Décimo entre 11 filhos de imigrantes poloneses, Maximiliano Gaidzinski saiu de uma origem humilde, trabalhando como sapateiro, para se tornar o fundador de uma das maiores empresas de revestimentos cerâmicos do Brasil, com sede em Cocal do Sul, no Sul de Santa Catarina.
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Nascido em 20 de setembro de 1912, na então comunidade de Linha Cabral, em Cocal do Sul, mudou-se ainda jovem para Criciúma. Antes de completar quatro anos, perdeu o pai, que deixou como herança aos filhos o conhecimento do curtume de couro, atividade que foi parte do sustento da família.
Aos 13 anos, Maximiliano iniciou a vida profissional na sapataria dos irmãos mais velhos. Ao longo dos anos, também participou da fábrica de balas da família e buscou novos caminhos, trabalhando como padeiro e confeiteiro no Rio Grande do Sul em busca de melhores oportunidades.
Após se casar com Octávia, em 1938, Maximiliano passou a administrar um armazém ligado à Carbonífera Próspera, onde teve contato direto com as demandas do setor. Foi dessa experiência que surgiu seu primeiro negócio: um lavador de moinha de carvão, iniciado com dinheiro emprestado. O empreendimento deu retorno, mas ainda não era o caminho definitivo.
Nos anos seguintes, tentou diferentes atividades, de revenda de automóveis à vida no campo, em uma propriedade rural em Cocal do Sul, onde permaneceu por cinco anos. Foi apenas no fim da década de 1940, de volta a Criciúma, que encontrou seu rumo ao ingressar, ao lado dos irmãos, na fundação da Cerâmica Santa Catarina.
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Na empresa, começou como assistente e, com dedicação, aprendeu na prática o ofício da cerâmica, registrando fórmulas e processos em cadernos. Em poucos anos, tornou-se diretor-técnico. Apesar da evolução profissional, a empresa enfrentava dificuldades financeiras, e Maximiliano precisou lidar com dívidas e incertezas para sustentar a família.
Aposta arriscada foi pontapé inicial para construção da empresa
A virada viria no fim da década de 1950, quando a Cerâmica Cocal entrou em crise. Com produção deficitária e perda de confiança dos investidores, a empresa caminhava para a insolvência. Foi então que Maximiliano, já reconhecido pela visão empreendedora, recebeu a proposta de assumir o negócio.
Mesmo diante dos riscos, decidiu investir tudo o que tinha. Vendeu bens, deixou apenas a casa da família fora das negociações e apostou no projeto. Em 1959, teve sua proposta aceita.
No início de 1960, registrou a empresa que daria origem à sua maior realização: a Cerâmica Eliane, nome escolhido em homenagem à filha caçula.
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Imagens relembram trajetória de sapateiro que fundou uma das maiores cerâmicas do Brasil
Expansão industrial e referência global
Nos primeiros anos, a Eliane Revestimentos estruturou sua base produtiva com investimentos em tecnologia e modernização. Ainda na década de 1960, trouxe equipamentos importados e lançou os primeiros azulejos decorados, marcando o início de uma trajetória ligada à inovação e ao design.
A partir dos anos 1970, ampliou a produção e passou a fabricar pisos, expandindo o portfólio e a atuação industrial. O crescimento também se refletiu fora das fábricas, com iniciativas voltadas à educação e ao desenvolvimento local. Já nos anos 1980, a empresa iniciou as exportações e começou a participar de feiras internacionais, dando os primeiros passos no mercado externo.
A consolidação veio na década de 1990, com a expansão para os Estados Unidos, a aquisição de uma unidade na Bahia e, principalmente, a entrada no segmento de porcelanatos, um dos marcos mais importantes da trajetória da empresa no setor cerâmico.
A partir dos anos 2000, a Eliane acelerou o crescimento, ampliou exportações, investiu em tecnologia e diversificou produtos, reforçando também a presença no varejo e no mercado de design. Em 2018, passou a integrar o grupo internacional Mohawk, o que ampliou sua atuação global.
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Hoje, a empresa reúne unidades produtivas, centros de distribuição e uma ampla rede de vendas no Brasil e no exterior. A trajetória consolida a Eliane como uma das principais referências da indústria cerâmica, com atuação baseada em inovação, design e escala produtiva.















