A Prefeitura de Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, aguarda os trâmites legais para que o vice-prefeito, Aldir Dourival Rosa (MDB), assuma a gestão municipal. O prefeito Marcos Henrique da Silva (PL) foi afastado do cargo na manhã de terça-feira (7), por suspeita de envolvimento em um esquema de fraudes em licitações para eliminar a concorrência, manipular preços e dominar o mercado de shows com artistas de renome nacional. 

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A investigação culminou na operação “Pão e Circo” do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) e da Polícia Civil de Santa Catarina.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (8), a prefeitura destacou que segue em pleno funcionamento, com  “serviços públicos mantidos e executados normalmente, sem qualquer interrupção no atendimento à população”.

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Além disso, afirmou que os processos de licitação no município seguiram as determinações legais e respeitaram os “princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e competitividade, com vistas a assegurar a lisura e a eficiência nas compras e contratações públicas”.

— Durante o cumprimento das medidas investigativas, as equipes do GAECO estiveram no setor de licitações para coleta e análise de documentos. A ação contou com o pleno acompanhamento e suporte dos servidores daquela unidade, os quais cooperaram de forma integral e irrestrita com os trabalhos, prestando todas as informações solicitadas pelas autoridades — declarou a administração.

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A prefeitura alega, no entanto, que ainda não teve acesso formal aos autos do processo. Desta forma, fica no aguardo para receber detalhes da investigação e adotar providências.

Prefeito de Governador Celso Ramos foi afastado por decisão judicial

O afastamento de Marcos Henrique, conhecido como Marquinho, foi uma determinação da Justiça como medida cautelar. Com a operação, foram cumpridos cerca de 50 mandados de busca e apreensão em 18 cidades catarinenses. Em Governador Celso Ramos, os agentes foram até a sede da prefeitura e apreenderam malotes do setor de licitações e contratos, conforme informações da NSC TV e do colunista Ânderson Silva.

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Ao todo, pelo menos nove prefeitos ou ex-prefeitos foram alvo de busca e apreensão. Em Porto Belo, a equipe de investigação esteve na casa do prefeito Joel Lucinda (MDB). Na residência, R$ 58 mil foram recolhidos, além de um aparelho celular. Ele segue no cargo.

Em nota, a Prefeitura de Porto Belo afirmou que o prefeito “cooperou integralmente com a ação, facilitando o trabalho das autoridade e não sofreu nenhum impedimento em realizar suas funções administrativas”. (Leia a nota na íntegra ao final da matéria).

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Fraudes envolviam empresários do setor de eventos e agentes públicos

As fraudes, conforme o Ministério Público, eram acompanhadas pelo pagamento e recebimento de propina por empresáriosagentes públicos para viabilizar o esquema, além da lavagem de dinheiro para ocultar os valores obtidos com as irregularidades. 

O mediador seria o empresário José Clemir Spinelli. Nas redes sociais, ele ostentava fotos com artistas de renome, como Israel & RodolfoJoão Neto & Frederico e o cantor Luan Pereira.

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Apesar dele aparecer ao lado dos artistas citados, a investigação deixa claro que as irregularidades aconteciam nas licitações para a realização dos eventos, e não com os shows específicos.

Em Santa Catarina, os mandados foram cumpridos em casas e órgãos públicos de:

  • Abdon Batista;
  • Apiúna;
  • Aurora;
  • Bombinhas;
  • Brusque;
  • Canoinhas;
  • Governador Celso Ramos;
  • Indaial
  • Itaiópolis;
  • Itapema;
  • Laurentino;
  • Mafra;
  • Palhoça;
  • Porto Belo;
  • Pouso Redondo;
  • Santa Terezinha;
  • São Bento do Sul;
  • Três Barras.

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Um mandado também foi cumprido em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

Empresário preso em Itapema

empresário José Clemir Spinelli, de 54 anos, foi preso em Itapema, no Litoral Norte de Santa Catarina. Clemir Spinelli é dono da Spinelli Produções, vencedora de diversas licitações para promoção de shows tradicionais principalmente em cidades do interior catarinense.

NSC Total também entrou em contato com a Spinelli Produções, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. A reportagem também tenta localizar a defesa de Clemir Spinelli. O espaço segue em aberto.

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Veja fotos

Bloqueio de R$ 9 milhões em bens

O afastamento do prefeito de Governador Celso Ramos faz parte de uma série de medidas judiciais tomadas contra agentes públicos, ex-agentes públicos, empresários e outros investigados. Foram bloqueados cerca de R$ 9 milhões em bens e valores para garantir “eventual reparação ao erário”, conforme o Ministério Público.

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Além do afastamento de funções, também foram aplicadas restrições para contratar com o poder público, proibição de acesso a repartições municipais e de contato entre investigados e testemunha.

A investigação tramita em sigilo.

