“Conforme a gente ia se aproximando mais das regiões, começamos a ver só água. Parecia que estávamos sobrevoando em cima de rio. Aí começamos a ver os telhados das casas, os tratores virados ao contrário, caminhões submersos e cada vez piorando mais”.

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A afirmação é do empresário Rodrigo Kustowiki, morador de Balneário Camboriú. Piloto com formação, ele pegou o próprio helicóptero e partiu para o Rio Grande do Sul ajudar no resgate às vítimas das enchentes. Era para ser uma viagem curta, mas durou exatos 17 dias.

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A jornada começou em 3 de maio. Segundo ele, foi uma das primeiras aeronaves a chegar ao estado para prestar socorro. A primeira cena indicando o que estava por vir foi um carro no meio da água em uma região de pouco movimento. Sobrevoaram até ter certeza que não havia ninguém no veículo.

Sem autorização para resgatar pessoas na água, a missão de Rodrigo foi transportar quem estava em áreas isoladas nas mais de 20 cidades gaúchas por onde passou. Em Eldorado, foram cerca de 100 famílias levadas por ele para áreas seguras. Até bombeiros precisaram ser transportados, conta.

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No vaivém de quase 12 horas diárias de voos, com várias refeições feitas no ar para ganhar tempo, foram muitas as histórias emocionantes. Uma das impactantes, recorda o empresário, foi quando conseguiram levar um aparelho de ventilação mecânica para uma criança em Canoas.

Em meio à tristeza e à angústia, um suspiro de felicidade:

“Teve uma senhora com três filhos que quando eu decolei, a criancinha, que não sabe o que está acontecendo, ela devia ter por volta de uns 3 a 4 anos, começou a gargalhar na máquina. A mãe chorando e ela gargalhando, porque sentiu a emoção ali do voo, deu um frio na barriga dela”.

Mas estar em local seguro nem sempre significava não precisar de ajuda. Rodrigo recorda as dezenas de pessoas que saíram de casa só com a roupa do corpo, que depois acabou toda molhada, e na pressa para se salvar ficaram sem remédios. A uma altura, as viagens eram várias caixas de medicamentos.

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Neste domingo (19), quando o corpo e a mente davam sinais de exaustão, o empresário retornou a Santa Catarina e aproveitou para dar manutenção no helicóptero após tantas horas de voos.

“Foi uma passagem que eu nunca vou esquecer na minha vida, que eu vou levar para sempre. De poder ter ajudado as pessoas, de poder estar ali, de poder participar. E a gente é ser humano, né? Por mais que a gente esteja ali pra ajudar, está preparado, é treinado, acaba se emocionando”.

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