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CRISE NO CAMPO

Estiagem em SC: "Quem vai pagar a conta é o consumidor", garante vice-presidente da Faesc

Enori Barbieri defende a desburocratização de políticas ambientais sob a atividade rural e cobra ações do governo do Estado

11/11/2020 - 11h40

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Maria Eduarda
Por Maria Eduarda Dalponte
Nove rios estão em situação de estiagem em SC
Nove rios estão em situação de estiagem em SC
(Foto: )

O vice-presidente da Faesc, Enori Barbieri, em entrevista ao Bom Dia Santa Catarina, falou sobre o longo período de estiagem que atinge o Estado. Desde a metade do ano passado chove abaixo da média em todas as regiões de SC, com uma defasagem de quase 900mm da chuva prevista para 2020. Essa situação abala principalmente as lavouras do Meio e Extremo Oeste.

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O representante da Faesc explica que Santa Catarina está atravessando uma das piores crises já vistas no Estado, que não há previsão de normalização e que a falta de políticas públicas pode influenciar diretamente no bolso do consumidor:

— A inflação dos alimentos já está em 10% este ano. A classe menos favorecida já sentiu pesadamente esse custo. Porém, ainda estamos com exportação maciça de alimentos. A hora que faltarem esses alimentos, eu não tenho nenhuma dúvida que quem vai pagar a conta é o consumidor. Não há como não passar para frente o aumento dos custos. Isso inevitavelmente vai acontecer.

A situação no campo

Muitas propriedades rurais de Santa Catarina já não têm mais água, o que afeta diretamente a criação de suínos e de gados de leite. Alguns produtores conseguem arcar com as despesas de caminhões-pipa a R$ 200 a viagem, mas isso aumenta o custo de produção.

De acordo com Enori Barbieri, o setor mais danificado é o setor leiteiro, porque houve quebra na silagem no ano passado e em 2020 a situação piorou:

— Já se tem previsto mais de 40% de quebra no milho, com o que seria feito a silagem para a alimentação dos animais. A chuva é pouca e as pastagens naturais estão muito pequenas e não ajudam.

No ano de 2020 houve alta nos preços do milho, soja e um grande número de exportações para o Estado, gerando uma expectativa de alta no setor. Mas, agora, o cenário indica que Santa Catarina terá que importar milho e soja em 2021 para alimentar os animais. 

— Aquilo que era uma previsão otimista, está sendo um drama para a sobrevivência das propriedades rurais, infelizmente. E não tem como dizer se amanhã vai ter água — esclarece o vice-presidente.

Políticas públicas na agropecuária

Enori Barbieri afirma que o governo não incentiva a criação de cisternas para armazenar a água da chuva e pede atenção ao setor agropecuário não apenas em períodos de crise:

— É preciso que Santa Catarina priorize esse setor, não apenas em época de crise, mas em outras épocas também, porque as crises são sistêmicas. Então é preciso que a gente planeje o futuro, tire um pouco da burocracia do meio ambiente sob a atividade rural e que permita que os agricultores tenham mais facilidade de armazenar água.

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Na terça-feira (10), a Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural anunciou um aporte de R$ 15 milhões para a captação, armazenagem e distribuição de água para produtores rurais em situação de vulnerabilidade social e para repasse para os municípios mais afetados. Os novos recursos são da Assembleia Legislativa do Estado de Santa Catarina (Alesc) e somam-se aos R$ 24 milhões já aplicados em 2020 no apoio ao setor produtivo para reduzir os prejuízos com a seca e com outros efeitos climáticos.

* Com supervisão de Raquel Vieira

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