Veja o que dizem os municípios alvos da operação

Mafra

A Prefeitura de Mafra informa que recebeu, na manhã desta terça-feira (7), equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), no âmbito da Operação “Pão e Circo”, deflagrada pelo Ministério Público de Santa Catarina. A operação ocorre simultaneamente em 19 municípios, sendo 18 em Santa Catarina e um no Rio Grande do Sul, para cumprimento de mandados de busca e apreensão relacionados à investigação.

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Conforme informado pelas autoridades, a investigação apura fatos ocorridos entre os anos de 2017 e 2025, envolvendo procedimentos relacionados à contratação de shows e eventos em diversos municípios catarinenses.

Desde o primeiro momento, o Município prestou total apoio à operação, colaborando integralmente com as diligências e disponibilizando todas as informações e documentos solicitados pelas autoridades competentes.

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A Administração Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos, respeitando e apoiando o trabalho dos órgãos de controle e fiscalização, fundamentais para o fortalecimento da gestão pública.

A Prefeitura destaca que todos os procedimentos administrativos são conduzidos com base nos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade, eficiência e transparência, permanecendo à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos que se façam necessários.

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Prefeitura Municipal de Mafra
Assessoria de Comunicação

Porto Belo

A Prefeitura Municipal de Porto Belo vem a público esclarecer e prestar informações sobre a “Operação Pão e Circo”, deflagrada na manhã desta terça-feira pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (GAECO), do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), em conjunto com a Polícia Federal.

Como parte dos procedimentos da investigação, as equipes do GAECO estiveram no setor de licitações do Centro Administrativo Municipal para a averiguação de documentos, onde foram acompanhados e auxiliados por servidores locais. A equipe de investigação também esteve na residência do prefeito de Porto Belo, Joel Lucinda, para o cumprimento de um mandado de busca e apreensão para averiguação de documentos. Na residência do Prefeito Joel foi recolhido o telefone celular e uma quantia em dinheiro, no valor de R$58 mil, que está devidamente declarado no imposto de renda deste ano. O chefe do Executivo cooperou integralmente com a ação, facilitando o trabalho das autoridade e não sofreu nenhum impedimento em realizar suas funções administrativas. A Administração Municipal de Porto Belo reitera seu compromisso inabalável com a transparência e a legalidade, reforçando que está prestando todo o apoio necessário para que a operação ocorra com pleno sucesso.

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A informação que se tem é de que a referida operação decorre desde o ano de 2019 e visa investigar possíveis esquemas de corrupção e fraudes em licitações envolvendo o setor de eventos e a contratação de artistas nacionais por municipalidades em Santa Catarina. Ao todo, estão sendo cumpridos 50 mandados de busca e apreensão em 19 municípios catarinenses, incluindo cidades vizinhas.

Neste momento, a equipe jurídica e a gestão municipal estão se inteirando dos detalhes do caso. Assim que novas informações forem obtidas, novos esclarecimentos serão prestados à imprensa e à população“.

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Itaiópolis

A Prefeitura de Itaiópolis informa que tomou conhecimento, por meio da divulgação realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), da deflagração da Operação “Pão e Circo”, que apura supostas irregularidades relacionadas a licitações para contratação de shows e eventos em municipios catarinenses.

Esclarece que, até o presente momento, o Município não foi formalmente instado a prestar informações no âmbito da investigação, tampouco houve diligências ou cumprimento de medidas junto às repartições públicas municipais.

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A Administração Municipal reafirma seu compromisso com a legalidade, a transparência e a correta aplicação dos recursos públicos, colocando-se integralmente à disposição do Ministério Público de Santa Catarina para prestar todos os esclarecimentos que eventualmente forem solicitados, em reconhecimento ao relevante papel institucional exercido pelo órgão na defesa da ordem jurídica e do patrimônio público.

Por respeito ao trabalho das instituições e ao regular andamento das investigações, a Prefeitura acompanhará os desdobramentos do caso e prestará novas informações à sociedade sempre que houver fatos oficiais que justifiquem manifestação.

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Três Barras

“A Prefeitura de Três Barras informa que, na manhã desta terça-feira (7), recebeu equipes do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco), em decorrência da Operação “Pão e Circo”, coordenada pelo Ministério Público de Santa Catarina.

A ação integra uma investigação que apura procedimentos relacionados à contratação de shows e eventos em diversos municípios catarinenses.

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A Administração Municipal recebeu as equipes com absoluta tranquilidade e prestou toda a colaboração necessária ao andamento dos trabalhos, disponibilizando prontamente os documentos e informações solicitados, em respeito às instituições e ao devido processo legal.

A Prefeitura de Três Barras reitera que atua com responsabilidade, transparência e respeito aos princípios que regem a administração pública, mantendo todos os seus processos administrativos à disposição dos órgãos competentes para análise e fiscalização.

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Por compreender a importância do trabalho desempenhado pelos órgãos de controle, o Município seguirá colaborando integralmente com as investigações, certo de que a apuração dos fatos contribui para o fortalecimento da gestão pública e para a confiança da população nas instituições.

A Administração Municipal reforça que permanecerá à disposição das autoridades competentes para prestar todos os esclarecimentos que forem necessários.”

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