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Coronavírus

Enquanto Oeste de SC vive colapso, números do Estado indicam queda nos índices da Covid-19

Com a situação, prefeituras do Oeste podem procurar vagas em outras regiões

03/02/2021 - 05h00

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Lucas
Por Lucas Paraizo
UTI coronavírus
Oeste e Norte de SC possuem as maiores taxas de ocupação de leitos de UTI para pacientes com o coronavírus
(Foto: )

O início de 2021 trouxe para Santa Catarina um cenário de opostos na pandemia do coronavírus. Ao mesmo tempo em que o Estado vive um momento de queda no número de casos ativos e têm as menores taxas gerais de ocupação das UTIs do SUS, o Oeste catarinense registra lotação nos hospitais e beira o colapso no sistema de saúde. No Norte, a ocupação também segue em alta e está em 86,7%.

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Mesmo com um aumento nos casos de covid-19 na primeira quinzena de janeiro, em um movimento esperado pelas festas de fim de ano, o Estado terminou o mês com taxas estáveis e até mesmo em queda, com a menor ocupação geral das UTIs desde o início de novembro, na casa dos 72%. Com a curva no sentido oposto, a região Oeste já cogita a necessidade de transferir pacientes para outras áreas do Estado.

Conforme o boletim da Secretaria de Estado da Saúde desta terça-feira (2), a ocupação dos leitos de UTI do SUS no Grande Oeste está em 97,8%. Na prática, isso significa que existem apenas três leitos vagos em toda a região, entre os 136 ativos. Em Chapecó, Xanxerê e Maravilha todos os leitos disponíveis no SUS já estão ocupados. O fato motivou a ida de uma comitiva da prefeitura de Chapecó para Florianópolis nesta terça, com o objetivo de cobrar a contratação de mais leitos e profissionais de saúde.

Caso o sistema de saúde do Oeste entre em colapso, as prefeituras irão procurar vagas em outras regiões do Estado, como o Meio-Oeste, que tem 36 vagas disponíveis, ou o Sul, com 75 leitos desocupados. Em último caso, Chapecó irá acionar a rede privada de saúde, buscando parcerias em hospitais particulares.

A médica infectologista Carolina Ponzi, que atua no combate à pandemia em Chapecó, vê que o número de pessoas buscando o atendimento hospitalar tem crescido dia após dia na região. Com um volume maior de pessoas doentes, a pressão no sistema de saúde cresce proporcionalmente. Pelo contato com os pacientes, a médica acredita que exista uma relação com o turismo no verão:

- O pessoal aqui do Oeste foi para o Litoral nas festas de fim de ano, o que é uma tendência de todos os anos, e nós vimos as imagens das pessoas em festas, aglomerações. Essas pessoas voltaram e talvez estejam transmitindo o vírus para outras pessoas, parentes, que têm comorbidades.

Ponzi destaca também que os pacientes graves de covid-19, que precisam de internação em UTIs, geralmente necessitam de um período maior de hospitalização, superior a duas semanas e podendo chegar a 30, 40 dias. Depois que a infecção pelo coronavírus passa e os pacientes internados não transmitem mais o vírus, eles podem ser transferidos de ala, e assim também ocupam vagas que podem faltar para pessoas que sofrem acidentes ou precisam de internação por outras doenças.

Cenário positivo no Sul

A região Sul de Santa Catarina, que já viveu grandes surtos de covid-19 no ano passado, hoje vê uma situação oposta. Depois de beirar a lotação máxima dos hospitais entre novembro e dezembro, o número caiu e, hoje, está na casa dos 50%.

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Conforme o boletim da Secretaria de Estado da Saúde, apenas 22 pessoas com confirmação ou suspeita de covid-19 estão internadas em UTIs da região Sul no momento. Destas, 11 estão no Hospital São José, em Criciúma, segundo o infectologista e diretor da unidade de saúde, Raphael Farias. Em novembro o hospital chegou a ter 114 pacientes com coronavírus internados (entre leitos comuns e UTI), hoje o número é de 28 pessoas.

- Esperávamos um aumento no número de casos entre a segunda e a terceira semana de janeiro, o que não aconteceu. A causa disso pode estar relacionada a vários fatores, ainda não temos esse diagnóstico. A população pode estar seguindo mais as recomendações, e há também a pesquisa de antígeno precoce sendo feita na rede pública, isolando precocemente os pacientes no segundo ou terceiro dia de sintomas - explica Farias.

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