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Rússia diz que sua vacina é 95% eficaz e vai custar a metade do preço das concorrentes

O resultado de um estudo premilinar com a vacina Sputnik V foi divulgado nesta terça-feira (24)

24/11/2020 - 10h26 - Atualizada em: 24/11/2020 - 10h49

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Folhapress
Por Folhapress
O valor da vacina pode ficar abaixo dos US$ 10 (R$ 54)
O valor da vacina pode ficar abaixo dos US$ 10 (R$ 54)
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Os desenvolvedores da vacina russa Sputnik V anunciaram nesta terça (24) que um segundo estudo preliminar com voluntários da fase 3 dos testes do imunizante contra a Covid-19 mostraram uma eficácia de 91,4%. A expectativa dos russos é que ela atinja 95% e custe, ao fim, metade do preço de suas competidoras ocidentais, talvez ainda menos.

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O anúncio, com sabor de déjà-vu por ser semelhante a dados já propagandeados, busca sanar dúvidas acerca da confiabilidade dos estudos russos e vem na esteira de comunicados de eficácia dos principais imunizantes que já estão sendo negociados no mercado para tentar deter a pandemia do novo coronavírus. É a geopolítica da vacina em pleno curso. 

Na semana passada, as americanas Pfizer e Moderna haviam anunciado eficácia em estudos de fase 3 acuma de 90%. Na segunda (23), a sueco-britânica AstraZeneca e da Universidade de Oxford (Reino Unido) disse ter finalizado testes iniciais e atingido até 90% de eficácia. Já a chinesa Coronavac, comprada pelo governo de São Paulo e que será fabricada no Instituto Butantan se for eficaz, tem registrado eficácia ainda maior nos testes feitos na China. Se tudo der certo, estará disponível em janeiro. 

Segundo o Instituto Gamaleya, o fabricante da vacina, a eficácia foi medida em 18.794 dos cerca de 40 mil voluntários russos que tomaram as duas doses da Sputnik V ou de um placebo, mantendo o chamado duplo cego, quando nem paciente nem pesquisador sabe quem recebeu o quê. 

No ensaio, para cada 3 vacinados, 1 foi inoculado com placebo. A próxima avaliação ocorrerá com um grupo de 78 infectados, que deverá encerrar a fase 3. Os dados foram obtidos 28 dias depois da primeira dose, 7 dias após a segunda. Nesse grupo, houve 39 casos confirmados de infecção da Covid-19, apenas 8 pessoas haviam de fato recebido o imunizante.

Os dados preliminares após 42 dias da primeira dose, 21 após a segunda, indicaram uma proteção ainda maior, de 95%, mas eles não foram disponibilizados ainda. Eles serão enviados para revisão em artigo para uma publicação científica internacional, provavelmente a mesma The Lancet britânica que já editou outros estudos com a vacina.

Entre esses voluntários e os outros 22 mil que ainda estão na primeira dose, não houve eventos adversos ou efeitos colaterais graves registrados, segundo o Gamaleya. "Os dados comprovam o que encontramos nos estudos até aqui, uma eficácia de 91%-92%. Esperamos dados ainda melhor depois que os voluntários que receberam a segunda dose tenham mais tempo para seus corpos reagirem", afirmou o diretor do Gamaleya, Alexander Gintsuburg. 

O patrocinador da Sputnik V, o Fundo Direto de Investimento Russo, anunciou que a Hungria se uniu à rede de fabricantes potenciais, tornando-se o primeiro país da União Europeia a associar-se aos russos. 

Nesta terça (24), Kirill Dmitiriev, presidente do fundo, afirmou que a vacina da Rússia custará metade do preço da maioria de seus competidores ocidentais — tudo depende de cada acordo de produção, mas a vacina da Pfizer (EUA) sai por US$ 19,50 (R$ 105 hoje) cada uma de suas duas doses, enquanto a também americana Moderna custa US$ 25 (R$ 136) cada uma das duas inoculações necessárias. 

Ele afirmou que o valor pode ficar abaixo dos US$ 10 (R$ 54), a depender do arranjo. Os cidadãos russos não pagarão nada. No caso do contrato da Coronavac com o Butantan, a dose sai a US$ 10,4 (R$ 57). Já no acordo da AstraZeneca com o governo federal, sai a US$ 19 (R$ 103). Mas ambas incluem transferência de tecnologia para produção local — no caso da Fiocruz, a estimativa era de um custo pouco acima de US$ 3 (R$ 16) por dose.

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