A delegada casada com o empresário Renê da Silva Nogueira Júnior, denunciado pela morte de um gari em Belo Horizonte, deve poder assinar um Acordo de Não Persecução Penal (ANPP) após o Ministério Público de Minas Gerais pedir para que o processo que envolve a delegada seja desmembrado. Ela foi indiciada pelo crime de prevaricação e por ceder ou emprestar a arma de fogo dela, utilizada no assassinato do gari Laudemir de Souza Fernandes por Renê. As informações são da CNN.
Continua depois da publicidade
O Acordo de Não Persecução Penal pode ser firmado mesmo que a delegada Ana Paula Lamego Balbino Nogueira já tenha negado, durante o depoimento, que tenha emprestado a arma para o marido, afirmando que ele não tinha acesso ao armamento. Dessa forma, ela pode confessar o crime no momento da assinatura do acordo.
Ana Paula já entregou duas armas para perícia, sendo uma institucional e uma particular, de calibre .380. A investigação confirmou que a arma utilizada no crime era da delegada.
Por que o ANPP está sendo considerado?
O pedido do Ministério Público levou em consideração a soma das penas mínimas para as infrações. Ao todo, os crimes, praticados sem violência ou grave ameaça, não ultrapassam a pena de quatro anos e, por isso, é possível que o ANPP seja firmado.
Outro ponto apresentado pelo MP é a falta de causa e efeito entre a relação dela e o homicídio praticado por Renê, que já está preso preventivamente por homicídio qualificado e ameaça. Para o Ministério Público, se os processos de Renê e de Ana Paula tramitassem juntos, poderia causar atrasos indesejados.
Continua depois da publicidade
Veja fotos
Relembre o caso
O crime aconteceu no dia 11 de agosto, quando o gari estava trabalhando na coleta de lixo na esquina das ruas Jequitibá e Modestina de Souza. Em determinado momento, Renê passou com um veículo elétrico pela rua e exigiu que o caminhão de lixo fosse retirado da via, alegando que não conseguia passar com o carro.
A mulher que dirigia o caminhão de lixo quando Renê fez as exigências disse que era possível passar com o carro, já que havia espaço suficiente. Ele, no entanto, teria se irritado com a fala e ameaçou atirar nela. Foi nesse momento que os garis tentaram intervir e o empresário atirou.
Laudemir morreu ainda na viatura da Polícia Militar a caminho do hospital.
Leia também
Juíza cobra resposta urgente de empresário que matou gari: “Tumulto processual”
Troca de mensagens entre empresário e delegada revelam tentativa de justificar morte de gari






