Durante a elaboração da Constituição Estadual de 1989, uma ideia causou diversos debates e discussões por todas as regiões de Santa Catarina: a mudança da administração estadual, em que Florianópolis deixaria de ser a capital de Santa Catarina. A reportagem do NSC Total procurou documentos antigos da Assembleia Legislativa (Alesc) e conta essa história.

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A proposta em questão definia um plebiscito em setembro de 1993. Na votação, os eleitores catarinenses decidiriam se a capital catarinense seria transferida de Florianópolis para Curitibanos, município localizado na Serra Catarinense.

O autor da proposta, deputado Martinho Herculano Ghizzo, de Araranguá, levou em conta o fato de Curitibanos estar situado no centro de Santa Catarina. Com isso, a administração estadual ficaria centralizada e poderia dar mais atenção às regiões que reclamavam de menosprezo. Entre elas, estava o Oeste Catarinense.

“O Oeste queria formar o Estado do Iguaçu, pois se achava menosprezado pela capital. Havia movimentos muito fortes na época nesse sentido. E eu também me preocupava com o crescimento de Florianópolis, é uma cidade muito linda para perder essas belezas naturais”, disse o deputado, em entrevista à Agência Alesc.

Assim que a proposta veio a público, ele foi pressionado por figuras públicas de Florianópolis, como políticos e empresários. Ao mesmo tempo, outros deputados defendiam a ideia e citavam uma “marginalização” do Oeste Catarinense. Com o crescimento da discussão, o Estado se dividia mais.

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Proposta causou discussões entre regiões de SC

“Defendíamos a criação do Estado do Iguaçu, pois havia uma marginalização do Oeste em relação ao Estado e ao governo federal. Nós sempre entendemos que produzíamos muito e em troca recebíamos muito pouco em obras e benefícios para a nossa região” contou o ex-prefeito de Modelo e ex-deputado, Dércio Knop, à Agência Alesc.

Outros parlamentares chegaram a questionar como isso seria feito. Era argumentado que a mudança demandaria um grande investimento de recursos, sendo quase uma “operação de guerra”.

“Eu era uma das pessoas frontalmente contrária a essa proposta. Isso não era a meta principal [da constituinte]. Florianópolis sempre demonstrou um carinho para todos os catarinenses. Essa ideia era algo que estava fora de propósito”, disse ainda o ex-deputado Gilson dos Santos à Agência Alesc.

Por um breve período, foi sugerido pelo então deputado João Romário a troca do Centro Administrativo do Governo do Estado para a região continental de Florianópolis. Apesar dos esforços, a ideia de uma consulta popular por plebiscito continuou.

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A votação nunca ocorreu

Ainda em 1989, foi noticiado pelo jornal A Notícia que 22 dos 40 deputados eram favoráveis à troca da capital catarinense para Curitibanos. Desse modo, a proposta venceu — foi adicionado à Constituição Estadual de 1989 um artigo que obrigava um plebiscito em setembro de 1993.

Apesar da aprovação, o plebiscito nunca foi realizado. A constituição, vigente até os dias de hoje, inclui esse artigo — que nunca foi cumprido.

*Sob supervisão de Giovanna Pacheco

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