Os adolescentes apreendidos por suspeita de envolvimento no estupro coletivo de duas crianças, de 7 e 10 anos, na zona leste de São Paulo, foram ouvidos pela Polícia Civil. De acordo com o delegado Julio Geraldo, os suspeitos confirmaram a participação no abuso e justificaram o ato como uma “brincadeira que saiu do tom”. As informações são da Folha de S.Paulo.

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Segundo as investigações, quatro adolescentes, entre 14 e 16 anos, e um homem de 21 anos participaram do crime. O abuso foi filmado pelo adulto envolvido, e as imagens foram compartilhadas via aplicativo de mensagens. De acordo com o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, os próprios envolvidos divulgaram o registro.

Em entrevista à Folha de S.Paulo, o delegado Julio Geraldo, titular do 63º DP, afirmou que os quatro adolescentes confirmaram o envolvimento.

— Todos são conhecidos. Eles tinham combinado de empinar pipa e, no momento do encontro, um deles estaria sujo. Combinaram, então, de tomar banho na casa de um dos jovens. Foi quando começou a situação que resultou na gravação — explicou o delegado, reiterando que a justificativa de “brincadeira” é inaceitável para um crime hediondo.

Dos quatro adolescentes envolvidos, dois são irmãos. Eles foram levados à delegacia pela própria mãe, que temia pela segurança dos filhos diante do risco de linchamento por vizinhos. Um dos jovens foi apreendido em Jundiaí, no interior de São Paulo, e outro nesta segunda-feira (4), por policiais civis do 63º DP, na região de Ermelino Matarazzo.

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O suspeito de 21 anos, preso na Bahia na última sexta-feira (1º), deve responder pelos crimes de estupro de vulnerável, divulgação de imagens de pedofilia e corrupção de menores. Já os adolescentes responderão por ato infracional análogo ao estupro de vulnerável.

Entenda o caso de estupro coletivo

A família de duas crianças de 7 e 10 anos, vítimas de um estupro coletivo na zona leste de São Paulo, soube do crime por meio de vídeos que circulavam nas redes sociais. Segundo a Polícia Civil, os envolvidos foram identificados, sendo quatro adolescentes e um maior de idade. Três já foram apreendidos e um homem, de 21 anos, foi preso nesta segunda-feira (4) na Bahia.

O caso foi registrado no dia 21 de abril, contudo, só chegou ao conhecimento das autoridades no dia 24 de abril, três dias após o crime, depois que a irmã de uma das vítimas viu imagens do abuso circulando nas redes sociais e procurou a delegacia para registrar a denúncia.

De acordo com a Polícia Civil, os agressores conheciam as crianças e atraíram as vítimas com um convite para empinar pipa antes do crime.

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— Eles eram vizinhos e as crianças tinham confiança neles. Chamaram pra soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque falaram: “vamos soltar pipa, aqui tem uma linha” — disse a delegada Janaína da Silva Dziadowczyk.

Ainda conforme a delegada, as vítimas eram pressionadas para não procurar a polícia.

— As vítimas estavam sendo pressionadas para não registrarem boletim de ocorrência na delegacia. Embora estivesse circulando na internet, a família não havia registrado queixa.

A delegada afirmou ainda que a irmã que fez a denúncia não morava mais com a mãe das vítimas e identificou o irmão ao ver o vídeo nas redes sociais.