nsc
dc

Bem-estar

Em meio ao isolamento do coronavírus, hábitos saudáveis são aliados dos grupos de risco

Evitar o sedentarismo é uma das chaves para reforçar a imunidade

19/04/2020 - 05h40

Compartilhe

Lariane
Por Lariane Cagnini
grupo de risco
Casal de Criciúma encontrou no amor pela dança uma maneira de exercitar corpo e mente
(Foto: )

Das mortes por coronavírus registradas no Brasil, 72% foram de pessoas com comorbidades como doenças do coração e diabetes. Os dados são do Ministério da Saúde e levam em conta os 1.924 óbitos confirmados até o último dia 16, quinta-feira, entre os 30.425 casos notificados da doença no país.

> Em site especial, leia mais sobre o coronavírus

Em época de isolamento social, especialistas também chamam a atenção para quem tem pré-disposição a essas e outras doenças, e reforçam os cuidados com a alimentação e hábitos saudáveis.

Cardiopatias são as comorbidades mais comuns

A maior parte das vítimas fatais são pessoas acima dos 60 anos, o que corresponde a 72% das mortes. Boa parte desse grupo também possui comorbidades, o que aumenta ainda mais o risco em relação à Covid-19. Além de ficar em casa, pessoas do grupo de risco têm apostado nos hábitos saudáveis como um novo aliado para manter o organismo fortalecido.

No isolamento, bom-humor e atividade física

Os cuidados para pessoas no grupo de risco do coronavírus devem ser redobrados durante a pandemia. No isolamento social, é importante arrumar atividades que possam mexer o corpo e ocupar a mente. O casal Wilson e Simonete Junkes, 67 e 62 anos, respectivamente, optou pela dança afastar a tristeza durante a quarentena.

Mexa-se: seu coração e sua imunidade agradecem

Moradores de Criciúma, os dois estão há um mês no apartamento da família em Laguna, no Sul do Estado, em total isolamento. A saudade das filhas e netas é aplacada com videochamadas, e no dia a dia, as saídas são restritas às idas ao supermercado. Casados há 47 anos, os dois sempre gostaram de dançar, e a música tem sido uma companheira inseparável. Wilson é hipertenso, e por isso os cuidados são ainda maiores.

– A saudade é grande, tem horas que dá uma tristeza, então a movimentação ajuda bastante. Meu marido é bem animado, sempre foi de ouvir música, sempre dançamos bastante. E pelo menos duas vezes por semana, antes do almoço, dançamos pra começar bem o dia – diverte-se ao contar Simonete.

Para quem tinha uma rotina regrada de exercícios em academia, o isolamento tem trazido outros desafios. Aos 61 anos, João Luiz Queiroz e a esposa Helenice, 56, contam com os filhos educadores físicos para manter o treino em dia. Todo cronograma foi passado antes do início da quarentena, e qualquer dúvida, basta consultar os personal trainers pelo telefone.

a
No pátio de casa, João Luiz e Helenice mantém os exercícios em dia
(Foto: )

– Eles deixaram alguns aparelhos aqui, e os movimentos, a sequência, seguem os da academia. Envelhecer sem depender de medicação, com saúde, é importante. Exercício, cuidar da alimentação, são coisas que a gente tem que fazer e que vai colher lá na frente – aconselha João Luiz.

Há cerca de cinco anos, João Luiz apresentou uma arritmia e precisou de medicamentos contínuos. Decidiu mudar o estilo de vida, entrar em forma e melhorar a alimentação. Hoje não precisa mais dos remédios, e por isso o exercício físico se tornou primordial.

O filho João Anníbal, 30 anos, é quem procura acompanhar, mesmo à distância, o treino dos pais. Para manter João Luiz e Helenice em segurança, ele se mudou temporariamente para a casa do irmão e da cunhada. Mais do que manter os pais em atividade, João Anníbal sabe da importância do exercício físico nessa etapa da vida, e também no momento de enfrentamento à pandemia.

– Quanto mais avançada a idade, mais necessários (os exercícios) se tornam, não é exagero. Entre os benefícios, manutenção de massa magra, melhora na saúde cardiovascular, pulmonar, além de prevenir doenças. Nesse momento de coronavírus, qualquer pessoa está sujeita a ser infectada, mas se ela tem uma saúde cardiopulmonar melhor do que um sedentário, a tendência é que o impacto no organismo seja menor – explica.

Comorbidades entre os óbitos* confirmados por coronavírus:

- 72% tinham mais de 60 anos

- 72% apresentavam pelo menos um fator de risco

- Cardiopatia foi a principal comorbidade associada e esteve presente em 760 dos óbitos

- Diabetes em 584 óbitos

- Pneumopatia 162

- Doença renal 130

- Doença neurológica 122

- Em todos os grupos de risco, a maioria dos indivíduos tinha 60 anos ou mais, exceto para obesidade, comorbidade presente em 69 óbitos.

* Boletim Epidemiológico divulgado dia 16/04/2020 pelo Ministério da Saúde

Colunistas