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Enem tem menor número de alunos inscritos em SC desde 2009; entenda os motivos

Estado tem 75 mil participantes na edição deste ano, 35% a menos do que no ano passado

25/11/2021 - 05h16

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Por Jean Laurindo
Enem teve queda de 35% no número de alunos inscritos em SC
Enem teve queda de 35% no número de inscritos em SC
(Foto: )

Santa Catarina teve em 2021 o menor número de alunos inscritos no Enem desde que a prova foi reformulada, em 2009. O Estado teve 75 mil inscrições na edição deste ano, somando as versões impressa e digital do exame. O primeiro dia de provas ocorreu no último domingo (21) e o segundo será no próximo fim de semana.

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O número é 36% menor do que o registrado no exame de 2020, quando 118 mil estudantes de SC. A última vez em que o Estado teve um número próximo ao registrado neste ano foi justamente no primeiro ano de prova no formato atual, que tem os testes divididos em dois fins de semana, quatro áreas de conhecimento, e serve como forma de acesso a universidades federais. No ano de 2009, foram 78 mil alunos catarinenses inscritos no Enem.

A redução no número de alunos inscritos em SC acompanha o que também ocorreu de forma geral no Brasil. O número de inscritos no país caiu proporcionalmente até mais: 45%. Foram 3,1 milhões de estudantes participando da prova neste ano, contra 5,6 milhões registradas no ano passado.

Nesses 13 anos, o ano com mais participantes em SC foi 2016, com 176 mil inscritos. No país, o recorde foi 2014, com 8,7 milhões de participantes. A reportagem questionou ao Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), órgão ligado ao Ministério da Educação e que organiza o Enem, a que se deve a queda no número de alunos inscritos em 2021, mas não obteve retorno até esta quarta-feira (24).

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Pandemia e falta de incentivo gera desinteresse, diz professor

O professor da UFSC e ex-diretor do Inep, Dilvo Ilvo Ristoff, atribui a queda no número de alunos à pandemia e também à falta de políticas de incentivo para acesso ao ensino superior. No caso da pandemia, o fato de os estudantes terem ficado sem aulas ou apenas com o formato remoto no último ano desencorajou a participação no Enem.

– Claro que, sem terem tido a possibilidade de estudar adequadamente, muitos desses estudantes (que concluem o ensino médio neste ano) não se sentiram em condições de prestar o exame neste ano e resolveram adiar o seu ingresso na educação superior – apontou.

Mas a redução também se explica pela diminuição de políticas públicas, segundo o professor. Ele diz que ao longo dos últimos anos, houve quatro momentos de saltos importantes no número de candidatos do Enem no Brasil – e, por consequência, em SC. E todos eles estavam ligados à implantação de alguma política pública de incentivo ao ensino superior. São eles:

  • Em 2001, com o início da gratuidade na inscrição para alunos que concluem o Ensino Médio no ano da prova em escolas públicas;
  • Em 2005, com a criação do Prouni, condicionado à realização da prova e obtenção de notas mínimas;
  • Em 2010, após a implantação do Sistema de Seleção Unificada (Sisu). A novidade passou a permitir o uso da nota do Enem como critério para entrada em universidades de todo o país, indo além dos vestibulares específicos de cada instituição;
  • Em 2013, com a implantação da Lei de Cotas nas universidades federais. Segundo o professor, a meta de ter ao menos metade de alunos vindo de escolas públicas até 2016 fez com que o número subisse nos anos seguintes, mas caísse depois de atingida a meta.

Para o professor, a queda de inscrições no Enem de 2021 não tem a ver com o número menor de alunos no Ensino Médio, mas sim com a falta de novas ações de incentivo.

– O enfraquecimento dessas políticas públicas leva naturalmente a uma perda de interesse pelo exame. Ao contrário do que muitos pensam, o Enem não atende apenas aos concluintes do ensino médio, mas a todos os que, mesmo tendo concluído o ensino médio, estavam alijados da educação superior, ou porque o setor público e gratuito era pequeno e altamente competitivo ou porque o setor privado era proibitivo pelo alto valor das mensalidades – explica.

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