A professora e escritora catarinense Rossaly Beatriz Chioquetta Lorenset, de Xanxerê, Oeste de Santa Catarina, recebeu reconhecimento internacional durante a Feira Internacional do Livro de Turim, na Itália, uma das maiores feiras literárias da Europa. A autora foi premiada pelo ensaio “A leitura pode ser uma sentença de liberdade?”, inspirado no livro “Leitura e cárcere: (entre) linhas e grades, o leitor preso e a remição de pena”.

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O texto foi um dos vencedores da primeira edição do Prêmio Literário “Don Meco – Dietro le Sbarre”, promovido pelo Fórum do Terceiro Setor de Piemonte, na Itália. O concurso teve mais de 850 trabalhos inscritos de diferentes países e foi dedicado ao tema “Atrás das grades”.

A cerimônia de lançamento da coletânea com os textos premiados ocorreu na sexta-feira (16), durante a programação oficial da Feira Internacional do Livro de Turim. O evento reuniu autoridades italianas, representantes de organizações sociais, lideranças religiosas e escritores premiados. Entre os presentes estavam o prefeito de Turim, Stefano Lo Russo, e a vice-prefeita Michela Favaro, que recebeu um exemplar do livro “Leitura e cárcere”.

Natural de Santa Catarina, Rossaly atua como professora e pesquisadora de Língua Portuguesa na Universidade do Oeste de Santa Catarina (Unoesc) e no Colégio La Salle, em Xanxerê. Doutora em Linguística pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), a autora desenvolveu a obra a partir de sua pesquisa de doutorado sobre leitura no sistema prisional brasileiro.

Livro nasceu de projeto em presídio de Xanxerê

O livro “Leitura e cárcere” também reúne experiências vividas pela autora durante um projeto de extensão realizado ao longo de cinco anos no curso de Direito da Unoesc, em parceria com o Presídio Regional de Xanxerê.

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Durante a pesquisa, Rossaly entrevistou detentos e acompanhou relatos sobre o impacto da leitura dentro do ambiente prisional. Segundo a autora, muitos presos passaram a incentivar os filhos a ler e encontraram nos livros uma forma de reflexão e reconstrução pessoal.

A obra discute temas como desigualdade social, sistema prisional, justiça e os sentidos da pena no Brasil contemporâneo. O tema ganha relevância diante da legislação brasileira, que prevê a remição de pena por meio do estudo e da leitura.

— Muitas vezes, o livro foi o único recurso acessível para estimular reflexão, conhecimento e novas perspectivas de vida — destacou Rossaly.

Em julho de 2025, um exemplar da obra também foi entregue ao Papa Leão XIV pelo arcebispo de Chapecó, Dom Odelir José Magri. Na ocasião, o pontífice recebeu cartas assinadas por detentos do Presídio Regional de Xanxerê relatando a importância da leitura no ambiente prisional.

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