A intermediadora dos repasses feitos por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, ao filme “Black Horse”, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro, enviou R$ 139 milhões a empresas investigadas por suspeita de lavagem de dinheiro, com alvos que podem integrar uma facção criminosa em um esquema de fraudes no setor de combustíveis, e integrantes da máfia italiana. Com informações do O Globo.
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A empresa em questão é a Entre Investimentos e Participações, que teria feito as movimentações entre julho de 2022 e dezembro de 2025, conforme um relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf). A empresa afirmou que suas “operações estão em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”
“A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, destacou, em nota.
Saiba mais sobre Daniel Vorcaro
Repasses ao filme sobre Jair Bolsonaro
Na quarta-feira (13), uma reportagem do Intercept Brasil mostrou que a empresa foi utilizada por Vorcaro para fazer pagamentos ao fundo Havengate Development Fund LP, com sede no Texas, nos Estados Unidos. Foi exposto, na reportagem, um comprovante de pagamento de 2 milhões de dólares enviados ao fundo para financiar o filme sobre Jair Bolsonaro.
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Documentos americanos mostram que o “agente legal” do fundo o escritório de um advogado do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Ainda na data em que a reportagem foi publicada, o senador e pré-candidato à Presidência, Flávio Bolsonaro (PL-RJ), admitiu que pediu financiamento a Daniel Vorcaro para o filme.
Repasses a alvos da Operação Carbono Oculto
Segundo o relatório do Coaf, a Entre Investimentos e Participações também repassou valores para empresas alvos da Operação Carbono Oculto, da Polícia Federal, com suspeita de adulteração de combustível e ligações com uma organização criminosa. Essas quatro empresas teriam operado uma rede de contas bancárias para burlar fiscalizações do sistema financeiro, conforme a investigação.
Empresas na mira na Operação Mafiusi
No relatório, também foi divulgados que a Entre repassou recursos para uma empresa sediada em São Paulo que está sendo investigada a partir da Operação Mafiusi, sobre um esquema de lavagem de dinheiro do tráfico internacional envolvendo integrantes de uma organização criminosa e da máfia italiana Ndrangheta no Paraná.
Para o Coaf, a Entre Investimentos e Participações pode ter sido usada como “conta de canal de passagem”.
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“[…] há contas que apresentem créditos e débitos com a utilização de instrumentos de transferência de recursos não característicos para a ocupação ou o ramo de atividade desenvolvida pelo cliente”, diz o Coaf.
“Intermediária de liquidez” para esquema do Master
Em um processo instaurado na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) por supostas fraudes em 2023, a Entre foi citada como uma “intermediária de liquidez” para o esquema do Master, dando aparência de normalidade na movimentação de investimentos do banco de Vorcaro.
A EntrePay, que faz parte do grupo Entre e é suspeita de ter intermediado fundos ligados ao Master e Vorcaro, foi liquidada em março pelo Banco Central.






