As condições de El Niño estão estabelecidas no oceano. Com a última medição da temperatura da água no Pacífico Equatorial indicando 0,7 graus acima da média, o número já configura o início do fenômeno, que deve se estender ao menos até o verão de 2027 e atingir a classificação “super” no final deste ano. As informações foram atualizadas nesta quinta-feira (11) pela Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (Nooa), dos Estados Unidos, uma das principais instituições do mundo no monitoramento sobre o assunto.
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No comunicado, a Nooa explicou que a elevação da temperatura começou ao longo do último mês. Cientificamente, isso ainda é insuficiente para falar na formação do fenômeno, já que são necessários cerca de seis meses consecutivos com as anomalias a partir de 0,5ºC acima da média para que haja oficialmente um El Niño. Porém, com o aquecimento estabelecido e outros fatores observados, não há mais dúvidas sobre a “chegada” dele.
No boletim desta quinta, a Nooa destacou também que as chances de haver um super El Niño estão em 63%. No texto do mês passado, o percentual era de 37%. O período do pico está previsto entre a primavera e verão (novembro a janeiro) e deve colocar este El Niño entre os maiores da história, indicaram ainda os pesquisadores norte-americanos.
Isso não significa, no entanto, os maiores estragos de todos os tempos para as regiões afetadas. Um El Niño forte apenas torna os impactos mais prováveis. Ou seja, no caso de Santa Catarina, onde as chuvas são frequentes na primavera e verão, as precipitações tendem a ficar mais intensas. Para que haja um grande desastre relacionado às precipitações, é preciso um combo entre El Niño e outros fatores climáticos e meteorológicos, explicam profissionais da área.
Alice Grimm, cientista reconhecida internacionalmente por pesquisas sobre o tema, destaca em um artigo que, apesar do El Niño deixar o Sul do país ainda mais vulnerável para chuvas extremas, oscilações oceânicas e atmosféricas que mudam semanalmente, anualmente e até em décadas precisam estar alinhadas para que o pior aconteça. Foi o que ocorreu durante a catástrofe do Rio Grande do Sul em 2024, quando houve um combo de El Niño, oscilações favoráveis e impacto das mudanças climáticas.
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Ainda assim, por precaução, o momento é de preparo. Cidades e o governo do Estado divulgaram estar adotando ações preventivas para esperar as chuvas do segundo semestre.
Inverno com condições de El Niño
Com a formação do El Niño em andamento, os impactos chegam de forma gradual a Santa Catarina. O Fórum Climático Catarinense atualizou na última reunião que as temperaturas devem seguir o padrão típico do inverno, especialmente ao longo deste mês, com a atuação frequente de massas de ar frio e episódios de queda acentuada. Em julho e agosto, a previsão é de termômetros acima da média climatológica, com dias amenos na maior parte do período.
O El Niño deixa os episódios de frio intenso e duradouro mais escassos em relação ao inverno do ano passado. No entanto, algumas massas de ar frio vão chegar ao Sul do Brasil, provocando frio mais abrangente, com formação de geada e, se acompanhadas de umidade, pode nevar na Serra.
Neste ano há chance de veranicos, com dias consecutivos acima de 30ºC. Outra caraterística da estação são os nevoeiros. Em julho e agosto, chuva próxima a acima da média, mais frequente e com totais mais elevados em curto intervalo de tempo, o que pode significar temporais com raios, granizo e ventania.
Com isso, crescem os riscos de alagamentos, inundações e deslizamentos, alerta a Defesa Civil.
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Super El Niño
Oficialmente não existe a classificação de “super El Niño”, mas o termo é usado popularmente quando o aumento da temperatura do oceano ultrapassa os 2°C acima da média, patamar considerado elevado e pouco comum, explica o meteorologista da Defesa Civil, Caio Guerra. Para se ter uma ideia, desde 1950, dos 25 episódios de El Niño, cinco tiveram registros acima dos 2ºC, mostram dados da Noaa.
O que o levantamento também indica é uma diminuição no intervalo de El Niños de forte intensidade. Entre a metade do século passado e meados do atual, foram mais de 10 anos entre um “super El Niño” e outro. Na história recente, esse tempo caiu para oito anos. E agora, se de fato o próximo aquecimento ficar acima dos 2ºC, a “pausa” será de menos de cinco anos.
As “categorias”
Fraco: 0,5°C a 1,0°C acima da média
Moderado: 1,0°C a 1,5°C acima da média
Forte: 1,5°C a 2,0°C acima da média
Muito forte: acima de 2,0°C acima da média
La Niña e El Niño
Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), o El Niño é o nome dado ao aumento na temperatura da superfície da água em um trecho do Oceano Pacífico perto do Peru, fazendo ela evaporar mais rápido. O ar quente sobe para a atmosfera, levando umidade e formando uma grande quantidade de nuvens carregadas.
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Com isso, no meio do Pacífico chove mais, afetando a região Sul do Brasil, pois a circulação dos ventos em grande escala, causada pelo El Niño, também interfere em outro padrão de circulação de ventos na direção norte-sul e essa interferência age como uma barreira, impedindo que as frentes frias, que chegam pelo Hemisfério Sul, avancem pelo país. Logo, elas ficam concentradas por mais tempo na região Sul.
O contrário, o resfriamento dessas águas, é chamado de La Niña. Os efeitos do La Niña para Santa Catarina são o oposto do outro fenômeno, já que as chuvas caem em menor volume no Estado.











