Seguindo uma tendência mundial, Santa Catarina passa por um processo de envelhecimento populacional. O Estado tem 1,25 milhão de pessoas com 60 anos ou mais, o equivalente a 15,6% da população, de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (PNAD Contínua) de 2024, divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em 2012, essa faixa etária representava 10,9% do total de habitantes.

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Enquanto o topo da pirâmide etária cresce, a base diminui. Isto porque a proporção da população mais jovem vem diminuindo ano por ano. Em 2024, o grupo de idade até 17 anos (22,7%) é 3,8 pontos percentuais menor na comparação com 2012 (26,5%).

Impulsionada pela redução da fecundidade e pelo aumento da expectativa de vida, a mudança na pirâmide acompanha uma tendência mundial. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que, em 2030, uma em cada seis pessoas no planeta terá mais de 60 anos. No Brasil, o IBGE projeta que, até 2070, cerca de 37,8% dos habitantes do país serão idosos.

Veja como a pirâmide etária de SC mudou

Mudança na pirâmide impõe desafios

O crescimento da população idosa traz implicações sociais e econômicas. Entre elas, a necessidade de políticas públicas de saúde, moradia e mobilidade urbana voltadas a esse grupo. A gerontóloga Bruna Gregorius, coordenadora do projeto Viva Bem + Floripa, define “envelhecimento saudável” não apenas como a ausência de doença, mas como a preservação da independência e autonomia.

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— A independência é a capacidade de realizar as atividades, se vestir, cozinhar, ir ao banco, gerir o dia a dia. E a autonomia é o poder de decisão, é estar com a cabeça boa, com o cognitivo bom, para tomar as decisões sobre a própria vida — descreve.

Atualmente, a gerontóloga aponta a moradia como uma das áreas que merece atenção do poder público. Segundo ela, o setor privado já avança no conceito de moradia sênior, mas falta iniciativa pública nesse sentido em Santa Catarina.

O isolamento, segundo ela, é um dos pontos mais sensíveis do envelhecimento.

— Às vezes, o idoso tem dificuldade de ouvir ou enxergar e ele vai sendo deixado de lado. Mesmo numa mesa, no almoço de família, ele não é convidado a participar. Ele está ali, todo mundo acha que ele está se sentindo acolhido, mas muitas vezes ele está isolado — pontua.

Em termos de saúde, ela pontua que não é ideal que uma pessoa idosa cuide de outra mais debilitada.

— Eu vejo principalmente muitas mulheres dizendo “Ah, eu cuidei da minha mãe, eu cuidei do meu marido”, sem nenhum tipo de apoio público. Essas pessoas cuidam de quem está doente, mas e quem cuida de quem cuida? — questiona.

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A especialista também enfatiza a necessidade de melhorar a usabilidade das cidades para os idosos.

— O importante é dar possibilidade para que o idoso circule e use a cidade, porque ele não fique ainda mais isolado por não poder sair de casa, porque a cidade não o acolhe — diz.

Bruna pontua que a conexão social é o desafio “número 1” a ser enfrentado. A solução que ela aponta e que motivou a criação do seu projeto, é fomentar espaços de encontro:

— Até por isso que a gente criou o Viva Bem Mais Floripa, com esses encontros, que era para que as pessoas pudessem realizar conexões e trocarem. Em Florianópolis, nós temos também o Universidade das Pessoas Idosas, que é o NETI, e o Centro Multiuso da Pessoa Idosa, que são ferramentas de conexão social importantes.

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