o problema são os filhos, e começam a dar pancada em mim. Eles mesmos são os maiores prejudicados. Como exemplo, Joice Hasselmann perdeu mais de 300 mil seguidores nas redes sociais. Eu sigo sendo a mesma pessoa antes e depois da eleição. É muita ingenuidade você crer que vai dar a mão para Bolsonaro durante a eleição e depois de eleito mudar a sua conduta e os seus eleitores não irão cobrar. Isso não é radicalismo.

    Isso é o povo que não aguenta mais ser bobo e feito de trouxa na época de campanha

    Esse racha pode prejudicar a aprovação de outras reformas, como a tributária, sendo que a economia foi a principal bandeira da campanha?

    Os meus valores e os meus princípios não estão abaixo da economia. Cada deputado, ainda que eleito na carona do Bolsonaro, vai ter que prestar satisfação a seus eleitores. Ele vai ter que ter a consciência e a decência de votar a favor das pautas que o elegeram. Uma delas certamente é essa, da reforma tributária. Se eles quiserem votar contra só para retaliar o presidente, aí é lamentável, mas a gente vai ter que esperar quatro anos para trocar esse parlamentar. Depende deles, e quem vai fazer o julgamento são os eleitores.

    O governador Carlos Moisés da Silva disse em entrevista concedida à NSC que fica no PSL, mesmo que Bolsonaro saia. Com o senhor avalia Carlos Moisés, governador de Santa Catarina? Que informações vocês têm sobre ele?

    (risos)... O governador, ao que eu tô entendendo.... (interrompe ao ver o senador Jorginho Mello, do PL): fala Jorginho Mello! Vem para cá... rapidinho... só para citar um exemplo aqui, que não foi uma pessoa que o presidente apoiou de maneira frontal durante a eleição, foi eleito, e é o senador que mais apoia o governo dentro do Senado. Então, mais uma vez: os nossos princípios, os nossos valores, os nossos compromissos com os eleitores estão acima de qualquer coisa, inclusive do partido. Obrigado pelo apoio, Jorginho!

    E sobre Moisés?

    Sobre Moisés, é lamentável. A conduta do governador Moisés tem desagradado a todos, né?Na confecção do partido aqui em Santa Catarina, em declarações em que pese não citar o meu nome, mas dando recadinhos indiretos, então, é lamentável. Parece que a mosca roxa picou ele, e ele infelizmente acaba engrossando e ensossando o discurso da esquerda. Durante a eleição Bolsonaro falou o quê? Que não aumentaria imposto. Quando dentro do governo alguém falou em criar uma CPMF, ele cortou a cabeça. O que o governador está fazendo? Criando imposto em cima do agrotóxico, imposto verde, está se dobrando ao politicamente correto ou cerrando fileiras com aqueles que são exatamente os nossos inimigos na Câmara, o pessoal do PSOL, do PT. Então, é lamentável.

    Espero que Moisés mude essa conduta, porque a política não se faz com fígado, se faz com a cabeça.

    Existe conversa com o governador em relação a isso?

    Não cabe a mim, meu trabalho é deputado federal, tô dentro da câmara, não cabe a mim ter esse trato com os governadores.

    E quanto aos deputados que estão tentando atrair bolsonaristas raiz?

    Alguém aqui votou no Bolsonaro porque o Bolsnoaro é do PSL? Então tá respondido. Não adianta querer colocar a todo custo pessoas no PSL achando que vão receber votos.

    Sou muito mais apoiar o Jorginho Mello, que não é do PSL, do que um candidato qualquer do PSL só porque ele é do PSL.

    O senhor pode ir para o PL então?

    Não... eu citei o Jorginho Mello como exemplo, porque é um senador que eu gosto. Mas por que não? Se a gente tiver dificuldade com partido, pode sentar com Jorginho para discutir isso.

    A ala bolsonarista já tem um possível candidato ao governo em 2022 que não Moisés?

    Está cedo para falar. Vamos esperar um pouquinho a água correr embaixo da ponte e definir isso.

    Como o senhor avalia o primeiro ano do presidente?

    O balanço é o melhor possível. Bolsonaro está conseguindo retornar os empregos, está fazendo tudo que ele falou durante a campanha, como decretos flexibilizando acesso às armas, em que pese não serem ideais, são os possíveis nesse momento, vide que o Senado derrubou um desses decretos. A taxa de juros é a menor da história do Brasil, a gente tá tendo risco Brasil lá embaixo, e o investidor começa a ter confiança de investir no Brasil. A perspectiva desse ano é de crescimento perto de 1%.

    Para o ano que vem Paulo Guedes — não foi Dilma Rousseff — fala que vai dobrar a meta, então a gente pode acreditar em um crescimento de 2%.

    Décimo quarto para os prefeitos, décimo terceiro para o bolsa família, que é mais uma promessa de campanha. Retornou agora da Arábia Saudita com investimento de 40 milhões de reais principalmente para ferrogrão. Então, a parte do presidente está sendo feita. Falta os outros poderes, inclusive nós, no Congresso Nacional, junto com Jorginho Melo, que certamente vai apoiar a prisão em segunda instância, fazermos a nossa parte.

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