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Violência

Estupro de seis crianças é revelado após palestra em escola de SC

Abusos eram cometidos pelo mesmo homem em Pouso Redondo

02/07/2021 - 16h07 - Atualizada em: 02/07/2021 - 16h08

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Talita
Por Talita Catie
Suspeito está preso e deve responder por estupro de vulnerável
Suspeito está preso e deve responder por estupro de vulnerável
(Foto: )

Uma palestra na escola sobre violência sexual ajudou a revelar uma série de estupros cometidos por um homem em Pouso Redondo, no Alto Vale do Itajaí. Após assistir à apresentação, uma aluna revelou aos professores os abusos cometidos contra ela. A polícia abriu inquérito e descobriu outras cinco crianças vítimas do mesmo agressor. 

Ele teve a prisão preventiva decretada e está no Presídio Regional de Rio do Sul desde a quinta-feira (1º). O homem vai responder pelo crime de estupro de vulnerável. Se condenado, pode receber pena superior a 20 anos.

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O caso está aos cuidados do delegado Daniel Zucon. Como se trata de violência sexual contra menores, ele não deu detalhes sobre a investigação para proteger a identidade das vítimas. Entretanto, conta que são meninos e meninas com idades de até 12 anos. Todos tinham em comum o contato com o homem apontado como agressor.

Zucon explica que a investigação começou a partir do relato da aluna feito na escola. A partir dali, durante a apuração, outras crianças do mesmo círculo de convívio relataram histórias de abuso sexual cometido pela mesma pessoa. Alguns episódios teriam ocorrido no ano passado e outros em 2021.

Para o delegado, a abordagem do tema na escola e a confiança nos profissionais da educação podem ter encorajado a menina a revelar o caso e por fim às agressões.

O papel da escola

Coordenadora das delegacias de Proteção à Criança e ao Adolescente em Santa Catarina, Patrícia Zimmermann ressalta que a escola é um importante espaço de interação, onde se estabelecem vínculos de confiança. Com essa relação fortalecida e entendimento sobre o que é violência sexual, é possível proteger os alunos e interromper ciclos de abuso, aponta a delegada.

Ela revela que no início da pandemia percebeu uma redução das notificações de crimes do gênero e a polícia se questionava se a queda era real ou fruto da falta de acesso a mecanismos para denunciar. Patrícia diz que não há estatísticas que possam confirmar o que houve, mas a percepção é de que os casos nunca cessaram.

O crime ocorria protegido pelo isolamento imposto pela pandemia do coronavírus. Com a volta às aulas presenciais, um canal se abriu novamente.

— Debater esses assuntos na rede escolar é uma maneira de você interagir com as crianças, esclarecê-las a respeito do que é o crime sexual, com uma linguagem técnica apropriada, sempre. É nessa aproximação que muitos casos de violação de direitos, principalmente sexual, são descobertos, pois a crianças ganham confiança e pedem ajuda — reitera a delegada.

Mudança repentina de comportamento, como uma criança comunicativa que de repete para de falar, crianças tranquilas que começam a apresentar quadros agressivos, outras que deixam de brincar ou mudam de hábitos alimentares. Essas são características percebidas com frequência em casos de vítimas de violência sexual infantil e que devem acender o alerta, 

Nestes casos, a recomendação é sempre pedir ajuda.

Alguns canais de denúncia são o Disque 100 - um serviço de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual; Polícia Militar, no telefone 190; e Polícia Civil, no número 180. Também é possível procurar o serviço social da cidade, uma unidade de saúde ou até mesmo na escola.

> Como proteger as crianças de abusos e entender os sinais de atenção

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