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Imunização

Especialista explica como se define a eficácia das vacinas contra o coronavírus

Empresas anunciaram dados preliminares dos testes na fase 3, apontando taxa de mais de 90% na eficácia das doses

24/11/2020 - 11h11 - Atualizada em: 24/11/2020 - 11h31

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Leandro
Por Leandro Lessa
Algumas vacinas contra a covid-19 estão na última fase de testes
Algumas vacinas contra a covid-19 estão na última fase de testes
(Foto: )

A chegada de vacinas contra a covid-19 é aguardada com grande expectativa para deixar para trás um 2020 marcado por distanciamento social, máscara e outras medidas protetivas. Pelo menos quatro projetos que já estão na fase 3 de testes - a última antes da solicitação do registro oficial - anunciaram que possuem mais de 90% de eficácia. 

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Segundo Ana Karolina Barreto Marinho, coordenadora do departamento científico de imunização da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), medir a eficácia de uma vacina significa avaliar a quantidade de anticorpos produzidos pelo sistema imunológico contra o agente infectante no organismo - no caso, o coronavírus

- Junto com essa produção de anticorpos, precisamos medir se o indivíduo vacinado, quando exposto em um ambiente em que o vírus está circulando, vai pegar ou não a doença. Então, serão comparados dois grupos: as taxas de infecção dos que receberam a vacina com os que não receberam. Assim, a gente consegue comprovar a eficácia - explica Ana Karolina. 

Os dados da taxa de eficácia ainda são preliminares, divulgados pelas próprias desenvolvedoras, e não saíram em publicações científicas. Além de altos investimentos, houve um avanço por parte das empresas para conseguir milhares de voluntários para as testagens em tempo hábil e, desta maneira, acelerar os resultados com o objetivo de encerrar a pandemia mundial.  

Ainda segundo a especialista, comitês de ética - independentes das empresas e profissionais que desenvolvem e produzem as vacinas - são responsáveis por garantir a segurança dentro das etapas de testes e a distribuição segura das doses. Os órgãos sanitários reguladores (no caso brasileiro, a Anvisa) também devem verificar a regularidade desses processos. 

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Para a produção em larga escala, o país deverá possuir tecnologia adequada para fabricar e armazenar as vacinas - algumas dessas doses precisam ser guardadas em temperaturas muitos baixas. No Brasil, há o trabalho da Fiocruz com a farmacêutica AstraZeneca e a Universidade de Oxford (Reino Unido) para a produção no Brasil no início de 2021. 

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Já o governo de São Paulo tem acordo com a Sinovac, em parceria com o Instituto Butantan (SP), para que profissionais da saúde no estado paulista recebam a imunização no próximo mês. Porém, a empresa chinesa ainda não divulgou dados preliminares sobre a fase 3, o que não permite apontar a taxa de eficácia da Coronavac. 

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Ouça a entrevista com Ana Karolina Barreto Marinho, da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia (Asbai), para a CBN Diário: 

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