Os catarinenses acompanharam atentos neste domingo (19) a eleição presidencial da Argentina, vencida por Javier Milei, em segundo turno. Afinal, muito do que acontece na terra dos hermanos impacta no Brasil. Atualmente, o país vizinho é o terceiro maior comprador dos produtos de Santa Catarina. No entanto, as propostas polêmicas para a economia assim como a oposição ao presidente Lula tornam incerto o futuro da relação econômica com o Estado, conforme analisam os especialistas.

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Javier Milei tem duas propostas de política econômica que são bastante radicais. A primeira é a dolarização da economia argentina, vista por ele como forma de resolver o problema inflacionário do país. A segunda é acabar com o Banco Central e com uma série de ministérios tradicionais.

As duas propostas geram incerteza sobre o futuro da economia argentina, assim como o do Mercosul, que impacta diretamente Santa Catarina, como explica o professor chefe do Departamento de Economia e Relações Internacionais da UFSC e doutor em Economia pela UFRJ, Daniel Vasconcelos.

— Para obter dólares, a Argentina precisa exportar ou obter empréstimos. Ela tem como parceiros comerciais importantes a China e o Brasil, mas Milei falava em campanha publicamente que não tinha interesse em manter negócios com nenhum dos dois países, por questões ideológicas. Assim, fica difícil para ele garantir um fluxo relativamente alto e estável de dólares para a economia da Argentina — aponta o especialista.

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Entre janeiro e outubro de 2023, as exportações de Santa Catarina para a Argentina geraram receita de 735 milhões de dólares para Santa Catarina, segundo dados do Observatório Fiesc. O país vizinho é o terceiro maior parceiro comercial do Estado, atrás apenas de China e Estados Unidos.

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Em campanha, Milei defendeu ainda a saída da Argentina do Mercosul. Ela é a segunda maior economia dentro do grupo, e o principal parceiro comercial do Brasil na América do Sul. Caso isso aconteça, pode afetar a relação comercial com Santa Catarina, como explica a professora de Economia da Universidade Comunitária da Região de Chapecó (Unochapecó), Cássia Ternus.

— A Argentina é o terceiro principal destino dos produtos catarinenses. Se esse produto não for para lá, teremos que buscar um novo mercado ou incorporar internamente — destaca.

A oposição ao presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, de fato, torna o futuro da relação entre os países incerta. No entanto, para a economista, a aproximação ideológica de Milei com o governador de Santa Catarina, Jorginho Mello (PL), pode favorecer o comércio entre o Estado e a Argentina. Jorginho, inclusive, estuda a possibilidade de ir à posse do presidente eleito.

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— Milei destacou que tem uma visão antagônica à visão do presidente do Brasil, Lula. Mas tem um contraponto, porque o Jorginho Mello comemorou o resultado. Essa aproximação ideológica entre o governador de Santa Catarina e Milei pode favorecer de alguma forma o comércio entre o Estado e a Argentina — aponta a economista.

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