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    Estresse e ansiedade podem influenciar a saúde do corpo

    Sentimentos potencializados em tempos de pandemia reagem em forma de doenças

    16/04/2021 - 07h54

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    Por Estúdio NSC
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    Preocupação, medo constante e a ansiedade pela volta do "normal" impactam na saúde
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    Agravamento da pandemia, necessidade de isolamento social, inseguranças políticas e econômicas, temor pela contaminação com o vírus e até o luto estão entre as questões que estão nos pensamentos de milhões de brasileiros no último ano. Os impactos afetam de maneiras distintas a saúde emocional de quem precisa lidar com uma série de mudanças em um período curto de tempo. E o estresse e ansiedade gerados por essa extensão do sentimento de medo constante, além da inquietação sobre quando tudo isso vai passar, podem influenciar também a saúde do corpo.

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    Segundo a psicóloga Juliana Costa Beber, a pandemia exigiu à população reconfigurar os planos para se adaptar ao “novo normal”. Além do medo constante, as pessoas enfrentam perdas simbólicas – como da rotina anterior, a visita à casa dos amigos, viagens, abraço nos familiares – e também as de entes queridos, configurando o luto.

    Pandemia leva a aumento de casos de estresse e ansiedade

    A psicóloga conta que os estudos científicos e também a rotina de atendimentos mostram que os brasileiros já sentem os impactos no emocional. Um estudo da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas aponta que 40% dos brasileiros sentiram tristeza ou depressão na pandemia.

    — Na psicologia, sempre consideramos que as pessoas não estão isoladas e vivem um determinado contexto histórico que é permeado por relações e, portanto, o que ocorre no mundo nos afeta. É muito comum que as pessoas estejam sentindo os efeitos da pandemia: cansaço e exaustão emocional — afirma.

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    Quem está na linha de frente também sente os impactos emocionais
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    A especialista explica que os quadros de ansiedade são variáveis e vão depender dos níveis, da duração e interferência nos diferentes âmbitos da vida da pessoa. Caracterizada por um sentimento de antecipação do futuro, todos vão se sentir mais ansiosos em algum momento da vida. Por outro lado, a ansiedade patológica vai se diferenciar, pois apresenta uma condição de antecipação do futuro, mas de uma forma de catástrofe, de terror. Essa ansiedade apresenta característica de medo e irritabilidade nas pessoas.

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    A psicóloga aponta que os sintomas físicos são variáveis, mas estão relacionados à palpitação, coração acelerado, sudorese, tremores, sensação de falta de ar, sufocamento, medo de perder o controle ou estar enlouquecendo e medo de morrer, dependendo do nível de ansiedade.

    — Além disso, vemos muitos sintomas de ansiedade nas próprias pessoas que enfrentam a contaminação com o vírus, isso é bem recorrente. Os sintomas psicofísicos da Covid-19 vão desde o medo da piora, medo da baixa saturação e da dificuldade para respirar. Inclusive, esses sintomas que estão relacionados à doença podem ser facilmente confundidos com sintomas da ansiedade, que também, dependendo do nível, podem trazer a sensação de sufocamento e do medo — compara a psicóloga.

    Além da ansiedade, os sintomas depressivos podem causar prejuízos intensos na vida das pessoas e nas relações, com uma perda do sentido do projeto de vida. Entre eles, a acentuada diminuição do interesse e do prazer nas coisas que realizavam ao longo do dia, insônia, agitação, apatia, fadiga ou perda de energia e pensamentos recorrentes de morte ou tentativas de suicídio, dependendo do grau dos sintomas.

    — A pandemia gerou muitas mudanças nos projetos de vida das pessoas, fez com que as pessoas precisassem redefinir esses caminhos e lidar com essas incertezas. Isso nem sempre é uma tarefa fácil, que elas conseguem fazer sozinhas. Além disso, estamos vivenciando processos de luto e perdas que podem intensificar o sofrimento — comenta Juliana Costa Beber.

    Estratégias podem ajudar a promover o bem-estar

    A psicóloga orienta que quando há um prejuízo nas relações e na manutenção da rotina, o sinal já é de alerta. Os sentimentos estão fortemente relacionados aos hábitos – não se sente bem emocionalmente, tende a afetar o sono e a alimentação, por exemplo, e refletir em doenças como dermatite, psoríase, entre tantas outras. Além disso, o acúmulo de noites mal dormidas, com o descontrole das emoções na comida, também pode ocasionar doenças ainda mais graves, como hipertensão e diabetes. E não é preciso chegar a um nível intenso de sofrimento para procurar ajuda.

    No entanto, a especialista acredita que algumas estratégias e cuidados podem ajudar a melhorar o bem-estar nesse tempo de isolamento, perdas e incertezas. O sono e o descanso são a primeira delas, para promover a regeneração do corpo e o cuidado do emocional. A alimentação também é aliada, assim como os exercícios físicos e atividades prazerosas ligadas às artes, como ouvir música, assistir a seriados ou ler livros. Com a música, é possível ter contato com a natureza por meio de sons e a tecnologia pode ajudar nisso com diversos aplicativos.

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    Meditação é uma das indicações para buscar equilíbrio e enfrentar a pandemia sem ansiedade
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    Como o home office se intensificou na pandemia, a psicóloga reforça que é preciso pensar em espaços de trabalho adequados, divisão do tempo de trabalho com pausas definidas e a manutenção de uma rotina que equilibre e concilie o trabalho, lazer e descanso. Ainda, a especialista destaca a necessidade de diminuir as cobranças e níveis de exigência com produtividade, assim como a tentativa de controle das situações.

    Outra indicação é equilibrar o excesso de informação em jornais e redes sociais, além de usar a tecnologia para dar atenção aos amigos e familiares, com ligações e chamadas de vídeo.

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