A corrida espacial ganhou mais um capítulo na última quarta-feira (21). A Blue Origin, empresa de foguetes do bilionário Jeff Bezos, que também é dono da Amazon, anunciou o lançamento de uma mega-constelação com mais de 5 mil satélites, que devem ser mandados para o espaço com o intuito de garantir conexões de internet extremamente rápidas e estáveis.

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A rede foi batizada de TeraWave e terá 5.280 satélites na chamada Órbita Terrestre Baixa (LEO) e mais 128 em Órbita Média (MEO), totalizando 5.408 equipamentos no espaço. O projeto tem potencial para revolucionar não apenas a corrida espacial, mas a concorrida disputa por conectividade proporcionada por satélites.

Embora concorrentes, o foco da mega-constelação TeraWave, da Amazon, terá um foco diferente dos satélites da SpaceX, os Starlinks. Enquanto o objetivo da empresa de Elon Musk é proporcionar internet de alta velocidade para o consumidor final, a iniciativa da Blue Origin é garantir conectividade eficiente para grandes corporações, como indústrias e entidades governamentais.

De acordo com o comunicado da Blue Origin, os satélites em LEO vão fornecer velocidade de conexão de até 144 gigabits por segundo, enquanto os em MEO proporcionarão taxas de transferência de até 6 terabits por segundo. A mega-constelação já está sendo produzida, e a previsão é de que comece a ser implementada no final de 2027.

A iniciativa também representa uma nova frente de atuação da Blue Origin. Antes, a empresa tinha dois focos claros: a exploração lunar e o turismo espacial. Com o lançamento do projeto TeraWave, a Blue Origin volta as atenções também para o mercado de conectividade.

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Amazon já conta com satélites

Enquanto a Blue Origin se prepara para enviar a mega-constelação TeraWave para o espaço, a Amazon, gigante do comércio eletrônico e que também é de propriedade de Jeff Bezos, já conta com 180 satélites na órbita da Terra.

Trata-se do projeto inicialmente batizado de Kuiper, mas que em novembro de 2025 passou a se chamar Amazon LEO, que tem o foco de fornecer internet para o consumidor e é um concorrente direto da Starlink, da SpaceX.

O plano da empresa com a iniciativa é fornecer internet de alta capacidade para os consumidores – a meta era fornecer o serviço ainda em 2025, mas a conexão ainda está em fase de testes e não está disponível para o público. O objetivo é ter até 3200 satélites em órbita até o final de 2035.

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Excesso de satélites preocupa os cientistas

O avanço da tecnologia e a exploração espacial proporciona desenvolvimento extremamente benéficos para a vida em sociedade e até mesmo para a nossa rotina. Os satélites garantem conexão e ajudam inclusive a prever catástrofes climáticas – até mesmo a medicina se beneficia dos equipamentos. Mas o excesso deles em órbita é uma preocupação crescente entre os cientistas.

O chamado lixo espacial representa um risco que merece atenção. Atualmente, são quase 13 mil satélites ativos na órbita da Terra. O número aumentou mais de dez vezes em relação ao ano de 2010, quanto havia cerca de 950 equipamentos no espaço, e vai se tornar ainda maior a cada ano, principalmente por meio da iniciativa privada, como as da empresa Amazon e da SpaceX.

Mas, quando esses equipamentos deixam de funcionar, eles permanecem no espaço, já que ainda é inviável recolhê-los. Muitos podem soltar peças e se desmontarem. Um pequeno fragmento ou parafuso viajando pelo espaço pode ter o impacto semelhante ao de uma granada caso atinja algum satélite ou, em um cenário ainda pior, uma sonda ou até mesmo uma nave tripulada de agências como a NASA.