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Empreendedorismo por necessidade desperta para novas oportunidades profissionais

Inúmeros brasileiros mudaram seu nicho de trabalho desde o último ano e encontraram nova vocação

28/08/2021 - 13h00 - Atualizada em: 02/09/2021 - 13h10

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Estúdio
Por Estúdio NSC
Dentre o saldo das novas empresas constituídas em Santa Catarina de janeiro a junho, 70.948 são microempresas
Dentre o saldo das novas empresas constituídas em Santa Catarina de janeiro a junho, 70.948 são microempresas
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Foi a crise causada pela Covid-19 e uma mudança brusca na vida profissional que fez Agatha Schmitz, atual proprietária da Senhora da Castanha - empresa de comida saudável em Florianópolis - voltar os olhares a uma antiga paixão: a cozinha. No ano passado, enquanto ainda trabalhava com marketing e fazia home office, passou a reavaliar as escolhas e os sentimentos em relação ao futuro.

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Mesmo em outro trabalho, começou a estudar o mercado de “saudáveis” em Florianópolis e verificar quais as possibilidades do segmento, para atender o consumidor. Durante seis meses, Agatha fez cursos online, testes de elaboração de cardápio e desenvolveu um plano de comunicação antes de começar as vendas.

— Eu trabalhava há oito anos com marketing e nunca havia pensado em trocar de área, muito menos uma mudança tão brusca, mas aconteceu. Foi uma sementinha que surgiu na minha cabeça sem aviso e depois não parou mais de crescer — comenta.

Com o avançar da pandemia e o fechamento de atividades presenciais, a empreendedora passou por uma uma situação que impactou milhares de brasileiros: a demissão. Para se ter ideia de como esse cenário refletiu no mercado, a média de brasileiros que perderam o emprego por hora em um ano - de abril de 2020 a abril de 2021 - foi de 377, segundo dados da IDados, com base nos indicadores da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) Contínua.

Empreendedorismo por necessidade
O novo cenário desafiou Agatha a mudar de área e apostar no empreendedorismo.
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Após perder o emprego, Agatha já sabia o que queria: resolveu apostar no nicho de gastronomia sem açúcar, sem lactose e sem glúten, com foco em doces saudáveis sem aditivos ou conservantes. Hoje, produz tortinhas, brownies, cookies recheados, doce de leite e uma versão de creme de avelã sem açúcar ou lactose.

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Segundo a empreendedora, a área da confeitaria saudável e natural é pouco conhecida e explorada, não só em Florianópolis, mas de modo geral.

— A maioria das pessoas não chega nem a acreditar que é possível o que fazemos, pois já estão acostumadas a escolher entre o que é saudável ou que é gostoso. O que eu mais ouço dos clientes no pós-venda é "não dá pra acreditar que isso é natural e não tem açúcar”. Gosto de falar que o que vendemos não é um produto, e sim um propósito. Ainda há muito a ser explorado nessa área e queremos poder atender todos os nichos de pessoas, independente da restrição alimentar — detalha.

Empreendedorismo em alta em Santa Catarina

Dados do Registro Mercantil da Junta Comercial de Santa Catarina (JUCESC) mostram que o primeiro semestre foi de crescimento em 47% no saldo de empresas registradas no Estado. 80% delas eram no formato de microempreendedor individual, assim como Agatha.

Foram 107.268 empreendimentos constituídos e 32.431 extintos em Santa Catarina no primeiro semestre de 2021. No ano passado, houve a inclusão de 76.690 novos CNPJs no sistema da Junta Comercial e 26.001 que deixaram de existir.

Dentre o saldo das novas empresas constituídas em Santa Catarina de janeiro a junho, 70.948 são microempresas, ou seja, faturam até R$ 360 mil por ano; 2.153 são empresas de pequeno porte, que trabalham com faturamento de até R$ 4,8 milhões.

Por atividade econômica, o comércio segue puxando as aberturas, com um saldo de 16.397. Seguido pela indústria de transformação (9.225); construção civil (8.330); atividades profissionais, científicas e técnicas (6.093); outras atividades de serviços (6.054); alojamento e alimentação (5.247).

Jefferson Reis Bueno, gerente de inovação e empreendedorismo do Sebrae/SC, afirma que quase 55 mil empresas foram fechadas em 18 meses, mas quase 210 mil empresas foram abertas nesse período.

— Pessoas perderam os empregos, mas se não conseguiram uma ocupação em novo emprego, foram empreender. É uma característica bem de Santa Catarina. Esse movimento se deu principalmente por MEIs, modalidade mais simplificada, que assim pode desenvolver sua atividade. As empresas começam pequenas, mas a maioria das grandes empresas do Estado começaram assim — reforça.

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Para quem deseja iniciar o próprio negócio, o especialista traz cinco dicas. Confira:

5 dicas para começar a empreender

Paixão na profissão: Buscar fazer o que gosta. Muitas pessoas têm empregos formais, mas adoram cozinhar, são potencialmente empresários de sucesso em cozinhas, restaurantes e confeitarias.

Planejamento: Não dá para se aventurar sem um plano de negócio. Com ele, é possível ter visão clara do investimento. É mais fácil errar no papel do que na prática.

Visão de mercado: Atrelado ao plano de negócio, pesquisa de mercado é muito importante. Ao ter uma boa ideia de negócio, se deve conversar com amigos, buscar referências, pesquisar concorrência com olhar de cliente. Ver o que a empresa não está oferecendo para ampliar o mercado.

Pense grande, mas comece pequeno: Não é preciso estar com tudo pronto para começar. O planejamento de longo prazo e uma grande jornada iniciam com pouco.

Boa administração financeira: Ter claro que é necessário trabalhar em cima de números e indicadores para identificar fluxo de caixa, metas e outras análises importantes.

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